PF investiga suposta fraude em certificado de vacinação de Bolsonaro emitido pelo ConecteSUS
Segundo relatório PF, o certificado de vacinação de filha do ex-presidente foi emitido horas antes exclusão do sistema do Ministério da Saúde. Bolsonaro nega adulteração.
Foto Reprodução / Internet
A Polícia Federal (PF), está investigando uma suposta fraude em relação ao certificado de vacinação contra a Covid-19 do presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou na tarde desta quarta-feira (03), após a deflagração da operação que levou a prisão do seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que os cartões que atestando a vacina contra a doença foram emitidos pelo usuário do ex-presidente no aplicativo ConecteSUS. Segundo a PF, um dos documentos foi emitido um dia após a inserção de dados no sistema.
Já a outra caderneta de vacinação foi emitida pela conta da filha caçula de Bolsonaro no aplicativo, no dia 27 de dezembro, em inglês. No dia seguinte, ela embarcou para os Estados Unidos, dois dias após o próprio ex-presidente. Essas informações compõem um relatório da PF, usado como base na investigação que apura a suspeita de falsificação dos dados da vacinação de Bolsonaro e sua filha de 12 anos, além de ex-assessores. O ex-presidente nega ter participado de fraudes e afirma que não foi vacinado contra Covid.
A investigação revelou que em 21 de dezembro do ano passado, foram inseridas informações sobre a aplicação de duas doses da vacina da Pfizer contra Covid-19 no ex-presidente, mas no dia 27 de dezembro, às 20h59 no horário de Brasília, os dados foram excluídos do sistema de saúde brasileiro, pela servidora Claudia Helena Acosta Rodrigues Da Silva, sob alegação de "um erro". O documento da PF, diz que ao todo, houve a emissão de quatro certificados de vacinação, todos através do usuário associado a Bolsonaro. Dois deles, lançados antes da exclusão das informações falsas, mencionando duas doses do imunizante da Pfizer. O primeiro é do dia 22 de dezembro de 2022, emitido às 8h e o outro, no dia 27 de dezembro de 2022, às 14h19.

Certificados de vacinação emitidos pela conta de Bolsonaro no ConecteSUS — Foto Reprodução / PF
Os outros cartões de vacina foram expedidos depois da exclusão das informações. Neles já não havia os dados sobre doses da Pfizer, somente do imunizante da Janssen, que teria sido aplicada em 2021. Em 30 de dezembro de 2022, às 12h02 foi emitido o primeiro e às 8h15 do dia 14 de março de 2023 o outro. O documento da PF, adverte que a conta de Bolsonaro no ConecteSUS foi acessada nos dias 22 e 27 de dezembro usando conexão do Palácio do Planalto e no dia 30 do mesmo mês o acesso foi realizado pelo celular de Mauro Cid, na época considerado braço direito do ex-presidente.

Certificados de vacinação emitidos pela conta de Bolsonaro no ConecteSUS — Foto Reprodução / PF
A PF também informou que até o dia 22 de dezembro, o usuário do ex-presidente no sistema do Ministério da Saúde encontrava-se vinculado a um e-mail de Mauro Cid, porém, depois que os comprovantes de vacinação foram emitidos, a conta foi associada ao e-mail de outro assessor do ex-presidente, Marcelo Costa Câmara.
"A alteração cadastral pode ser atribuída ao fato de que Mauro Cesar Cid deixaria de assessorar o ex-Presidente Jair Bolsonaro a partir de 01 de janeiro de 2023, passando tal função a ser exercida por outras pessoas, dentre elas, Marcelo Câmara, que inclusive viajou para a cidade de Orlando em três oportunidades para acompanhar Jair Bolsonaro", afirma o documento elaborado pela PF.
As evidências indicam que as cadernetas de vacina foram emitidas por pessoas próximas ao ex-presidente brasileiro, mas não há indícios de uso indevido do usuário do ex-mandatário, por pessoas não autorizadas. Segundo os agentes federais, a investigação aponta que Bolsonaro e seus assessores "tinham plena ciência da inserção fraudulenta dos dados de vacinação, se mantendo inertes em relação a tais fatos até o presente momento".


























