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Ícone da Atuação: Atriz Léa Garcia morre aos 90 Anos de infarto em Gramado

15 de ago. de 2023
3 min de leitura

Ao lado de Laura Cardoso, a atriz seria homenageada com o prêmio Oscarito durante a 51ª edição do Festival. O falecimento ocorreu devido a um infarto agudo do miocárdio.

A morte da atriz Léa Garcia, de 90 anos, foi confirmada pela família nesta Terça-feira (15) - Foto Reprodução/TV Globo / Purepeople




O mundo do entretenimento e do cinema brasileiro perdeu uma de suas grandes estrelas. Morreu, na madrugada desta terça-feira (15), a renomada atriz Léa Garcia, aos 90 anos. Léa faleceu devido a um infarto agudo do miocárdio, ocorrido na cidade de Gramado, situada na região da Serra do Rio Grande do Sul.


Coincidentemente, ela estava prestes a receber o Troféu Oscarito em reconhecimento à sua carreira durante a 51ª edição do Festival de Cinema da cidade. A notícia foi confirmada pela família em uma publicação no seu perfil oficial da artista no Instagram. Seu filho e empresário, Marcelo Garcia, contou que ela chegou a ser encaminhada para o Hospital Arcanjo São Miguel, mas chegou sem vida.


Carreira


Léa Garcia, nascida em 11 de março de 1933, no Rio de Janeiro, deixou um legado notável e uma carreira que se estendeu por décadas. Sua trajetória artística foi marcada por atuações memoráveis ​​em cinema, televisão e teatro, tornando-se uma verdadeira inspiração para as futuras gerações de artistas. Ela contabilizava mais de 100 produções no currículo.


Com sua marcante presença de palco e versatilidade, Léa Garcia conquistou o coração do público brasileiro ao longo dos anos. Ela se destacou em diversos gêneros, desde dramas profundos, comédias leves, sempre até entregando performances que cativaram a audiência e lhe renderam elogios da crítica especializada.


Uma das obras mais emblemáticas da carreira de Léa Garcia foi seu papel no clássico filme brasileiro "Orfeu Negro" , dirigido por Marcel Camus e lançado em 1959. O filme, uma adaptação da peça "Orfeu da Conceição" de Vinícius de Moraes, ganhou uma Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, levando a história da mitologia grega para as favelas cariocas e contando com a interpretação brilhante de Léa Garcia.


Além de sua notável trajetória no cinema, a atriz também brilhou em diversas produções televisivas e peças teatrais. A estreia na televisão ocorreu no Grande Teatro da TV Tupi, durante os anos de 1950. Na TV Tupi, ela também fez parte do elenco do programa "Vendem-se Terrenos no Céu" em 1963. O convite para ingressar na Rede Globo surgiu em 1970 , quando ela se uniu ao elenco de "Assim na Terra como no Céu", uma obra de Dias Gomes. Na Globo, teve a oportunidade de atuar no primeiro programa inteiramente gravado em cores no país, "Meu Primeiro Baile", um "Caso Especial" que foi ao ar em 1972.


Ao longo dos anos, Léa teve uma carreira repleta de papéis memoráveis ​​em diversas produções, abrangendo as emissoras Globo, TV Manchete, TV Bandeirantes e Record. Ela desempenhou um papel fundamental na quebra das restrições associadas aos personagens tradicionalmente atribuídos a atrizes negras, desempenhando um papel significativo nesse avanço. A atriz também fez parte do elenco de novelas como "Selva de Pedra", "Escrava Isaura", "Xica da Silva", "O Clone", "Dona Beija", "A Viagem", "Anjo Mau", uma minissérie " Abolição", "Êta Mundo Bom!" e "Sol Nascente".


No âmbito cinematográfico, Léa Garcia participou de vários filmes ao longo de sua carreira, incluindo "As Filhas do Vento" (2005), que ganhou vários prêmios no Festival de Gramado. Este filme, dirigido por Joel Zito Araújo, um cineasta negro, apresentou um elenco de atores negros e tratou de questões raciais, contando uma história de redenção amorosa entre irmãs. Com o curta-metragem "Acalanto" (2012), dirigido por Arturo Saboia e baseado em um conto de Mia Couto, ela conquistou o segundo prêmio Kikito em 2013. Em 2017, ela protagonizou outro curta-metragem, "Acúmulo", dirigido por Gilson Júnior.


Além de sua atuação, Léa Garcia também se aventurou na escrita, adaptando textos de autores negros como Cidinha da Silva, Luiz Silva Cuti e Muniz Sodré para o cinema. Sua habilidade em dar vida a uma variedade de personagens a transformou em uma presença constante nas telas e nos palcos brasileiros, garantindo seu lugar como um verdadeiro ícone da atuação.


Repercussão


A notícia de sua partida deixou colegas de trabalho, fãs e amigos consternados. Nas redes sociais, diversas personalidades do mundo do entretenimento prestaram suas homenagens à atriz, destacando seu talento, sua gentileza e seu impacto duradouro na cultura brasileira. Léa Garcia deixa um legado impressionante, compreendido de interpretações icônicas que continuarão a inspirar e emocionar as gerações futuras. Sua contribuição para o cenário artístico do Brasil é inegável, e sua ausência será profundamente sentida por todos aqueles que admiravam sua arte ao longo dos anos.


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