Viagem no Tempo: Descubra as 7 Cidades mais antigas do mundo e seu impacto na história global
Essas cidades não apenas testemunham silenciosamente o fluxo do tempo, mas também desempenharam papeis cruciais na formação do mundo contemporâneo, oferecendo uma visão única e fascinante das origens das civilizações que influenciaram profundamente a história global.
Colunas do Templo de Karnak, no Egito - Foto Reprodução/Istock Photo
A ideia de viajar no tempo há muito tempo fascina a imaginação humana, mas, por enquanto, permanece confinada à ficção científica. No entanto, ao olhar para trás na história, podemos fazer uma espécie de "viagem no tempo" ao explorar as cidades mais antigas do mundo. Esses locais antigos são testemunhas silenciosas do desenvolvimento humano ao longo dos séculos, oferecendo uma janela para as civilizações antigas e seu impacto na história global.
Jericó, Palestina
Jericó é uma das cidades mais antigas do mundo - Foto Reprodução/Pexels
Ano de Fundação: Aproximadamente 9.000 aC
Jericó, uma cidade mencionada em textos religiosos e históricos, é reconhecida como uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo. Localizada na Cisjordânia, Palestina, às margens do rio Jordão, a 8 milhas ao norte do Mar Morto e aproximadamente a 27 km de Jerusalém, encontra-se a cerca de 270 metros abaixo do nível do mar, sendo a cidade mais baixa do planeta.
Existem diversas teorias sobre a origem do nome Jericó. Localmente, os habitantes a chamam de Ārīḥā em árabe, significando "perfumada", derivando da palavra cananeia (também presente no árabe e no hebraico), Reah, que tem o mesmo significado. Em hebraico, Jericó é pronunciado como Yəriḥo. Uma teoria alternativa sugere que o nome se origina da palavra "lua" (Yareah) em cananeu e hebraico, diminuindo que a cidade era um antigo centro de turismo aos deuses lunares.
Jericó é famoso não apenas por suas antigas muralhas, mas também por abrigar a torre mais antiga já descoberta na Terra, juntamente com uma das mais antigas estátuas representando um rosto humano. Essa cidade é um testemunho fascinante da evolução da sociedade humana ao longo dos milênios.
Biblos, Líbano
Ruínas romanas do templo de Baccus em Byblos - Foto Reprodução/Istock Photo
Ano de Fundação: entre 8800 e 7000 aC aproximadamente
Situada nas margens do mar Mediterrâneo, do atual Líbano, a 42 quilômetros de Beirute, Byblos é uma cidade libanesa cuja história se estende por milênios. Conhecida por sua rica tradição comercial, Byblos foi um importante centro de comércio e cultura na antiguidade, desempenhando um papel crucial na disseminação da escrita fenícia. É também um foco de atração para arqueólogos devido às fases sucessivas de vestígios arqueológicos resultantes de séculos de ocupação humana.
Biblos, é uma antiga cidade portuária fenícia conhecida como Gubla (ou Gebal) em grego, tinha o nome de Kbn para os antigos egípcios, posteriormente alterado para Kpn. Embora os estudiosos ainda a refiram como Biblos, especialmente em referência a períodos históricos, agora é chamada de Jubayl em árabe, derivado da forma cananita Gubla. Parece que foi através de Biblos/Gubla que o "papiro egípcio" era exportado para a Grécia, dando origem tanto à planta quanto aos "rolos" ou "livros" produzidos a partir dela que receberam seu nome. É também da cidade que se origina o nome da Bíblia.
Damasco, Síria
Ruínas de Palmyra na Síria - Foto Reprodução/Getty Images
Ano de Fundação: Aproximadamente 6.300 aC
Damasco, apelidada de "Cidade do Jasmim", é uma das mais antigas localidades continuamente habitadas, ostentando uma história rica e intrincada. Como capital da Síria, testemunhou uma miríade de eventos históricos, desde os tempos das civilizações antigas até os impérios mais recentes, sendo a capital do país mais antiga do mundo. Suas tradições culturais e arquitetônicas são testemunhos vivos de sua importância ao longo da história. Além disso, Damasco permanece como um dos principais pólos culturais e religiosos do Levante.
Situada no sudoeste da Síria, é o epicentro de uma vasta área metropolitana, com aproximadamente 4,8 milhões de habitantes. Localizada nos sopés orientais da cordilheira do Antilíbano, a 80 quilômetros da costa leste do mar Mediterrâneo, ergue-se sobre um planalto a 680 metros acima do nível do mar. O clima semiárido prevalece na região, influenciado pelo efeito de sombra de chuva. O rio Barada serpenteia pela cidade.
