TikTok recorre a nova estratégia em última tentativa de evitar banimento nos EUA
Um projeto de lei aprovado no início deste ano visa proibir o aplicativo no país, a menos que o proprietário chinês, ByteDance, o venda. A empresa afirma que a lei infringe as proteções à liberdade de expressão garantidas pela Constituição americana
Ilustração com bandeira dos EUA e logotipo do TikTok - Foto Reprodução / Reuters / Dado Ruvic
O TikTok, uma das redes sociais mais populares do mundo, está mais uma vez sob o escrutínio das autoridades dos Estados Unidos. Com mais de 150 milhões de usuários ativos no país, a plataforma enfrenta uma pressão crescente para ser banida, em meio a preocupações com a segurança nacional e o uso de dados pessoais pelos órgãos reguladores. Para evitar ser banido no país, o aplicativo de compartilhamento de vídeos argumentou que deve ser tratado como um meio de comunicação de propriedade estrangeira.
O TikTok afirmou que um projeto de lei aprovado no início deste ano, que visa proibir o aplicativo nos Estados Unidos a menos que a empresa chinesa ByteDance o venda, infringe as proteções à liberdade de expressão garantidas pela Constituição americana. No entanto, o Departamento de Justiça do país alegou que o TikTok não se enquadra na proteção da Primeira Emenda por ser de propriedade de uma entidade estrangeira. Em documentos judiciais recentes, divulgados na quinta-feira, o TikTok contesta essas alegações, chegando a se comparar com veículos de mídia de prestígio.
Contexto
Nos últimos anos, o governo dos EUA tem expressado temores de que a empresa-mãe do TikTok, a chinesa ByteDance, possa ser obrigada a compartilhar dados de usuários norte-americanos com o governo chinês, conforme a lei local. Embora o TikTok tenha negado repetidamente essas acusações, e mesmo implementado diversas medidas de segurança para proteger os dados dos seus usuários, as preocupações persistem, levando a uma série de discussões sobre um possível banimento.
Para evitar essa medida drástica, vem recorrendo a uma nova estratégia que envolve uma combinação de táticas jurídicas, lobby político e campanhas de relações públicas. A empresa está empenhada em demonstrar sua transparência e compromisso com a segurança dos dados, buscando um acordo que possa garantir sua permanência no mercado dos EUA.
Lobby Intensificado e Relações Públicas
Nos últimos meses, o TikTok tem intensificado seus esforços de lobby em Washington, D.C., contratando profissionais de alto nível para convencer legisladores e reguladores de que a plataforma não representa uma ameaça à segurança nacional. Em abril deste ano, o TikTok e sua controladora chinesa, a ByteDance, investiram mais de US$ 7 milhões nos primeiros três meses do ano para tentar impedir que o Congresso dos Estados Unidos aprovasse uma lei que poderia banir o aplicativo de mídia social no país.
De acordo com relatórios obtidos pelo site, a ByteDance sozinha destinou US$ 2,68 milhões a lobistas para influenciar o Congresso e as autoridades federais. Paralelamente, o TikTok desembolsou mais de US$ 4,5 milhões em uma campanha publicitária na TV e nas redes sociais, visando combater a proposta de lei que poderia resultar na proibição do aplicativo. A campanha inclui anúncios destacando os benefícios do TikTok para a economia, a cultura e as pequenas empresas nos EUA. A empresa também tem promovido a hashtag #SaveTikTok, que se tornou um movimento popular entre os usuários da plataforma.
Facebook e Instagram
A Meta Platforms, proprietária do Facebook e do Instagram, seria a principal beneficiada por uma eventual proibição do TikTok. O Reels, recurso do Instagram, tem se esforçado para atrair criadores de conteúdo do TikTok para sua plataforma. Uma pesquisa da Wedbush revelou que cerca de 60% dos usuários do TikTok consideram o Facebook ou o Instagram como as alternativas mais prováveis caso o TikTok seja proibido.
O relacionamento do TikTok com outras grandes empresas de tecnologia é mais complexo, pois ele mantém relações comerciais com algumas delas. Um exemplo disso é o "Projeto Texas", iniciativa na qual o TikTok afirmou ter criado uma versão independente de seu aplicativo, hospedada em servidores da Oracle nos Estados Unidos. Recentemente, o TikTok lançou sua própria plataforma de comércio eletrônico nos Estados Unidos e, recentemente, firmou um acordo com a Amazon, permitindo que os usuários realizem compras diretamente pelo aplicativo.
Desafios Legais e Jurídicos
Paralelamente às suas atividades de lobby e relações públicas, o TikTok tem investido em uma estratégia jurídica robusta. Recentemente, a empresa entrou com um processo para contestar as tentativas do governo de banir o aplicativo, argumentando que tal medida violaria os direitos constitucionais dos usuários norte-americanos, incluindo a liberdade de expressão. Os advogados do TikTok afirmam que a decisão de banir o aplicativo não está baseada em evidências concretas, mas sim em suposições infundadas sobre o controle do governo chinês sobre a ByteDance.
Um Futuro Incerto
Embora a nova estratégia do TikTok seja abrangente e bem coordenada, o futuro da plataforma nos EUA ainda é incerto. Com as tensões geopolíticas entre os EUA e a China em alta, o resultado dessas manobras pode ter implicações significativas, não apenas para o TikTok, mas para a indústria de tecnologia como um todo. Se o TikTok conseguir evitar o banimento, poderá abrir um precedente para outras empresas tecnológicas estrangeiras que enfrentam desafios semelhantes. No entanto, se falhar, o banimento do TikTok pode marcar o início de uma nova era de protecionismo digital, com implicações de longo alcance para a internet global. De qualquer forma, a batalha do TikTok para permanecer nos EUA está longe de terminar, e todos os olhos estão voltados para as próximas etapas desse confronto complexo e altamente politizado.


























