Pix movimenta R$ 26,4 trilhões e se consolida como principal meio de pagamento no Brasil
Lançado pelo Banco Central em 2020, o Pix atingiu um marco histórico em 2024, firmando-se como o principal meio de pagamento no Brasil. Seu desempenho despertou interesse em países vizinhos, como México, Colômbia e Argentina, que já trabalham em sistemas inspirados no modelo brasileiro.

Jorge Iglesias, CEO da Topaz, afirma que, graças à participação de empresas de tecnologia, o Pix deixou de ser limitado - Foto Reprodução / Internet
Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix alcançou em 2024 a marca histórica de R$ 26,4 trilhões movimentados, consolidando-se como o principal meio de pagamento no Brasil. Apenas no último ano, foram realizadas 63,4 bilhões de operações, o que representa um crescimento de 54,6% em relação a 2023, quando o volume transacionado foi de R$ 17,1 trilhões. Desde sua implementação, o sistema já acumula mais de R$ 60 trilhões em movimentações, evidenciando sua relevância no cotidiano financeiro da população e seu papel estratégico na bancarização e na digitalização da economia nacional.
Segundo o Banco Central, no último ano o Pix registrou bilhões de transações, ultrapassando meios tradicionais como cartões de débito, crédito, DOCs e TEDs. Ainda conforme a instituição, em 2024 o sistema respondeu por 47% de todas as operações de pagamento não em espécie realizadas no país. Em termos financeiros, movimentou 21,8% do total, ficando atrás apenas da TED, que concentrou 37,3% do volume. O valor médio de cada transação pelo Pix foi de R$ 412, enquanto a TED apresentou um tíquete médio próximo de R$ 50 mil.
A adesão ao sistema tem sido expressiva, abrangendo tanto pessoas físicas quanto empresas de variados tamanhos, graças à praticidade, à agilidade e ao baixo custo das operações. De acordo com Jorge Iglesias, CEO da Topaz — empresa de tecnologia do grupo Stefanini e provedora licenciada pelo Banco Central para soluções financeiras digitais —, o êxito da ferramenta se deve à democratização do acesso.
“ Graças à atuação de empresas de tecnologia, o Pix não ficou restrito às grandes instituições. Ele se espalhou por todo o sistema financeiro, com eficiência e segurança”, afirma.
Em 2024, o número de usuários intensivos (“heavy users”) aumentou 38%, chegando a 65,4 milhões de brasileiros que realizam mais de 30 transações por mês. A maior parte desses usuários é composta por pessoas físicas, cujo total cresceu 40% ao longo do ano. Entre as empresas, o número de usuários ativos passou de 3,9 milhões para 4,7 milhões.
Inclusão Financeira e Novas Funcionalidades
Além de facilitar transferências entre indivíduos, o Pix se tornou ferramenta essencial para microempreendedores e pequenos negócios, que encontraram no sistema uma alternativa mais barata às tradicionais maquininhas de cartão. A tecnologia também impulsionou o acesso de milhões de brasileiros ao sistema financeiro, reduzindo barreiras de entrada para pessoas antes desbancarizadas.
Nos últimos anos, o Banco Central tem expandido as funcionalidades, com destaque para o Pix Saque e o Pix Troco, além da integração com serviços de parcelamento e uso em compras online. A expectativa é de que, com o Pix Automático, previsto para entrar em operação em 2025, a adesão seja ainda maior, permitindo o pagamento recorrente de contas e assinaturas de forma automática. O Banco Central do Brasil está desenvolvendo o Pix Internacional, que permitirá transferências instantâneas entre países.
A expectativa é que as taxas fiquem entre 2% e 3% do valor da transação, tornando-se uma alternativa mais competitiva que os cartões de crédito. O novo sistema deve estimular remessas e o comércio exterior. Além disso, outras inovações estão em andamento: o Pix Garantido, voltado a operações de crédito e com potencial para substituir parte das transações com cartões, e o Pix Automático, que possibilitará pagamentos recorrentes sem necessidade
O Futuro do Sistema
Com números cada vez mais expressivos, o Pix não apenas revolucionou a forma como os brasileiros lidam com o dinheiro, mas também se consolidou como referência internacional. Diversos países têm analisado o modelo brasileiro para implementar soluções semelhantes em seus próprios sistemas financeiros. O desempenho do Brasil chamou atenção de nações vizinhas: México, Colômbia e Argentina já desenvolveram plataformas inspiradas no Pix, ainda que com resultados mais modestos. No México, o CoDi conta com 13,9 milhões de contas validadas, mas menos de 1 milhão está ativo em pagamentos. Na Colômbia, o Bre-B possui 16 milhões de chaves cadastradas e 7 milhões de usuários, enquanto na Argentina o Transferencias 3.0 registrou 600 milhões de operações em 2023.

























