Sonda orbital europeia ESA detecta 'Aranhas' em Marte
As imagens capturadas pela sonda ExoMars TGO da ESA revelaram um intrigante fenômeno no Planeta Vermelho, resultando em formações que se assemelham a aranhas nas regiões polares de Marte.
As s formações na superfície marciana são moldadas pelo gelo que, durante a transição do inverno para a primavera em Marte - Foto reprodução/ExoMars TGO/ESA
Desde as primeiras missões espaciais, Marte tem sido um alvo primordial para a exploração humana. A busca por sinais de vida, passada ou presente, impulsiona missões espaciais e estudos científicos. A sonda orbital da Agência Espacial Europeia (ESA), equipada com instrumentos avançados, têm varrido meticulosamente a superfície marciana, revelando detalhes antes desconhecidos.
Recentemente, a sonda espacial não tripulada ExoMars Trace Gas Orbiter alcançou um avanço significativo na exploração de Marte ao capturar imagens de um intrigante fenômeno no planeta vermelho, que parece gerar formações que lembram aranhas. As imagens revelam uma variedade de estruturas na superfície de Marte que, à primeira vista, lembram um conjunto de aracnídeos. Este achado abre novas perspectivas sobre a história geológica e a potencial existência de vida no Planeta Vermelho.
A Descoberta Marciana
Essas intrigantes formações foram encontradas na região do polo sul do planeta vermelho, uma área batizada de "Cidade Inca. "Estas estruturas são o resultado do gelo que, ao transitar do inverno para a primavera marciana, libera gás carbônico, esculpindo canais que variam de 45 metros a um quilômetro de diâmetro. Essas fissuras minúsculas emergem quando a luz do sol da primavera incide sobre a camada de dióxido de carbono depositada durante os meses sombrios do inverno.
A energia solar converte o dióxido de carbono congelado na base da cobertura em gás, resultando na acumulação e ruptura das placas de gelo superiores. Na primavera marciana, o gás é liberado, trazendo consigo matéria escura à superfície e quebrando as camadas de gelo de até um metro de espessura. O gás, misturado com um pó escuro, é expelido em grandes colunas pelas fissuras no gelo, formando gêiseres e depositando-se na superfície, o que causa as manchas escuras visíveis nas imagens. Esses processos dão origem a padrões sob o gelo que se assemelham, quando vistos de cima, a aranhas, explicou a ESA.
"Cidade Inca" em Marte
Visão em perspectiva da região de marte conhecida como “Cidade Inca” - Foto Reprodução/ESA /Divulgação
A Cidade Inca, também conhecida como Angustus Labyrinthus, foi descoberta em 1972 pela sonda Mariner 9 da NASA. Seu nome deriva das cristas lineares que se assemelham a ruínas, antes consideradas dunas de areia petrificadas ou talvez vestígios de antigas geleiras marcianas. Estas, por sua vez, poderiam ter deixado para trás altas paredes de sedimentos conforme recuavam. Em 2002, a sonda norte-americana Mars Orbiter que tem a finalidade de procurar evidências de existência de água, no passado remoto de Marte, revelou que a Cidade Inca é parte de uma formação circular com cerca de 86 quilômetros de largura.
Esta característica pode ser uma antiga cratera de impacto, sugerindo que as cristas geométricas podem ser intrusões de magma surgindo através da crosta aquecida e rachada de Marte após ter sido atingido por um objeto espacial. A cratera teria então se preenchido com sedimentos, que desde então sofreram erosão, revelando parcialmente as formações de magma que se assemelham a ruínas antigas.
Por que essas formações são associadas com aranhas?
O fenômeno por trás disso é chamado pareidolia, uma ilusão em que nossa mente nos leva a perceber padrões familiares, mesmo que não estejam presentes. Esse processo ocorre quando nossa mente rapidamente identifica padrões que podem ter sido úteis para a sobrevivência, como reconhecer possíveis ameaças, como uma serpente. Por isso, ocasionalmente podemos interpretar imagens ou formas inexistentes, como as famosas "aranhas marcianas".
Ao longo da evolução, a capacidade de identificar rapidamente possíveis ameaças foi crucial para a sobrevivência de nossos antepassados. Eles tinham uma propensão natural para encontrar padrões reconhecíveis, mesmo em situações onde estímulos aleatórios eram predominantes, o que os ajudava a garantir sua segurança. Os primeiros seres humanos que erravam no lado da cautela, confundindo estímulos inofensivos com possíveis perigos, estavam, na verdade, protegendo sua própria existência.
Essa tendência persiste como um vestígio do nosso passado evolutivo, evidenciando-se na inclinação para perceber formas familiares em contextos desconhecidos. A Dra. Jess Taubert, da Universidade de Queensland, concordou com essa perspectiva em uma entrevista ao IFLScience, destacando a predisposição inata do cérebro humano para encontrar padrões como um mecanismo fundamental de sobrevivência. Embora essa predisposição cognitiva seja vantajosa para detectar possíveis ameaças, também pode levar os humanos a interpretar erroneamente estímulos aleatórios, como é o caso dos padrões "aranha" supostamente identificados em Marte.
Outras Ocorrências de Pareidolia em Marte
Em Marte, foram observadas várias pareidolias interessantes, incluindo a famosa "cara de urso", uma suposta "porta alienígena" capturada pela a sonda espacial norte-americana Mars Science Laboratory (MSL), que levava em seu interior o rover Curiosity, projetado para explorar a cratera Gale em Marte, e uma rocha com uma forma semelhante à de um gato, registrada pelo robô Perseverance. Enquanto isso, na Lua, o rover chinês Yutu 2 descobriu o que parecia ser uma "cabana misteriosa", que acabou sendo apenas uma rocha com um formato peculiar.



