Fundada pela primeira vez no segundo milênio a.C., foi selecionada como a capital do Califado Omíada de 661 a 750 d.C. Com a ascensão da dinastia Abássida, o poder islâmico migrou para Bagdá, resultando em um período de declínio político para Damasco, embora tenha recuperado sua importância durante as dinastias Aiúbida e Mameluca. Sob o domínio otomano, a cidade entrou em um estado de decadência, apesar de manter certo prestígio cultural. Atualmente, é o centro do governo central e abriga todos os ministérios governamentais. Em 2008, foi agraciada com o título de Capital Árabe da Cultura.
Sídon, Líbano
Castelo do mar em Sidon - Foto Reprodução/Istock Photo
Ano de Fundação: Por volta de 4.000 aC
Sidon, que recebeu seu nome do "herdeiro" de Canaã, o neto de Noé, é a terceira maior cidade do Líbano, é renomada por sua herança fenícia e está localizada no distrito de Sidon, às margens do mar Mediterrâneo, aproximadamente a quarenta quilômetros ao norte de Tiro e a quarenta e oito quilômetros da capital, Beirute. Considerada uma das cidades fenícias mais importantes e possivelmente a mais antiga, Sidon foi o epicentro de um vasto império comercial mediterrâneo. Seus habitantes eram elogiados por Homero por sua habilidade na produção de vidro e tecidos púrpura, e foram eles que estabeleceram colônias fundadoras em Tiro.
Como antigo centro comercial e portuário, Sidon desempenhou um papel vital na disseminação da cultura fenícia pela região do Mediterrâneo. Ao longo dos séculos, foi conquistada por filisteus, assírios, babilônios, egípcios, gregos e, por fim, romanos antes da era cristã. Herodes, o Grande, visitou Sidon, e segundo a tradição cristã, tanto Jesus Cristo quanto Paulo de Tarso também estiveram lá. Em 4 de dezembro de 1110, Sidon foi saqueada durante a Primeira Cruzada. Durante as Cruzadas, fez parte do Senhorio de Sidon e foi saqueada repetidas vezes até ser finalmente destruída pelos sarracenos em 1249, sendo novamente arrasada pelos mongóis em 1260, cujos destroços das muralhas originais ainda são visíveis.
Após cair sob o domínio do Império Otomano no século XVII, Sidon recuperou parte de sua antiga importância comercial. No século XIX, foi capturada e controlada pelos egípcios, com apoio da Inglaterra e da França. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi ocupada pelos britânicos e depois da guerra tornou-se um protetorado francês no Mediterrâneo Oriental.
Aleppo, Síria
Cidadela de Aleppo/Istock Photo
Ano de Fundação: Cerca de 5.000 aC
Aleppo, uma das mais antigas cidades continuamente habitadas, é um testemunho vivo de sua história, refletida nos edifícios residenciais encontrados em Tell Qaramel, que realça sua importância como uma joia histórica. Dotada de uma rica tapeçaria cultural, Alepo já foi um proeminente centro comercial na Rota da Seda, absorvendo e irradiando influências culturais e comerciais ao longo dos séculos. Localizada no norte da Síria, é a segunda maior cidade do país e a capital da província homônima, abrangendo uma vasta área de 18.482 quilômetros quadrados e uma população estimada em mais de 4,6 milhões de habitantes em 2010, tornando-a a maior província síria em termos populacionais.
Estrategicamente situada entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, Alepo foi erguida inicialmente sobre um conjunto de colinas circundando um monte onde o castelo da cidade foi erguido. O rio Quwēq serpenteia pela cidade, contribuindo para sua importância como um centro comercial vital. Durante séculos, Aleppo reinou como a principal cidade da Grande Síria e a terceira do Império Otomano, superada apenas por Constantinopla e Cairo. Apesar de sua proximidade com Damasco, Alepo se distingue por sua própria identidade, arquitetura e cultura, enraizadas em um contexto histórico e geográfico singular.
A relevância histórica de Alepo deriva principalmente de sua posição no final da Rota da Seda asiática, que ligava a Ásia Central e a Mesopotâmia. No entanto, com a abertura do Canal de Suez em 1869, o comércio marítimo suplantou as rotas terrestres, marcando o início de um declínio gradual para Aleppo. Após a queda do Império Otomano após a Primeira Guerra Mundial, a cidade perdeu território rural ao norte para a atual Turquia, juntamente com a importante ferrovia que a conectava a Mossul.
Ao longo das décadas seguintes, Alepo continuou a sofrer perdas significativas, perdendo seu acesso ao mar e territórios adjacentes para a Turquia. No entanto, o isolamento da Síria nas últimas décadas paradoxalmente contribuiu para preservar a antiga cidade de Aleppo, sua arquitetura medieval e seu patrimônio tradicional.
