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Repatriação: Brasileiros deixam Gaza após um mês de conflito Israel-Hamas

12 de nov. de 2023
5 min de leitura

O Grupo deve viajar para o Cairo, neste domingo, permanecendo lá até a manhã de segunda-feira, quando embarcará em um voo de retorno ao Brasil. Ao final desta operação o governo brasileiro terá repatriado um total de 1.477 pessoas.

A aeronave VC2, da Presidência da República, aguarda o grupo para iniciar o décimo voo de repatriação de brasileiros - Foto Reprodução / Redes Sociais




Após um mês de intensos conflitos entre Israel e o grupo terroristas Hamas na Faixa de Gaza e uma série de tentativas frustradas, os cidadãos brasileiros que eram residentes na região do conflito deixaram o território na manhã deste domingo (12), em um operação de repatriação coordenada pelo governo brasileiro, nomeada como "Operação Voltando em Paz".


O grupo composto por 32 pessoas inclui 22 brasileiros, 7 palestinos com residência temporária ou permanente no Brasil e 3 parentes próximos de palestinos. Entre eles, há 9 mulheres, 6 homens e 17 crianças. Os brasileiros passaram pelo controle migratório em Gaza e neste momento já se encontraram em território egípcio, tendo sido recebidos por uma equipe da embaixada brasileira no Cairo, responsável pela fase final da operação de repatriação.


De uma lista inicial de 34 nomes fornecidos pela embaixada brasileira, duas pessoas desistiram da repatriação. Segundo Alessandro Candeas, embaixador brasileiro na Palestina, uma mulher de 50 anos e sua filha de 12 anos escolheram ficar em Gaza por razões pessoais. De acordo com fontes da embaixada brasileira, existe ainda uma segunda relação de mais de 50 brasileiros que aguardam resgate. No entanto, não há um prazo previsto para a concretização desse resgate.


"Bom dia, gente: a gente chegou na fronteira. Daqui a pouco vamos para o lado do Egito. Rezem por nós", afirmou Hasan Rabee, em vídeo. "Estamos saindo da Palestina e indo para o Egito. Esse é o caminho para o Egito. Não falta muita coisa. Um segundo, um minuto", celebrou Hasan, já num ônibus entre o Portão de Rafah e o lado egípcio.
"Já estão chamando os nossos nomes. Tenho o papel da saída agora", celebrou Shahed Al-Banna, uma jovem de 18 anos que integra o grupo.

Os dois se tornaram figuras conhecidas dos brasileiros por gravarem diariamente vídeos relatando a rotina de ansiedade e de restrições impostas pela guerra na Faixa de Gaza.


O que vem a seguir


Segundo informado por Paulino Carvalho Neto, embaixador do Brasil no Egito, a previsão inicial é que o grupo descanse e se alimente no Egito neste domingo. Caso opte por seguir a rota por Al Arish, fará uma parada na capital egípcia, Cairo, para reabastecer e continuar a jornada. Outra possibilidade viável seria realizar uma viagem direta de ônibus até o Cairo, onde ficariam durante a noite e partiriam na segunda-feira (13) no avião presidencial rumo ao Brasil. A viagem a partir do aeroporto do Cairo deve ter uma duração entre 12 e 14 horas.


O avião presidencial designado para transporte do grupo que será repatriado já aguarda no Aeroporto do Cairo. A aeronave também tem permissão para decolar em direção ao aeroporto de El Arish, se necessário. Além disso, uma médica oficial da Aeronáutica acompanhará as famílias durante o voo com destino ao Brasil.


Autorização


A lista com o nome dos estrangeiros autorizados para deixar a Faixa de Gaza foi divulgada na noite da última quinta-feira (09) no horário de Brasília. Além dos brasileiros, a relação de estrangeiros autorizados a deixar a região incluía 547 pessoas de diversas nacionalidades.


  • Estados Unidos: 14

  • Canadá: 266

  • Romênia: 107

  • Indonésia: 6

  • Polônia: 26

  • Rússia: 85

  • India: 7

  • Albânia: 14

  • China: 10

  • Dinamarca: 4

  • Alemanha: 6

  • Holanda: 2

  • Nova Zelândia: 12

  • Malásia: 2


Até o momento, cerca de 4.012 pessoas receberam autorização para deixar a Faixa de Gaza. Destas, aproximadamente 480 estrangeiros estavam na primeira lista, 576 na segunda, 571 na terceira, 599 estrangeiros na quarta lista, 605 estrangeiros na quinta e na sexta lista um total de 580.


