População brasileira atinge 203 milhões segundo Censo 2022, registrando menor crescimento desde 1872
Em comparação com a pesquisa conduzida em 2010, constatou-se um crescimento populacional de 6,45%. No entanto, esse número ficou abaixo das projeções que previam uma população de mais de 207,7 milhões de habitantes no país.
Foto Reprodução/Jelina Preethi/Getty Images
De acordo com o Censo Demográfico 2022, realizado mais de uma década após a pesquisa anterior, a população do Brasil é de 203.062.512 habitantes. O Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os primeiros resultados desta pesquisa na quarta-feira (28).
O órgão revisou suas projeções anteriores, já que o número de habitantes ficou abaixo do esperado. No prognóstico de 2021, previa-se que o país teria pelo menos 213 milhões de habitantes. No entanto, em dezembro de 2022, com base nos dados preliminares do levantamento, o IBGE ajustou a estimativa para 207,7 milhões, ou seja, 4,7 milhões de pessoas a menos do que o cálculo final anteriormente previsto.
Censo
O Censo é um levantamento controlado pelo IBGE com o objetivo de coletar de forma abrangente informações sobre a população do Brasil. Essa pesquisa possibilita a criação de um perfil socioeconômico do país, uma vez que registra o número de habitantes no território nacional, identifica suas características e revela aspectos da vida dos brasileiros.
O levantamento desempenha um papel crucial, pois permite a identificação de informações necessárias para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas, bem como para a realização de investimentos tanto públicos quanto privados. Ele influencia, por exemplo, na alocação de transferências financeiras da União para estados e municípios, além de auxiliar na identificação de áreas prioritárias de investimento em saúde, educação, habitação, transportes e energia.
Resultado do censo
Os dados fornecidos da pesquisa divulgada nesta quarta-feira referem-se ao dia 31 de julho de 2022 e constituem os primeiros resultados do Censo Demográfico 2022, abordando a População e os Domicílios. De acordo com o IBGE, esses dados englobam informações básicas sobre a quantidade total de habitantes em domicílios no país, em diferentes níveis geográficos e recortes diversos. Além disso, eles também incluem vários indicadores derivados dessas informações, como a média de moradores por domicílio, a densidade demográfica e a taxa de crescimento anual da população.
As informações disponíveis indicam a contagem populacional do país em 1º de agosto de 2022. No caso específico do Brasil, observou-se um incremento de 6,45% em relação à pesquisa anterior realizada em 2010, que havia registrado um total de 190.755.799 indivíduos. Em termos absolutos, esse aumento correspondeu a 12.262.757 habitantes. Ao longo desses 12 anos, a taxa de crescimento anual foi de 0,52%, representando o nível mais baixo registrado na série histórica.
Regiões
O crescimento populacional no Brasil foi impulsionado pelas regiões Sul e Sudeste. A região Sudeste registrou um aumento de 4.482.777 pessoas, enquanto o Sul teve um acréscimo de 2.546.424 habitantes. Durante o período de 2010 a 2012, 3.168 municípios brasileiros, o que representa 56,9% do total de 5.570 municípios, experimentaram um aumento na sua população. Por outro lado, 2.399 municípios, correspondendo a 43% do total, tiveram uma diminuição na quantidade de habitantes entre 2010 e 2022.
São Paulo, é a cidade mais populosa do país, possui uma população de 11.451.245 habitantes. Em seguida, vêm o Rio de Janeiro e Brasília. No Brasil, existem três cidades com menos de mil habitantes: Serra da Saudade, em Minas Gerais, com 833 habitantes; Borá, em São Paulo, com 907 habitantes; e Anhanguera, em Goiás, com 924 habitantes. O crescimento populacional foi mais significativo no interior do país do que nas capitais, visto que 66,58% dos novos habitantes se concentraram em regiões fora desses grandes centros urbanos.
Em torno de 5% das cidades no Brasil abrigam aproximadamente 56% da população total do país. Essas 319 cidades, que correspondem a apenas 2,79 pessoas por domicílio em média, são o lar de 115,6 milhões de indivíduos, representando cerca de 56,95% da população brasileira. Essa proporção mostra uma redução na média de moradores por residência, que diminuiu de 3,31 para 2,79.
Dados do do Censo 2022
Foram realizadas visitas de recenseadores em todas as 5.568 cidades brasileiras, juntamente com dois distritos (Fernando de Noronha e Distrito Federal), totalizando 5.570 localidades. De acordo com o IBGE, foram visitados 106,8 milhões de endereços em uma área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
Foram registradas respostas de 79.160.207 pessoas, das quais 88,9% responderam a 26 perguntas e 11,1% responderam a 77 perguntas. No total, 98,88% das entrevistas foram realizadas em pessoa, enquanto o restante foi conduzido pela internet ou telefone. Além de determinar com precisão o tamanho da população, o Censo coleta dados sobre as características dos residentes, como idade, gênero, etnia, religião, nível educacional e renda. Também são obtidas informações sobre o saneamento básico das residências.
Atraso
Conforme a legislação, é estabelecido que a pesquisa deva ocorrer a cada intervalo de dez anos. Considerando que a edição anterior foi realizada em 2010, a próxima deveria ter sido conduzida em 2020. No entanto, devido à pandemia de Covid-19, sua realização foi suspensa. Em 2021, o Censo enfrentou outro adiamento devido a restrições orçamentárias impostas pelo governo de Jair Bolsonaro. Após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal finalmente alocou os recursos solicitados pelo IBGE, no valor de R$ 2,3 bilhões, permitindo que os trabalhos tivessem início em 1º de agosto de 2022.




























