Tensões diplomáticas: México suspende relações com o Equador após invasão em sua embaixada em Quito
O presidente do México, Andrés Manuel López, por meio de uma plataforma de mídia social, declarou que o Equador infringiu a soberania mexicana e determinou o fim das relações diplomáticas entre as duas nações. As autoridades policiais detiveram o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que se encontrava na embaixada, e ele foi posteriormente condenado por crimes de corrupção.
Policiais do Equador em frente à embaixada do México em Quito, que foi invadida para a prisão do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas - Foto Reprodução/Karen Toro/Reuters
No último episódio de uma série de incidentes diplomáticos que têm abalado as relações internacionais na América Latina, o México anunciou a suspensão imediata de suas relações diplomáticas com o Equador. O movimento surge em resposta após uma invasão ocorrida na embaixada mexicana em Quito, a capital equatoriana, que resultou em um impasse político entre os dois países. O presidente López Obrador anunciou a medida em uma rede social na madrugada deste sábado (6).
O Incidente na Embaixada Mexicana
A embaixada mexicana em Quito foi invadida na noite de sexta-feira (06). De acordo com a Associated Press, um contingente policial se dirigiu ao local com o objetivo de prender Jorge Glas, ex-vice-presidente do Equador, sentenciado a seis anos de prisão em 2017 por seu envolvimento em um esquema de propina com a construtora Odebrecht, em troca de contratos governamentais. Glas havia recebido asilo político do México e estava abrigado na embaixada desde dezembro de 2023, alegando ser alvo de perseguição pela Procuradoria-Geral do Equador.
O presidente mexicano, por meio de uma publicação em uma rede social, declarou ter sido informado da invasão pela Secretaria de Relações Exteriores, reforçando que o incidente representa uma violação do direito internacional e da soberania mexicana.
"Instruí o nosso chanceler a emitir uma declaração sobre este ato autoritário, proceder legalmente e declarar imediatamente a suspensão das relações diplomáticas com o governo do Equador", escreveu López Obrador.
Seguindo os preceitos da Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, estabelecida em 1961, os espaços que abrigam as missões diplomáticas de um país em território estrangeiro, tais como embaixadas e consulados, são considerados sacrossantos. Tanto o Equador quanto o México ratificaram essa norma durante a década de 1960. Segundo o tratado, a entrada de agentes do Estado nesses locais está sujeita à autorização concedida pelo chefe da missão estrangeira. Em outras palavras, no contexto do Equador, as autoridades policiais deveriam obter permissão do embaixador mexicano antes de adentrarem na Embaixada do México.
Concessão Mexicana
Na sexta-feira (05), o governo mexicano anunciou a concessão de asilo político a Glas. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Equador acusou o México de violar os acordos de asilo político e solicitou autorização para entrar na embaixada em Quito e prender Glas. Na noite do mesmo dia, um grupo de policiais equatorianos, em veículos escuros, dirigiu-se à Embaixada do México. De acordo com a Associated Press, os agentes arrombaram as portas externas da embaixada e entraram no local, enquanto a principal avenida de acesso foi fechada pela polícia.
O encarregado da Embaixada do México no Equador, Roberto Canseco, denunciou o ocorrido como uma violação flagrante do direito internacional, classificando-o como "inaceitável" e "barbárie". Ele comparou a ação à invasão de criminosos. Por sua vez, o governo equatoriano, em comunicado, afirmou que não permitirá impunidade a nenhum criminoso, referindo-se a Jorge Glas. A nota ainda ressalta o respeito do Equador pelo povo mexicano e o papel das embaixadas na promoção das relações bilaterais entre os dois países.
Tensões Regionais
A tensão entre México e Equador se intensificou após declarações do presidente López Obrador sobre as eleições equatorianas de 2023. Em um discurso na quarta-feira (3), Obrador equiparou o assassinato de Fernando Villavicencio, candidato à Presidência do Equador, à violência que assola o atual período eleitoral mexicano.
Villavicencio foi assassinado em agosto de 2023, logo após um comício em Quito. Paralelamente, no México, diversos candidatos locais foram vítimas de assassinato nas últimas semanas, em meio à preparação para as eleições marcadas para junho. Obrador também defendeu que a candidata de esquerda, Luisa González, derrotada nas eleições equatorianas, foi injustamente vinculada ao assassinato de Villavicencio. Além disso, o presidente mexicano acusou a mídia equatoriana de corrupção.
A comparação feita por López Obrador visava criticar os meios de comunicação mexicanos, que têm sido frequentemente alvos de suas críticas. Em resposta, o governo equatoriano classificou as declarações de Obrador como "infelizes" e declarou a embaixadora mexicana como "persona non grata", termo utilizado no direito internacional para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.


