Negociações


Desde o início do conflito, em 7 de outubro, o governo brasileiro tem se empenhado em ações diplomáticas para repatriar o grupo. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve quatro conversas com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, a fim de garantir a inclusão dos nomes dos brasileiros na sexta lista de estrangeiros autorizados a deixar a região.


Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desempenhou um papel direto nas negociações. Durante o mês de conflito, o líder brasileiro conversou por telefone com autoridades dos Emirados Árabes Unidos, Israel, Palestina, Egito, França, Rússia, Turquia, Irã, Catar e o Conselho Europeu.


Brasileiros


Fora das primeiras relações de nacionalidades autorizadas a sair de Gaza, os brasileiros enquanto aguardavam permissão das autoridades do Egito, de Israel e da Autoridade Palestina para deixar a zona de conflito, enfrentaram dilemas angustiantes, tendo que se refugiar em abrigos improvisados e a escassez de recursos básicos, como água potável e suprimentos médicos. Eles estavam divididos em dois subgrupos: 16 pessoas aguardavam na fronteira em Rafah, enquanto outros 16 estavam localizados em Khan Yunis, a maior cidade do sul da Faixa de Gaza.


Durante o período em Gaza, os brasileiros receberam apoio contínuo da diplomacia do Brasil. Foram fornecidos recursos para garantir necessidades básicas, como alimentação, água potável, gás de cozinha, medicamentos e serviços médicos e apoio psicológico online. Além disso, o governo brasileiro alugou residências nas áreas de Khan Yunis e Rafah para abrigar o grupo enquanto aguardava a autorização para sair da região. A representação brasileira em Ramala, identificou os imóveis e os ônibus fretados e comunicou quais eram às autoridades locais em Gaza e em Israel para evitar quaisquer incidentes.


Perspectivas para a chegada


Ao chegarem ao Brasil, eles deverão permanecer por duas noites em Brasília, hospedando-se em instalações da FAB para recuperação e descanso. Uma operação conjunta será montada no aeroporto, com estruturas de apoio fornecidas por representantes da Polícia Federal e da Receita Federal, pronta para auxiliar no processo de documentação, se necessário.


Médicos, psicólogos e um posto de imunização estarão disponíveis para assistência imediata. É importante ressaltar que nem todos possuem residência no país e alguns são de origem palestina. Portanto, é fundamental fornecer apoio e documentação para que possam estabelecer-se no Brasil.


Como já havia sido informado Augusto de Arruda Botelho, secretário nacional de Justiça, aqueles que não possuem um local para ficar serão acolhidos em um abrigo localizado no interior de São Paulo, proporcionando um ambiente de "acolhimento digno e humanitário" durante esse momento tão difícil pelo qual estão passando. Segundo ele, não há prazo específico para o atendimento que será fornecido pelo Governo Federal aos repatriados.


“Estamos preparados para o tempo que for necessário, para que essas pessoas possam se integrar ao nosso país. Não há prazo limite fixado. Estamos prontos para recebê-los da melhor forma. Eles ficarão em um local com longa experiência de acolhimento de refugiados da forma mais completa, mais digna, sem prazo", Afirmou ele.

A situação atual


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, permanece resistente aos crescentes apelos internacionais por um cessar-fogo, afirmando que a busca de Israel por conter os militantes do Hamas em Gaza continuará com toda a intensidade e que um cessar-fogo só seria considerado caso os 239 reféns sequestrados pelo grupo terrorista e levados para Gaza fossem libertados. Paralelamente, enquanto Netanyahu fazia o discurso televisionado no final do sábado, batalhas intensas foram travadas em torno do hospital central na Cidade de Gaza.


Os confrontos foram concentrados nas proximidades do hospital al-Shifa, onde o governo israelense acredita que o Hamas localizou sua base nos últimos dias. A situação no hospital, que abriga milhares de palestinos em busca de abrigo dos ataques israelenses, tornou-se progressivamente desesperadora. O diretor do hospital, Mohammed Abu Selmia, relatou que a instalação ficou sem energia no sábado. "Os equipamentos médicos pararam de funcionar. Os pacientes, especialmente aqueles em terapia intensiva, acabaram de falecer", disse ele por telefone, com o som de tiros e explosões ao fundo.


Quatro fontes de segurança egípcias informaram à Reuters que, até à manhã de domingo, após a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, vários palestinos feridos chegaram ao solo de egípcios em busca de tratamento médico. Além disso, 80 cidadãos estrangeiros e seus dependentes passaram pelos procedimentos de fronteira."


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