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Tragédia no Rio Grande do Sul: Número de mortos no RS atinge 154; Nível do rio Guaíba registra queda no volume de água

17 de mai. de 2024
4 min de leitura

Atualizado: 5 de jun. de 2024

Diante da grandiosidade da tragédia, autoridades estaduais, municipais e federais, juntamente com a população brasileira, têm redobrado esforços para oferecer auxílio às vítimas e coordenar as operações de resgate. O governo do Rio Grande do Sul anunciou a implementação do Programa Volta por Cima, destinado a assistir famílias em situação de extrema pobreza.


Prefeitura de Porto Alegre à esquerda e Mercado Municipal á direita, alagados após chuvas que atinge o estado - Foto Reprodução/Gilvan Rocha/Agencia Brasil





O estado do Rio Grande do Sul, segue enfrentando uma crise sem precedentes devido às recentes inundações que assolaram várias regiões do estado. O número de mortos devido às fortes chuvas e enchentes atingiu 154, segundo as autoridades locais. As cidades com maior número de óbitos são Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, com 19 mortes, seguidas por Roca Sales, no Vale do Taquari, Caxias do Sul e Cruzeiro do Sul, na Serra do RS, cada uma registrando 10 óbitos.


O impacto catastrófico deixou inúmeras famílias sem lar e devastou extensas áreas urbanas e rurais, causando uma comoção generalizada entre a população, as autoridades e outros estados brasileiros. O aumento do volume de água nos rios da região sobrecarregou as infraestruturas locais, forçando milhares de residentes a abandonarem suas casas em busca de segurança. Ruas se transformaram em rios, casas ficaram submersas e houve interrupção dos serviços básicos. Esse tem sido o cenário cotidiano para os moradores das regiões afetadas, que enfrentam uma luta diária pela sobrevivência.


Situação até o momento


O nível do Guaíba em Porto Alegre continua diminuindo nesta sexta-feira (17). Às 5h15, o registro era de 4,73 metros. Embora a água tenha recuado em algumas áreas da capital gaúcha, muitos bairros ainda permanecem inundados. Nas áreas onde as ruas já secaram, os moradores começaram a retornar e limpar suas casas. No entanto, a situação é mais crítica nas cidades localizadas às margens da Lagoa dos Patos, no sul do Rio Grande do Sul. Ontem, o nível subiu, resultando em mais áreas inundadas. Nesta sexta, uma nova frente fria está intensificando as chuvas no estado. Há um alerta de perigo para a região norte, onde temporais podem atingir as cabeceiras dos rios.


Segundo as últimas atualizações da Defesa Civil, divulgadas diariamente às 9h, 12h e 18h, até o momento, há 461 municípios afetados, 78.165 pessoas em abrigos, 78.165 pessoas desalojadas, 2.281.830 pessoas afetadas, 806 feridos, 98 desaparecidos e 12.108 animais resgatados.


Resposta das Autoridades


Diante da magnitude da tragédia, as autoridades estaduais, municipais e federais mobilizaram esforços para prestar assistência às vítimas e coordenar operações de resgate. Equipes de emergência têm trabalhado incansavelmente para evacuar áreas de risco, fornecer abrigo temporário e distribuir suprimentos essenciais, como água potável e alimentos. Além disso, medidas preventivas estão sendo implementadas para mitigar os impactos futuros das inundações.


As 620 mil famílias que participam do Bolsa Família no Rio Grande do Sul receberão nesta sexta-feira, 17 de maio, o pagamento referente a este mês. Em resposta à situação de calamidade no estado, o Governo Federal e a CAIXA decidiram unificar o pagamento para o primeiro dia do cronograma do programa de transferência de renda. O valor médio do benefício é de R$ 672,74. Na quarta-feira (15), o Plenário aprovou com 61 votos a favor e nenhum contra, o projeto que suspende os pagamentos de 36 parcelas mensais da dívida do Rio Grande do Sul com a União.


Os recursos serão utilizados em ações para enfrentar a situação de calamidade pública causada pelas recentes chuvas. O projeto que precisava da aprovação da maioria absoluta dos senadores foi encaminhado para a sanção presidencial. No mesmo durante a visita da comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a São Leopoldo do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que as famílias afetadas pelas enchentes recentes no Rio Grande do Sul serão beneficiadas com um auxílio de R$ 5.100 do governo federal para reposição de móveis, eletrodomésticos e outros bens perdidos.


O governo do Rio Grande do Sul anunciou sua mobilização para a construção de "cidades provisórias" em quatro municípios que abrigam mais de 65% da população atualmente desabrigada. Estas instalações serão estabelecidas nos locais mais impactados: Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Guaíba. O objetivo dessas estruturas temporárias é proporcionar abrigo e condições de vida adequadas até que soluções permanentes de habitação sejam estabelecidas.


As cidades provisórias serão equipadas com unidades residenciais para as famílias, além de áreas comuns, como banheiros com chuveiros, cozinhas, lavanderias e espaços dedicados para crianças e animais de estimação. Na coletiva de imprensa desta sexta-feira, o governador Eduardo Leite revelou o lançamento do programa "Volta Por Cima", destinado a auxiliar financeiramente famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, cadastradas no Cadastro Único e afetadas pelas inundações no estado. Um total de 47 mil famílias deverá receber o benefício no valor de R$2,5 mil cada.


Solidariedade e Mobilização da Sociedade Civil


Em meio à tragédia, a solidariedade tem sido uma força motriz fundamental. Voluntários locais, organizações não governamentais e empresas têm se unido para oferecer suporte às vítimas, seja por meio de doações financeiras, fornecimento de recursos ou trabalho voluntário. Essa mobilização da sociedade civil tem desempenhado um papel crucial no apoio às comunidades afetadas e na reconstrução do tecido social que foi abalado pela calamidade.


Cerca de 70% dos donativos destinados ao Rio Grande do Sul e entregues pelos cidadãos nas agências dos Correios em todo o país consistem em peças de vestuário. Por esse motivo, em acordo com a Defesa Civil, os Correios decidiram nesta sexta-feira suspender temporariamente a recepção de itens de vestuário em suas agências, uma vez que já possuem estoque suficiente para atender às necessidades do estado gaúcho. A empresa está solicitando à população que continue suas doações de água, alimentos básicos, ração para animais de estimação, produtos de limpeza e de higiene pessoal. As doações podem ser feitas em qualquer uma das mais de 10 mil agências dos Correios em todo o Brasil, para serem transportadas gratuitamente à Defesa Civil do Rio Grande do Sul.

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