Tensões no Oriente Médio: Espanha, Irlanda e Noruega reconhecem o Estado da Palestina enquanto Israel toma medidas diplomáticas
Atualizado: 5 de jun. de 2024
O reconhecimento oficial de um Estado Palestino independente por parte dos três países entrará em vigor na terça-feira (28). Diplomatas foram convocados em Tel Aviv por Israel para obterem mais informações. Desde a incursão militar em Gaza, os países têm demonstrado oposição ao governo Netanyahu.
Durante uma conferência de imprensa, o primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, anunciou que a Irlanda, a Noruega e a Espanha reconhecerão a Palestina como um estado independente - Foto Reprodução/Internet
O Oriente Médio tem sido uma região de tensões e conflitos constantes, especialmente em torno da questão palestina e da existência do Estado de Israel. Desde a criação de Israel em 1948, a questão palestina tem sido uma das mais complexas e controversas no cenário internacional. O reconhecimento internacional do Estado da Palestina tem sido um tema central nas negociações de paz e nas relações diplomáticas entre diversos países. Nesta quarta-feira (22) a Noruega, Espanha e Irlanda anunciaram o reconhecimento de um Estado Palestino independente.
O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, informaram que o reconhecimento será formalizado na próxima terça-feira (28). A decisão conjunta foi tomada após a aprovação, no início do mês, de uma resolução da Assembleia Geral da ONU que abre caminho para o reconhecimento da Palestina como Estado-membro da organização.
Desde o início dos bombardeios e da incursão terrestre de Israel em Gaza, em resposta aos ataques terroristas do Hamas ocorridos em 7 de outubro, os governos da Espanha e da Irlanda têm demonstrado oposição ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Reconhecimento da Palestina por Espanha, Irlanda e Noruega
A guerra deixou Gaza em ruínas, com a população sem saneamento e à beira da fome, de acordo com organismos internacionais. Mais de 35 mil pessoas já morreram, a maioria civis, conforme informou o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Na incursão terrorista em Israel, o Hamas matou mais de 1.200 pessoas e levou centenas de reféns.
O primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, afirmou em uma conferência de imprensa que espera que outros países tomem medidas semelhantes nas próximas semanas. Ele também mencionou que, antes do anúncio, conversou com vários outros líderes e está confiante de que mais nações se juntarão a nós para dar este importante passo nas próximas semanas. Harris também afirmou que a solução de dois Estados é o único caminho para alcançar paz e segurança para Israel, Palestina e seus povos.
O espanhol Pedro Sánchez criticou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, pedindo um cessar-fogo. Contudo, ressaltou que isso não é suficiente. De acordo com Sánchez, Netanyahu ignora os apelos e continua a penalizar a população palestina. Sánchez afirma que é legítimo e necessário combater o grupo terrorista Hamas, porém, Netanyahu está causando uma quantidade significativa de sofrimento, destruição e ressentimento em Gaza e no restante da Palestina, colocando em risco a solução de dois Estados.
A Noruega, mediadora em várias negociações de paz no passado, incluindo os Acordos de Oslo de 1993, também reconheceu formalmente o Estado da Palestina. A Noruega destacou seu compromisso contínuo com a paz e a justiça, e sua intenção de trabalhar com todas as partes envolvidas para alcançar uma solução pacífica.
Reações de Israel
Essa decisão foi recebida com entusiasmo por líderes palestinos e defensores dos direitos palestinos em todo o mundo. Os três países europeus destacaram a importância de uma solução de dois Estados como caminho para uma paz duradoura na região. No entanto, a resposta de Israel a esses reconhecimentos foi imediata e firme. O governo israelense condenou as ações dos três países europeus, alegando que tal reconhecimento unilateral prejudica o processo de paz e incentiva o extremismo.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou nesta quarta que determinou a retirada imediata de seus embaixadores na Irlanda, Noruega e Espanha, em resposta à mudança de postura em relação ao reconhecimento de um Estado Palestino. Os embaixadores dos três países em Tel Aviv também foram chamados ao Ministério das Relações Exteriores de Israel. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, declarou que a decisão de reconhecer um Estado Palestino enfraqueceu o direito de Israel à autodefesa e os esforços para liberar os 128 reféns mantidos pelo Hamas em Gaza.
"Israel não ficará em silêncio”, disse Katz. "Estamos determinados a alcançar os nossos objetivos: restaurar a segurança dos nossos cidadãos e a remoção do Hamas e o regresso dos reféns. Não existem objetivos mais justos do que estes", disse Katz.
Reconhecimento na ONU
No dia 10 de maio, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que abre o caminho para a adesão da Palestina como membro pleno das Nações Unidas, concedendo "novos direitos e privilégios" aos palestinos. A resolução insta o Conselho de Segurança da ONU a aprovar a entrada da Palestina como o 194º membro das Nações Unidas. Esta medida foi aprovada com 143 votos a favor, nove votos contrários e 25 abstenções. O Brasil expressou apoio à resolução, enquanto Argentina, Israel, Estados Unidos, República Tcheca, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau e Papua-Nova Guiné votaram contra a medida.
Para que a Palestina alcance o reconhecimento como "Estado observador" pela ONU, é necessário que a proposta seja aprovada pelo Conselho de Segurança, o que parece improvável devido ao poder de veto dos Estados Unidos no órgão. Apesar disso, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, destacou que essa iniciativa representa um avanço significativo em direção ao reconhecimento total da Palestina como membro da ONU.
Impacto no Processo de Paz
O reconhecimento da Palestina por esses três países europeus e as subsequentes medidas diplomáticas de Israel ilustram a complexidade e a volatilidade do conflito no Oriente Médio. Enquanto o reconhecimento é visto por muitos como um passo em direção à justiça e à resolução do conflito, Israel e seus aliados argumentam que tais ações podem minar as negociações de paz.
A comunidade internacional continua dividida sobre a melhor forma de resolver o conflito israelo-palestino. No entanto, o reconhecimento da Palestina por Espanha, Irlanda e Noruega coloca pressão adicional sobre as partes envolvidas para encontrar uma solução duradoura.
Obstáculos para criação de um Estado Palestino
Apesar do reconhecimento internacional ser um passo importante, a concretização do Estado Palestino enfrenta diversos desafios. Desde 2007, os territórios palestinos estão divididos entre dois grupos rivais: o Fatah, que governa a Cisjordânia, e o Hamas, que governa Gaza. Além disso, a Cisjordânia possui assentamentos israelenses protegidos pelas Forças de Defesa de Israel, que exercem controle sobre o território, inclusive estabelecendo postos de controle para os palestinos que ali vivem.
Há defensores do direito de Israel ocupar a Cisjordânia, como membros do governo Netanyahu, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. No entanto, estabelecer um Estado Palestino viável exigiria a remoção de centenas de milhares de assentados israelenses da região.




























