Trégua: Israel e Hamas acordam pausa no conflito em troca da libertação de 50 reféns
Dentre os termos do acordo, está um cessar-fogo de quatro dias, a liberação de 50 reféns mantidos em Gaza pelo Hamas, em troca Israel deve soltar 150 pessoas detidas em prisões israelenses. O início do cessar-fogo será anunciado nas próximas 24 horas. Se for bem-sucedido, marcará a primeira interrupção nos combates desde 7 de outubro.
Uma mulher revista os escombros após um ataque no campo de refugiados de Nuseirat, em Gaza - Foto Reprodução/Getty images
Em um desenvolvimento surpreendente, Israel e o grupo militante palestino Hamas concordaram com uma trégua temporária na manhã da quarta-feira (22), pelo horário local, noite de terça-feira (21), no Brasil, marcando um cessar-fogo nas hostilidades que assolaram a região por semanas. O ponto de inflexão para esta pausa no conflito foi a decisão de ambas as partes de buscar a libertação de 50 reféns como gesto de boa vontade. As informações foram divulgadas pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A mídia israelense informou que os primeiros reféns devem ser soltos na quinta-feira (23). Segundo as autoridades governamentais, mulheres e crianças sob custódia do Hamas serão libertadas ao longo de um período de quatro dias. Durante esse intervalo, haverá uma suspensão do conflito. O gabinete do primeiro-ministro também declarou que a interrupção do conflito poderá ser estendida por um dia a cada 10 reféns libertados.
O Acordo de Trégua
O cessar-fogo, que vinha sendo negociado discretamente desde o início da guerra, contou com a mediação do Qatar e dos Estados Unidos. Fontes americanas confirmaram na terça-feira a existência dessas conversas, corroborando informações reveladas na semana passada pelo jornal "The Washington Post". O representante do Ministério das Relações Exteriores do Qatar, Majed Al-Ansari, afirmou que a proposta de um acordo para a liberação de reféns foi entregue a Israel na madrugada da última terça-feira. As conversas avançaram durante a madrugada da quarta-feira, pelo horário local.
De acordo com um comunicado do Hamas na terça-feira, o grupo ofereceu a liberdade de 50 mulheres e crianças com menos de 19 anos, em troca da soltura de 150 pessoas, a maiorias mulheres e crianças palestinas detidas em prisões israelenses. O comunicado também afirma que ambas as partes concordaram em suspender todos os combates por quatro dias, com Israel comprometendo-se a não atacar nem prender indivíduos em Gaza durante esse período.
O governo de Israel mantém sua posição de que isso não marca o término do conflito, reafirmando seu compromisso de “completar a erradicação do Hamas”. Antes da reunião, o primeiro-ministro de Israel garantiu às autoridades de segurança e aos líderes governamentais de alto escalonamento que uma ataque contra o Hamas seria reiniciada após a libertação dos reféns.
Ajuda humanitária
A pausa no conflito também permitirá a entrada de mais ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Durante os quatro dias, o tráfego aéreo será completamente interrompido no sul de Gaza, enquanto no norte devem ocorrer interrupções diárias de seis horas, disse o Hamas, permitindo com que centenas de caminhões com auxílio médico, alimentos e combustível serão autorizados a transportar ajuda humanitária para todas as regiões de Gaza. De acordo com informações das mídias de notícias israelenses, seis hospitais em Israel estão se preparando para receber os reféns.
“Eles estabeleceram compostos designados para recebê-los, separados de outros pacientes e da mídia”, afirmou o jornal israelense Haaretz.
Reféns do Hamas
Todos eles capturados durante o ataque ocorrido em 7 de outubro. De acordo com informações das Forças de Defesa de Israel, aproximadamente 240 pessoas foram sequestradas pelo grupo Hamas, incluindo cidadãos nacionais e estrangeiros mantidos sob custódia pelo referido grupo terrorista, com mais de 30 desses indivíduos sendo crianças. A maioria dos sequestrados viviam em comunidades agrícolas coletivas, chamadas "kibutz". Além disso, o Hamas também fez como reféns pessoas que estavam em um festival de música ao ar livre.
O Hamas alega que 57 dos reféns perderam a vida em decorrência de ataques israelenses na região de Gaza. Desde o início do conflito, quatro reféns civis, incluindo um jovem de 17 anos, foram libertados pelo Hamas. As pioneiras foram uma mãe e sua filha dos Estados Unidos. Em seguida, duas mulheres israelenses também tiveram a oportunidade de voltar para casa. Além disso, as forças armadas israelenses comunicaram que, em uma operação terrestre conduzida em 29 de outubro, conseguiram resgatar uma soldada que estava em cativeiro desde ataque do Hamas em território israelense. O Hamas afirma que os reféns se encontram em túneis e locais seguros.




























