Putin é reeleito na Rússia e garante permanência no poder até 2030: o impacto político e as perspectivas para o país
Vladimir Putin ocupa o cargo desde 2000, ultrapassando qualquer outro líder russo desde o ditador soviético Joseph Stalin. Aos 71 anos, ele se encaminha para seu quinto mandato como presidente.
Membros de uma comissão eleitoral esvaziam uma urna para contar votos, após o fechamento das seções eleitorais em Novosibirsk - Foto Reprodução/Reuters/Vladislav Nekrasov
Vladimir Putin, o presidente russo há muito tempo uma figura central na política do país e uma figura de destaque no cenário global, foi reeleito mais uma vez para o cargo, consolidando sua permanência no poder até 2030. Esta vitória não apenas solidifica o controle contínuo de Putin sobre a Rússia, mas também levanta questões sobre o futuro político do país e seu papel no mundo. A confirmação veio através da emissora estatal Russia-24. Até aproximadamente 15h35 deste domingo (17), os resultados iniciais apontam para uma vitória com 88% dos votos apurados.
O predomínio de Putin foi ratificado após três dias de votação, iniciada na sexta-feira (15) e concluída neste domingo, às 15h (horário de Brasília). Mais de 8 milhões de eleitores participaram da votação online, conforme informado pelo órgão responsável. Não havia competidores reais capazes de ameaçar a vitória do atual presidente, uma vez que os outros três candidatos, todos parlamentares, são amplamente considerados como marionetes — tendo votado a favor da intervenção na Ucrânia no parlamento e expressado publicamente apoio a Putin.
Eleições Russas
A votação ocorreu em meio a uma intensa repressão que calou os meios de comunicação independentes e silenciou os destacados grupos de direitos humanos. Alexei Navalny, um dos mais proeminentes opositores de Putin, faleceu em fevereiro, enquanto estava preso no Ártico, enquanto outros críticos enfrentam detenção ou estão exilados. No terceiro dia de votação, Navalny foi lembrado, com pessoas em Moscou visitando seu túmulo e colocando um modelo de cédula de votação com seu nome sobre ele.
Houve pelo menos seis incidentes de vandalismo em locais de votação relatados na sexta e no sábado, incluindo um ataque incendiário e a contaminação das urnas com um líquido verde. Em 2017, Navalny foi alvo de um ataque em que um agressor jogou um desinfetante verde em seu rosto. No domingo, Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, participou de um protesto contra Putin e votou na embaixada russa em Berlim.
De acordo com a BBC, Navalnaya informou aos jornalistas que ela foi quem preencheu a cédula de votação com o nome de Navalny. Enquanto isso, ao longo dos três dias de votação, a Ucrânia intensificou os bombardeios contra a Rússia e realizou incursões em território russo. No último domingo, a Ucrânia lançou um ataque utilizando drones contra Moscou, enviando 36 drones de longo alcance para oito regiões russas, incluindo quatro direcionados à capital russa.
A Reeleição de Putin
A reeleição de Vladimir Putin não veio como uma surpresa para muitos observadores políticos. O líder russo, conhecido por sua habilidade estratégica e controle firme sobre a máquina estatal, conseguiu mais um mandato com uma margem confortável de votos. Putin tem estado no comando por um período de 24 anos, estabelecendo-se como o presidente russo de maior longevidade desde Josef Stalin, durante a era da União Soviética. A imprensa internacional previa sua reeleição, o que poderia permitir a Putin ultrapassar os quase 30 anos de Stalin no poder.
Em 2020, ele alterou a Constituição para estender seu mandato até 2036. Este prolongado período no poder, combinado com a completa supressão das vozes da oposição interna, concede a Putin uma autoridade considerável, possivelmente irrestrita. Muitos políticos opositores foram detidos, alguns encontraram um fim em circunstâncias misteriosas, como Alexei Navalny e Boris Nemtsov. Outros, como Garry Kasparov, foram rotulados como terroristas e forçados a deixar o país.
Na prática, Putin impede que opositores genuínos concorram nas eleições contra ele, como ocorreu este ano. Vários veículos de imprensa foram proibidos, incluindo o "Novaya Gazeta", cujo fundador recebeu o Prêmio Nobel da Paz devido ao seu trabalho no jornalismo. As autoridades do país também advertiram que qualquer forma de manifestação durante o período de votação é considerada ilegal e será punida. Na manhã da sexta-feira, primeiro dia de votação, pouco depois da abertura das urnas, uma mulher foi detida por jogar tinta em uma urna em um local de votação em Moscou. Apesar disso, a esposa de Alexei Navalny, Yulia Navalny, convocou uma grande manifestação na capital russa para o domingo.
Na Rússia, não se rotula o regime como uma democracia, mas sim como uma "democracia controlada". Os candidatos que figuram nas cédulas são, na prática, aliados de Putin. Entre eles estão Nikolai Kharitonov, um deputado de 75 anos representante do Partido Comunista, com aproximadamente 4% das intenções de voto nas pesquisas. Leonid Slutsky, outro deputado de um partido nacionalista, também registra cerca de 4% nas intenções de voto. Vladislav Davankov, vice-presidente da Câmara de Deputados, é outro nome que surge com cerca de 5% das intenções de voto.
O Impacto Político Interno e as Perspectivas para o País
Com Putin garantindo sua permanência no poder até 2030, o cenário político interno da Rússia provavelmente continuará dominado por seu estilo de liderança centralizado. Espera-se que o governo russo continue a priorizar a estabilidade interna, muitas vezes às custas das liberdades civis e da oposição política. Além disso, a falta de uma sucessão clara e a crescente concentração de poder em torno de Putin levantam questões sobre o futuro da democracia na Rússia.
As perspectivas para a Rússia sob a liderança contínua de Putin são complexas. Enquanto o país continua a ser uma potência militar e econômica de importância global, enfrenta desafios significativos, incluindo a pressão econômica das sanções internacionais, a volatilidade dos preços do petróleo e gás e a necessidade de modernização de sua economia.
Além disso, as relações da Rússia com outras nações, especialmente com os Estados Unidos e a União Europeia, continuam a ser tensas, com disputas sobre questões como a guerra na Ucrânia, a Síria e as interferências eleitorais. A liderança contínua de Putin provavelmente manterá esse status quo geopolítico, com a Rússia buscando afirmar sua influência em várias partes do mundo.


























