Polícia revela que sérvio que se dizia esloveno e vivia clandestinamente no Brasil cometeu múltiplos homicídios na Europa
A Polícia Civil fez uma descoberta surpreendente no caso do indivíduo fatalmente baleado na frente de sua esposa e filho, em Santos, no litoral de São Paulo. As investigações revelaram que, na verdade, o homem que se dizia esloveno, na verdade era sérvio e estava sendo procurado pela Interpol, a polícia internacional, suspeito de ser um assassino de aluguel.
A polícia Civil descobriu que homem executado na frente da esposa era sérvio procurado pela Interpol - Foto Reprodução/Polícia Civil
Uma chocante revelação abalou as autoridades policiais nesta semana, quando foi descoberto que um homem sérvio, que se fazia passar por esloveno e vivia clandestinamente no Brasil, é o principal suspeito de uma série de homicídios na Europa. A Polícia Civil está investigando se Darko Geisler, um sérvio que foi morto a tiros em Santos, no litoral de São Paulo, foi alvo de uma execução devido aos diversos homicídios que teria cometido no Leste Europeu. Geisler utilizava um nome falso, associado a um esloveno, e vivia clandestinamente no Brasil pelos últimos 9 anos. As autoridades estão em busca do responsável pela execução do estrangeiro.
Durante uma coletiva de imprensa, o delegado Luiz Ricardo Lara Dias Júnior, que atua como titular no 3° Distrito Policial (DP) de Santos, juntamente com o delegado seccional de Santos, Rubens Eduardo Barazal Teixeira, compartilhou que a prioridade inicial da Polícia Civil foi a identificação da vítima. Nesta fase subsequente, a ênfase está na busca por imagens que possam revelar a identidade do responsável pelo assassinato do cidadão sérvio Darko Geisler.
O crime ocorreu em Santos, no dia 5 de dezembro, enquanto Geisler retornava para casa de bicicleta com sua esposa e filho. O estrangeiro foi alvo de vários disparos e perdeu a vida na frente da esposa e do filho. As câmeras de monitoramento registraram o ocorrido, oferecendo importantes evidências para as investigações em curso.
Crimes do esloveno
Darko portava um passaporte com nacionalidade eslovena, o que levou a polícia a suspeitar que ele fosse natural do país. Durante as investigações, informações obtidas junto ao consulado esloveno confirmaram que o documento não pertencia a ele. A numeração revelou que o passaporte estava registrado em nome de um cidadão esloveno, perdido em 2017. O delegado destacou que, ao analisar visualmente o passaporte apresentado, não havia o carimbo de entrada no território nacional. Quando um estrangeiro adentra o solo brasileiro sem esse carimbo, isso significa a ausência de um registro pela Polícia Federal.
Realizando uma pesquisa reversa na internet utilizando a foto do suspeito, a Polícia Civil conseguiu identificar registros em Montenegro, país vizinho à Sérvia, relacionados a homicídios múltiplos, posse de arma e explosivos associados a ele. As autoridades de Montenegro forneceram à polícia brasileira uma impressão digital do suspeito, indicando que se tratava de um assassino contratado. Essa impressão digital coincidiu com a encontrada no corpo no bairro Embaré. Diante disso, a Polícia Civil concluiu que o indivíduo em questão era Darko Geisler, de nacionalidade sérvia.
"Nós podemos afirmar, com absoluta certeza, pautada numa prova técnica pericial, que esse múltiplo homicida investigado em Montenegro se trata da vítima de homicídio ocorrido aqui na cidade de Santos, na rua São José, no dia 5", informou Lara.
A última infração registrada atribuída a Darko foi o assassinato de um homem na entrada de uma prisão em Montenegro, ocorrido em 25 de dezembro de 2014. Após esse incidente, ele escapou para a Bósnia, onde, de acordo com o delegado, se transformou em uma figura quase invisível. As autoridades policiais suspeitam que ele tenha permanecido clandestinamente no Brasil ao longo dos últimos nove anos.
Profissão e família
Antes de a Polícia Civil revelar a verdadeira identidade do estrangeiro, a esposa de Darko afirmou não ter conhecimento do passado do marido. De acordo com as autoridades, o casal se encontrou entre 2015 e 2016, em São Paulo, e mudou-se para a Baixada Santista em 2017. Darko não possuía documentos brasileiros nem uma fonte de renda ativa; ele dependia dos recursos enviados pela família mensalmente, provenientes de um negócio que supostamente ele mantinha no leste europeu.
Um detalhe que chamou a atenção da polícia foi o fato de que o filho do casal, prestes a completar 4 anos, possui registro apenas com o sobrenome da mãe. A esposa de Darko já prestou depoimento, mas espera-se que ela seja convocada novamente para fornecer mais esclarecimentos, de acordo com a Polícia Civil.
Execução
De acordo com o delegado, há a possibilidade, dentre as diversas que ainda surgem durante a investigação policial, de que esse assassinato esteja vinculado à participação do sérvio em homicídios múltiplos ocorridos no leste europeu. Isso se fundamenta na informação da autoridade de Montenegro, que afirmou que Darko Geisler fazia parte de organizações criminosas com atuação não apenas em Montenegro, mas em toda a região leste europeia, especialmente como um assassino contratado para tal propósito.
Até agora, a certeza que se tem é que Darko é o assassino contratado sérvio procurado pela Interpol por vários homicídios. Não há, até o momento, dados sobre possíveis crimes cometidos por ele no Brasil, mas a polícia não exclui essa possibilidade. As informações obtidas até agora serão submetidas a uma análise mais rigorosa, agora contando com uma colaboração mais ampla da polícia sérvia.




























