PF descobre minuta de operação de GLO e menção a estado de defesa no celular de Mauro Cid
O recente conjunto de evidências apresenta documentos que supostamente ofereceriam "respaldo jurídico e legal para a realização de um golpe de Estado".
Foto Reprodução / Dida Sampaio/Estadão
A análise realizada no celular confiscado do coronel Mauro Cid, braço direito do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou uma grande quantidade de mensagens, áudios e até mesmo trocas de documentos que abordavam planos golpistas com o objetivo de manter Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições do ano passado.
Mensagens
De acordo com fontes que estão acompanhando o caso, foram identificadas algumas informações relevantes. Uma delas é a existência de um rascunho para a decretação da GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que confere ao presidente da República o poder exclusivo de convocar as Forças Armadas para realizar operações militares em situações graves de perturbação da ordem. Além disso, também foram detectadas negociações em andamento para a decretação do Estado de Defesa.
A Garantia da Lei e da Ordem (GLO) é uma medida estabelecida na Constituição do Brasil que possibilita a utilização das Forças Armadas com o propósito de auxiliar nas questões de segurança pública diante de situações de séria perturbação da ordem.
Segundo as investigações da Polícia Federal, mensagens descobertas revelam que o círculo próximo de Bolsonaro estava conduzindo estudos sobre a possibilidade de um golpe de Estado, além da existência de uma minuta. A corporação não fornece informações específicas sobre como esse documento poderia levar a uma ruptura institucional. A divulgação dessa informação ocorreu inicialmente no jornal O Globo, nesta quarta-feira (07).
Investigações
Ainda de acordo com as investigações, há uma evidência sólida de que Mauro Cid teve uma participação ativa em planos golpistas após as eleições. A perícia do celular identificou vários interlocutores dele que agora estão sendo alvo das investigações da Polícia Federal. Alguns nomes estão sendo mantidos em sigilo absoluto devido aos cargos importantes que ocupavam no governo anterior. O inquérito está progredindo nessa direção.
Na mesma operação da PF que resultou na prisão de Cid no início de maio, outros indivíduos estão sendo convocados para depor e alguns até mesmo foram detidos. O ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros e o sargento Luis Marcos dos Reis, que faziam parte da equipe de Mauro Cid, foram pegos envolvidos nas tramas de um golpe. O sargento, que também está sob custódia, está programado para prestar depoimento na tarde desta quarta-feira na sede da Polícia Federal em Brasília.
Evidências
Cid apresentou-se na terça-feira (06), na sede da Polícia Federal em Brasília para prestar depoimento em relação a um novo conjunto de evidências. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu permissão para que Cid fosse interrogado novamente, alegando que o ex-ajudante de ordens "reuniu documentos com o propósito de obter respaldo jurídico e legal para a realização de um golpe de Estado". Conforme mencionado na ordem emitida pelo ministro, os materiais encontrados tratam "da possibilidade de utilizar as Forças Armadas de forma excepcional para garantir o funcionamento independente e harmonioso dos poderes da União".
Durante a oitiva, que contou com a presença da subprocuradora da República Lindora Araújo, Cid optou por exercer seu direito de permanecer em silêncio, recusando-se a falar. A Polícia Federal buscava, por meio desse depoimento, identificar o responsável pela elaboração desses estudos e esclarecer para quem eles estavam sendo compilados. No entanto, até o presente momento, não há qualquer indício de que o material tenha sido enviado a Bolsonaro através de um celular.


























