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Sem roteiro e produção: Entenda a greve dos roteiristas dos EUA e seus efeitos nas séries e filmes

2 de mai. de 2023
3 min de leitura
Escritores votam para greve em movimento que pode paralisar a indústria cinematográfica e televisiva dos EUA.

Foto Reprodução / Mídia Internacional



Os roteiristas sindicalizados de cinema e televisão entraram em greve após o fracasso das negociações que buscam por melhores condições de trabalho e remuneração mais justa em estúdios de produção, como Walt Disney, da Netflix, Amazon, Apple, NBC Universal, Paramount, Sony e Warner Bros. A greve foi iniciada em abril pelo sindicato dos roteiristas, a Writers Guild of America (WGA), mas nesta terça-feira (02), decidiram paralisar totalmente as produções do setor, o que poderá afetar imediatamente as filmagens de filmes, séries e gravações de programas de TV como os talk-shows de variedades. Os escritores são responsáveis por criar e desenvolver as tramas dos programas e filmes.


Esta é a primeira greve do setor em 15 anos, que na ocasião durou 100 dias e resultou em um prejuízo de US$ 2,1 bilhões à economia da Califórnia, além de impactar as produções do cinema e programas televisivos. Por meio de uma publicação no twitter, o sindicato que representa os 11.500 roteiristas, anunciou que os membros do conselho votaram unanimemente a favor da paralisação. A seis semanas, o WGA, está em negociação com as principais produtoras de cinema e televisão dos Estados Unidos. Segundo o Comitê de Negociação do sindicato, a intenção é chegar a um acordo justo, porém as respostas dos estúdios foram consideradas "totalmente insuficientes" pelos escritores, que também buscam melhores condições de trabalho.


"O Conselho de Administração e o Conselho do WGAeast, agindo de acordo com a autoridade concedida a eles por seus membros, votaram unanimemente para convocar uma greve, a partir das 00:01, terça-feira, 2 de maio. A decisão foi tomada após seis semanas de negociações com Netflix, Amazon, Apple, Disney, wbd, NBCUniversal, Paramountplus e Sony sob a égide da AMPTP. Embora nosso Comitê de Negociação tenha iniciado esse processo com a intenção de fazer um acordo justo, as respostas dos estúdios foram totalmente insuficientes, dada a crise existencial que os escritores estão enfrentando. O piquete começará amanhã à tarde."



Além disso, o sindicato, também, pede aumento dos salários e um recebimento maior nos lucros gerados pelas transmissões das produções por streaming. Segundo a agência de notícias britânica "Reuters", os profissionais dessa área afirmam que enfrentam dificuldades e remunerações estagnadas. Ao longo do tempo, as mudanças com o streaming dificultaram viver em cidades como Los Angeles e Nova York, cidades nas quais se concentra a maioria das produções cinematográficas e televisivas. De acordo com um levantamento da WGA, metade dos escritores de séries de TV trabalha com salários mínimos, em comparação com um terço na temporada 2013-14 e que o pagamento médio para esses profissionais no nível mais alto de escritor/produtor caiu 4% na última década.


Foto Reprodução / Mídias Internacionais




Outra reivindicação dos roteiristas é em relação à inteligência artificial. Segundo a Reuters, o sindicato também solicita garantias que os estúdios sejam impedidos de usar as inteligências artificiais para criar roteiros a partir de trabalhos antigos dos escritores. Além disso, os escritores também pedem garantias de que não sejam requisitados que eles reescrevam rascunhos de scripts criados pela IA.


Os primeiros impactos durante a greve, serão sentidos nos programas com entrevistas de variedades e em atrações que usam quadros com celebridades e paródias musicais, como no "The Tonight Show" e "Saturday Night Live". Nas exibições desses programas os roteiros são escritos em dias próximos ou muitas vezes, no mesmo dia, desta forma as atrações devem parar de serem exibidas. A greve não deve atingir as produções de séries e filmes de imediato, uma vez que, a maioria dessas produções atualmente já possuem um período maior entre as temporadas ou roteiros já escritos. No entanto, se a paralisação persistir por mais tempo, poderá afetar e atrasar o retorno desses seriados. Já no caso das filmagens cinematográficas, existe um período maior para o lançamento, mas se a greve persistir poderá prejudicar os títulos que estão previstos para serem lançados entre 2024 e 2025.


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