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Oropouche: O vírus é uma nova ameaça de microcefalia para a população mundial?

11 de ago. de 2024
4 min de leitura

A doença é transmitida por mosquito e apresenta sintomas semelhantes aos da dengue. O Brasil foi o primeiro país a registrar mortes relacionadas a essa condição.


Transmissão de mãe para filho no Brasil, foi confirmada após morte de feto - Foto Reprodução / Conselho Federal de Farmácia





Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado uma crescente preocupação com a possibilidade de um novo surto de microcefalia associado ao vírus Oropouche. O vírus, transmitido principalmente por mosquitos, é conhecido por causar sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como febre e dores no corpo, mas o seu impacto potencial sobre a saúde pública pode ser mais severo do que se pensava anteriormente. Quase uma década após o aumento significativo de casos de microcefalia no Brasil devido ao vírus Zika, especialistas estão preocupados com a possibilidade de que a febre oropouche possa levar a um novo aumento nos casos de malformações em bebês.


O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) emitiu um alerta na última sexta-feira (9) sobre a febre oropouche, que chegou à Europa e à Itália após seu foco inicial na América do Sul. O documento publicado pelo ECDC enfatiza a importância de os residentes de áreas de risco adotarem medidas individuais de proteção. Na América Latina, os casos da doença ultrapassaram oito mil, com o Brasil liderando em número de infectados. Há também ocorrências na Bolívia, Colômbia, Peru e Cuba. Entre junho e julho, foram registrados 19 casos na Europa, sendo 12 na Espanha, cinco na Itália e dois na Alemanha.


O que é o Vírus Oropouche?


O vírus Oropouche é um arbovírus do gênero Orthobunyavirus Oropoucheense (Orov). Seu nome origina-se da comunidade de Vega de Oropouche, no Panamá, América Central, onde foi isolado pela primeira vez na década de 1950. No Brasil, a febre do Oropouche foi identificada pela primeira vez em 1960, a partir de amostras de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília, na região amazônica. Desde então, foram registrados outros casos, especialmente na região Norte do país. Embora o vírus seja conhecido há várias décadas, seu potencial para causar surtos significativos tem despertado nova atenção devido a recentes estudos e casos.


Como o Oropouche se Transmite?


A principal forma de contágio da febre Oropouche em humanos é pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. No entanto, a transmissão também pode ocorrer por contato direto com secreções de pessoas infectadas. A proliferação desses mosquitos em áreas urbanas e rurais aumenta o risco de transmissão, especialmente em locais com infraestrutura de saneamento deficiente. Assim como o Aedes aegypti, o Culicoides paraensis se reproduz em águas paradas, o que faz com que os casos tendam a aumentar durante períodos chuvosos e de altas temperaturas. Além dos seres humanos, animais silvestres, como macacos e aves, também podem ser infectados pelo vírus.


Impacto na Microcefalia


A microcefalia, uma condição em que o cérebro do bebê não se desenvolve adequadamente, resultando em uma cabeça anormalmente pequena, foi amplamente associada ao vírus Zika durante o surto de 2015-2016. Com a crescente preocupação sobre o Oropouche, surge a questão: poderia esse vírus também ser um fator contribuinte para novos casos de microcefalia?


Pesquisas iniciais indicam que o Oropouche pode ter efeitos neurológicos similares aos do Zika, embora os estudos sobre a relação direta entre o vírus Oropouche e a microcefalia ainda estejam em estágios preliminares. Especialistas ressaltam que a falta de dados conclusivos não deve subestimar a necessidade de monitoramento rigoroso e pesquisa contínua. A suspeita de transmissão vertical (de mãe para filho) do vírus oropouche levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um alerta epidemiológico, recomendando ao Brasil que intensifique a vigilância da doença.


O país concentra 90,9% dos 8.010 casos diagnosticados no continente. Neste ano, as notificações aumentaram em 776% em comparação com 2023. Enquanto no ano passado foram registrados 831 casos, em 2024 já foram confirmados 7.200, de acordo com o Ministério da Saúde. O vírus oropouche foi identificado em pacientes de 20 estados, com duas mortes confirmadas e uma ainda em investigação.


Na última quinta-feira (8), o Ministério da Saúde confirmou o caso de um bebê nascido no Acre com anomalias congênitas associadas à transmissão vertical do vírus oropouche (de mãe para filho). O bebê faleceu após 47 dias de vida. Exames realizados pós-parto revelaram que a mãe, de 33 anos, contraiu o vírus oropouche; ela havia apresentado sintomas da doença durante o segundo mês de gestação. Além disso, o Ministério da Saúde confirmou um caso de aborto espontâneo causado pela infecção do vírus e está investigando outras oito suspeitas de malformação e óbito fetal entre bebês cujas mães foram diagnosticadas com a enfermidade.


Avanços em estudos


As incertezas em torno do vírus oropouche reforçam o alerta dos especialistas sobre os riscos de sua disseminação. Os especialistas destacam que casos fatais e distúrbios neurológicos em crianças são novos e preocupantes. É fundamental investigar se o vírus pode ter sofrido mutações que o tornem mais virulento ou se pode ser transmitido por outros vetores além do mosquito-pólvora, como o Aedes aegypti. Ao contrário do zika vírus, transmitido pelo mosquito comum nas cidades, o oropouche é veiculado pelo mosquito-pólvora, que possui hábitos silvestres. No entanto, o desmatamento e o aquecimento global podem alterar o comportamento desse vetor, aumentando o contato entre o inseto e os seres humanos.

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