Recentemente, a cidade tem testemunhado um renascimento, recuperando lentamente sua posição de destaque, como evidenciado pelo título de "Capital Islâmica da Cultura" concedido em 2006 e por esforços bem-sucedidos de restauração de monumentos históricos. No entanto, entre 2012 e 2016, Alepo foi palco de violentos conflitos, deixando grande parte da cidade em ruínas e causando inúmeras vítimas.
Luxor, Egito
Templo de Luxor - Foto Reprodução/Istock Photo
Ano de Fundação: Aproximadamente 3.200 aC
Luxor, anteriormente conhecida como Tebas, é o lar de alguns dos mais impressionantes monumentos do Egito Antigo, como o Templo de Luxor e o Templo de Karnak. Seu nome deriva de "os palácios", do plural de qaṣr, uma palavra emprestada do latim castrum, significando "campo fortificado". Esta cidade testemunha a grandiosidade e sofisticação da civilização egípcia. Localizada ao sul do Egito, é a capital da província homônima, com uma população estimada em 487.896 habitantes em 2010, abrangendo uma área de 416 km². Com frequência, é descrita como "o maior museu ao ar livre do mundo", já que as ruínas dos complexos de templos em Karnak e Luxor estão incorporadas à cidade moderna.
O rio Nilo divide Luxor em duas partes: a margem oriental, outrora dedicada aos vivos, onde encontramos vestígios dos mais importantes templos dedicados aos deuses da mitologia egípcia; e a margem ocidental, dedicada aos mortos, abrigando algumas das mais importantes necrópoles do Antigo Egito, sendo secundárias apenas às existentes no planalto de Gizé, no Cairo, onde foram feitas descobertas arqueológicas significativas, incluindo o túmulo de Tutancâmon, encontrado em 1922 pelo renomado arqueólogo e egiptólogo inglês Howard Carter.
Em um dos lados do rio Nilo, também encontram-se os monumentos, templos e túmulos da Necrópole de Tebas, que inclui o Vale dos Reis e o Vale das Rainhas. Milhares de turistas de todo o mundo visitam esses monumentos anualmente, contribuindo significativamente para a economia da cidade moderna.
Plovdiv, Bulgária
Teatro romano de Plovdiv - Foto Reprodução/Istock Photo
Ano de Fundação: Por volta de 4.000 aC
Plovdiv, uma das cidades mais antigas da Europa, tem uma história que remonta à Antiguidade. Plovdiv, uma cidade da Bulgária situada no distrito de Plovdiv, ocupa o coração da planície da Trácia. Em 2007, tinha uma população de 378.107 habitantes, tornando-a a segunda maior cidade do país. Cortada pelo rio Maritsa, o maior do sul da Bulgária, Plovdiv é um centro vital em termos econômicos, de transporte, cultura e educação. Embora apenas um dos seis distritos da cidade se estenda até a margem norte do rio, a maior parte da cidade se encontra ao sul. Em 2019, Plovdiv foi uma das Capitais Europeias da Cultura, juntamente com Matera, na Itália.
Com uma arquitetura bem preservada e ruas de paralelepípedos, Plovdiv é um verdadeiro museu vivo que narra a história de diversas civilizações, desde os trácios até os romanos e otomanos. Sua história remonta a 6000 anos atrás, muito antes de Atenas ou Roma, o que a coloca entre as cidades europeias continuamente habitadas por mais tempo. Originalmente conhecida como Eumolpia, foi conquistada em 342 a.C. por Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, que então a rebatizou de Filipópolis.
Posteriormente, tornou-se independente sob o domínio dos trácios, que a chamavam de Pulpudeva, até ser incorporada ao Império Romano. Sob o domínio romano, seu nome mudou para Trimonte, "Cidade das três colinas", e tornou-se a capital da província de Trácia. Ainda hoje, podem-se encontrar numerosos vestígios romanos na cidade. Durante a Quarta Cruzada, o Ducado de Filipópolis foi estabelecido ali. No século VI, os eslavos tomaram a cidade, denominando-a Puldin. Em 815, os búlgaros a conquistaram. O termo Plovdiv surgiu no século XV.
Durante o domínio otomano, Plovdiv destacou-se como um centro crucial dos movimentos nacionalistas búlgaros, e foi onde a primeira imprensa em língua búlgara foi estabelecida. A cidade foi libertada dos otomanos na Batalha de Plovdiv, em 1878. Plovdiv então se tornou a capital da região semi-independente de Rumelia do Leste, até sua união definitiva com a Bulgária, em 1885. Sob o governo comunista, que se instaurou no país após a Segunda Guerra Mundial, Plovdiv foi palco de diversos movimentos democráticos que, finalmente, derrubaram o regime pró-soviético em 1989.

































