PIB do Brasil cresce 0,8% no 1° trimestre de 2024 impulsionado pelo comércio, aponta IBGE
Atualizado: 5 de jun. de 2024
No primeiro trimestre de 2024, o PIB brasileiro registrou um crescimento de 2,5%, totalizando R$ 2,7 trilhões em termos de soma dos bens e serviços finais produzidos.
A economia brasileira cresceu 2,7% no primeiro trimestre de 2024 - Foto Reprodução/Internet
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 0,8% no primeiro trimestre de 2024, em comparação com o trimestre anterior, segundo o levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (4). Esse resultado positivo é atribuído, principalmente, ao desempenho robusto do setor de comércio, que se destacou como o principal motor da economia no período. Em valores atuais, a economia brasileira totalizou R$ 2,7 trilhões entre janeiro e março.
O principal impulsionador desse crescimento foi o setor de serviços, que registrou um aumento de 1,4% nesse período. A agropecuária também teve um crescimento positivo, com uma variação de 11,3%. Por outro lado, a indústria apresentou uma pequena queda de 0,1%. O setor de serviços apresentou destaque no trimestre, com um crescimento de 3% no Comércio, 2,1% em Informação e Comunicação e 1,6% em Outras atividades de serviços.
Esses resultados estão de acordo com as expectativas do mercado financeiro. No primeiro trimestre de 2023, a economia brasileira cresceu 2,5%, impulsionada pelo setor de serviços. Em todo o ano de 2023, o PIB cresceu 2,9%, totalizando R$ 10,9 trilhões em termos nominais, o que coloca o Brasil novamente entre as 10 maiores economias do mundo.
O Motor do Crescimento
De acordo com Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a economia do primeiro trimestre teve seu crescimento totalmente baseado na demanda interna. No que diz respeito à composição do PIB, Rebeca destaca algumas atividades. Ela menciona o comércio varejista e os serviços pessoais como áreas que se destacaram devido ao aumento do consumo das famílias. Além disso, a atividade de internet e desenvolvimento de sistemas teve um crescimento significativo devido aos investimentos, assim como os serviços profissionais, que impactam a economia como um todo.
A especialista comenta que o consumo das famílias está em crescimento devido à melhora no mercado de trabalho brasileiro, às quedas na taxa básica de juros (Selic), à inflação mais baixa, à continuidade dos programas governamentais de auxílio às famílias e à redução da inadimplência após a implementação do programa de renegociação de dívidas do Governo Federal chamado Desenrola.
Contribuição de outros setores
Por outro lado, Rebeca explica que houve uma alteração na contribuição do setor externo para o crescimento econômico nos primeiros meses deste ano em comparação com anos anteriores. Ela ressalta que, devido às importações (6,5%) serem significativamente maiores do que as exportações (0,2%), o setor externo está de fato diminuindo o PIB. Isso ocorre porque, com o dólar mais barato, tornou-se mais fácil importar, especialmente com os investimentos em bens de capital, enquanto a demanda por principais commodities exportadas pelo Brasil tem sido menor em nível global.
Em 2022 e 2023, o setor externo havia contribuído positivamente, com as exportações crescendo mais do que as importações. Nesse primeiro trimestre essa contribuição virou negativa. Estamos importando muitas máquinas e equipamentos e bens intermediários e o Real se valorizou", afirmou a coordenadora.
Agricultura
A agricultura, tradicionalmente um pilar da economia brasileira, mostrou um menor desempenho. Embora tenha registrado crescimento no primeiro trimestre, a agropecuária não está indo tão bem quanto nos anos anteriores, o que tem impactado negativamente as exportações. No período, a taxa de investimento no Brasil correspondeu a 16,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente inferior aos 17,1% registrados no mesmo período do ano passado. Além disso, a taxa de poupança também apresentou uma queda, passando de 17,5% no primeiro trimestre de 2023 para 16,2% atualmente.
Perspectivas econômicas em valores correntes
No primeiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) alcançou R$ 2,7 trilhões, sendo R$ 2,4 trilhões provenientes do Valor Adicionado a preços básicos e R$ 361,1 bilhões referentes aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios, conforme explicação do IBGE. Do total, mais da metade da ótica da oferta é proveniente do setor de serviços, com R$ 1,6 trilhão. A indústria contribuiu com R$ 573,7 bilhões para o PIB do primeiro trimestre, enquanto a agropecuária totalizou R$ 192,2 bilhões. Em relação à ótica da demanda, o consumo das famílias atingiu R$ 1,8 trilhão, o consumo do governo foi de R$ 442,8 bilhões, e a Formação Bruta de Capital Fixo (FCBF) alcançou R$ 458,8 bilhões.


























