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Vacina Dengue no SUS: Governo divulgada lista de municípios selecionados para receber doses do imunizante

25 de jan. de 2024
4 min de leitura

A vacina será administrada em crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos em localidades que possuam mais de 100 mil habitantes e apresentem um elevado número de casos de dengue tipo 2. Adicionalmente, os municípios circunvizinhos também serão contemplados com a imunização.

Caixa da vacina QDenga, imunizante contra a dengue, que será distribuído para todo país - Foto Reprodução/Internet




O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (25) uma lista com 521 municípios em 16 estados do Brasil que receberão as doses da vacina contra a Dengue. Essa ação faz parte dos esforços contínuos do Sistema Único de Saúde (SUS) para combater a disseminação da doença e salvaguardar a população dos riscos associados ao vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. O imunizante, agora integrado ao SUS, será distribuído para aplicação a partir de fevereiro.


O Brasil é o primeiro país no mundo a disponibilizar o imunizante em sua rede pública, contudo, enfrenta o desafio decorrente da escassez de doses. O Ministério da Saúde está programado para receber um pouco mais de 6 milhões de doses, sendo 5,2 milhões adquiridas do laboratório Takeda e 1,3 milhões doadas. Atualmente, a abrangência do ministério se limita a pouco menos de 10% dos 5.565 municípios do país, devido à restrição na quantidade de doses fornecidas pelo laboratório.


A quantidade de indivíduos vacinados contra a doença será reduzida, uma vez que a imunização completa requer duas aplicações em um período de três meses. Essa limitação ocorre devido à capacidade de produção. Diante disso, o Ministério da Saúde precisou estabelecer critérios de priorização para a vacinação.


Grupo prioritário na vacinação


  • Pessoas de 10 a 14 anos por estarem entre o público com maior número de internações pela doença.

  • Municípios de grande porte -- que são aqueles com mais de 100 mil habitantes e com classificação de alta transmissão de dengue do tipo 2.

  • Cidades próximas a esses locais também foram incluídas no que o governo chama de "regiões de saúde".

  • A vacinação não será aplicada em idosos porque não foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


De acordo com informações do Ministério da Saúde, o processo de imunização terá início em fevereiro, contudo, não seguirá um padrão uniforme. Isso se deve à dependência da disponibilidade de doses, sendo que as primeiras unidades foram recebidas no país durante o último fim de semana. A expectativa é de que o volume total de vacinas adquiridas seja entregue até dezembro. Cerca 3,1 milhões de pessoas poderão ser imunizadas no próximo ano. Veja no botão abaixo os municípios contemplados.





A Dengue no Brasil


O Brasil enfrenta desafios constantes relacionados à Dengue, uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. A incidência da doença tem impactos significativos na saúde pública, resultando em hospitalizações e até mesmo óbitos. Neste ano, houve um aumento de 170% nos casos prováveis de dengue. De acordo com informações do Ministério da Saúde, ao compararmos as três primeiras semanas de janeiro de 2023 com o mesmo período de 2024, os casos prováveis saltaram de 44.753 para 120.874. No entanto, é importante observar uma redução no número de óbitos, passando de 26 para 12 neste ano.


A Vacina contra Dengue


Desenvolvida para enfrentar os quatro sorotipos do vírus da Dengue, a vacina disponibilizada pelo SUS representa uma ferramenta crucial na prevenção dessa doença. A Qdenga (TAK-003) é um imunizante contra a dengue criado pelo laboratório japonês Takeda Pharma, cujo registro foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março do ano passado. A composição da vacina inclui vírus vivos atenuados da dengue, desencadeando respostas imunológicas eficazes contra os quatro sorotipos do vírus.


Desde a aprovação pela Anvisa, clínicas particulares passaram a oferecer a vacina Qdenga aos seus clientes. Agora, o imunizante integra também o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que engloba as vacinas fornecidas gratuitamente pelo SUS. As investigações clínicas revelaram que é possível observar reações, em sua maioria, até dois dias após a administração. As respostas documentadas variaram de leves a moderadas e persistiram por um período de 1 a 3 dias. Importante ressaltar que essas reações NÃO tornam a vacina contraindicada quando aplicada no público correto.


A dor no local da injeção foi a reação mais comumente relatada, ocorrendo em 50% dos casos, seguida por dor de cabeça (35%), dor muscular (31%), vermelhidão no local da injeção (27%), mal-estar (24%), fraqueza (20%) e febre (11%). Observou-se uma diminuição na frequência dessas reações após a administração da segunda dose da Qdenga.


Distribuição


A distribuição é baseada em critérios epidemiológicos, levando em consideração a incidência da doença em cada região. Municípios com maior prevalência e risco de surtos têm prioridade na distribuição, garantindo uma abordagem direcionada e eficaz. As áreas foram escolhidas com base em três critérios: municípios com população superior a 100 mil habitantes, apresentando elevada incidência de transmissão de dengue registrada nos anos de 2023 e 2024, e com prevalência significativa do sorotipo DENV-2.


A decisão foi tomada em conjunto com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), organismos que representam os estados e municípios no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo as orientações da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).


A distribuição das doses acontecerá ao longo do ano, conforme o cronograma estabelecido pelo fabricante. A primeira remessa, composta por aproximadamente 757 mil doses, chegou ao Brasil no último sábado (20). Esse lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses fornecidas pela empresa farmacêutica. Uma próxima remessa, contendo mais de 460 mil doses, está programada para ser entregue em fevereiro, seguida por 470 mil doses em março, 1.650 milhão em maio e agosto, 431 mil em setembro e 421 mil em novembro.

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