Polícia prende suspeito de morte do ator Jeff Machado; 2° suspeito, amigo da vitima segue foragido
Na quinta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou a prisão temporária dos indivíduos suspeitos de serem responsáveis pela morte do ator. Segundo o inquérito eles conseguiram aproveitar o momento de intimidade para estrangulá-lo.
Ator Jeff Machado - Foto Reprodução/Instagram
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta sexta-feira (02), Jeander Vinícius da Silva Braga, sob a acusação de ser responsável pela morte do ator Jeff Machado, de 44 anos. O indivíduo, conhecido como garoto de programa, foi capturado em Santíssimo, na região oeste da cidade. Por outro lado, Bruno de Souza Rodrigues, amigo de Jeff, ainda está foragido e sendo procurado pelas autoridades. Os agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros realizaram buscas em quatro endereços na Zona Oeste, que eram associados aos dois suspeitos. Quando avistou os aguardados, Jeander tentou escapar, mas acabou sendo detido.
Mandado de prisão
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na quinta-feira (1° de junho) acatou os requerimentos de prisão temporária feitos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público contra Bruno de Souza Rodrigues, de 37 anos, e Jeander Vinícius da Silva Braga, de 29. Os dois suspeitos foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
A ordem de prisão dos suspeitos foi baseada em várias contradições encontradas nos depoimentos fornecidos à polícia sobre o momento do crime. Tanto eles alegam que Jeff foi assassinado em sua residência, em Guaratiba, e atribuem a autoria do crime a um indivíduo chamado Marcelo, que a polícia afirma ser fictício e é uma estratégia inventada pelos suspeitos.
Momento da prisão deJeander - Foto Reprodução / Record TV / TV Globo
Os suspeitos
Segundo as investigações, Bruno e Jeander tiveram como objetivo obter benefícios financeiros da vítima, como a venda do imóvel e do carro. Bruno, produtor artístico e amigo do ator, foi identificado como principal suspeito na morte do ator. Segundo os dados obtidos, Bruno alugou o imóvel onde o corpo foi encontrado e efetuou transações financeiras na conta de Jeff Machado após o registro do desaparecimento na delegacia.
Bruno de Souza Rodrigues, já sob suspeita no caso, foi encontrado em posse dos cartões bancários, chaves do carro e da casa do artista, de acordo com a família de Jeff. Além disso, Bruno foi responsável por relatar o desaparecimento do ator. Jeander Vinicius da Silva Braga, de acordo com as pessoas, manteve uma relação próxima com a vítima. Uma das vertentes da investigação indica que o ator foi ludibriado com a promessa de participar de uma novela.
No dia 29 de fevereiro, a polícia recebeu a fatura do cartão de crédito do ator, referente ao mesmo mês. A fatura apresenta atividades suspeitas ocorridas após o dia 23 de janeiro e nos dias posteriores, com os seguintes detalhes:
Primeira transação em 23/01/2023 no valor de R$ 22;
Segunda transação em 25/01/2023 no valor de R$ 680;
Terceira transação em 25/01/2023, dividida em duas parcelas de R$ 750 cada;
Quarta transacionada em 26/01/2023, dividida em três parcelas de R$ 1.063,34 cada.
O valor total dessas atividades suspeitas é de R$ 5.392,02.
"Achamos que essa fatura pode conter pistas que podem ajudar a polícia a identificar os envolvidos na morte do Jeff ou trazer outros elementos importantes para a investigação", disse na ocasião, Jairo Magalhães, advogado que representa a família do ator.
Crime
O ator Jeff Machado, de 44 anos, estava desaparecido desde janeiro. Na época, ele desempenhou o papel de um soldado filisteu na novela "Reis", transmitida pela emissora Record TV. Em 22 de maio, seu corpo foi descoberto enterrado em um baú, a dois metros de profundidade sob concreto, no quintal de uma residência em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Jeff estava com os braços amarrados acima da cabeça e apresentava lesões no pescoço. As investigações apontaram para a possibilidade de estrangulamento como causa da morte, porém, devido ao estágio avançado de paralisia, o laudo de necropsia não pôde fornecer uma definição exata.
Suspeitos e baú onde o corpo da vitima foi encontrado - Foto Reprodução / internet
Depoimento
No depoimento à polícia, os suspeitos admitiram sua participação na morte do ator, porém afirmaram apenas ter ocultado o corpo. Alegaram que outra pessoa foi responsável pelo assassinato, uma versão que foi descartada pela polícia, que tem certeza de que eles também mataram Jeff.
Ato sexual - Bruno afirmou ter gravado no segundo andar uma cena de intimidade envolvendo Jeff, Jeander e Marcelo, e depois desceu para o térreo. Jeander alegou não ter participado da referida cena.
Descoberta da morte - Bruno afirmou não ter presenciado o crime e relatou que Marcelo e Jeander desceram com Jeff já morto. Por sua vez, Jeander também negou ter presenciado o crime e contou que viu Jeff morto ao sair do banho, antes do ocorrido.
Ocultação do cadáver - Bruno afirmou que o cadáver de Jeff foi colocado no baú do ator após Jeander e Marcelo descerem as escadas. Jeander declarou ter sido coagido por Marcelo a esvaziar um baú no quarto de Jeff e colocar o corpo dentro, descendo as escadas com a caixa que supostamente continha o miliciano - e que Bruno testemunhou esse momento.
Saída do local do crime - Bruno afirmou que deixou o casebre enquanto Jeander continuou cavando. Jeander relatou que ele e Bruno partiram juntos após concluírem o buraco.
A polícia tem conhecimento de que foi um pedreiro quem concretou o chão. Jeander prestou um depoimento, enquanto Bruno prestou três: o primeiro ocorreu na 43ª Delegacia de Polícia (Sepetiba) em 5 de fevereiro, referente ao desaparecimento; o segundo foi na DDPA, como testemunha e amigo, no dia seguinte; e o terceiro foi uma carta enviada pelos advogados.
Defesa
Durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (1º), a equipe de defesa de Bruno Rodrigues expôs essa narrativa, afirmando que não possuía conhecimento sobre a possível rendição de seu cliente caso houvesse uma ordem de prisão. No entanto, ressaltaram que eles cooperaram com o investigado e, além disso, revelaram ter indicado o local onde o corpo do ator estava localizado.
































