O poder dos jogos de computador: Como eles influenciam o gasto de dinheiro das crianças
Atualizado: 24 de mai. de 2023
Apesar do aumento nos gastos com jogos, há defensores da ideia de que eles ainda podem trazer benefícios aos jovens e que os temores são exagerados. Porém, por outro lado, há aqueles que recomendam que os pais estabeleçam limites claros para os gastos em jogos.
Foto Reprodução / Internet
Os jogos, especialmente os de computador e celulares sempre foram uma forma popular de entretenimento, especialmente entre as crianças. E nos últimos anos, com a popularização dos jogos online e dos jogos que utilizam microtransações, eles se tornaram mais do que apenas um passatempo. Eles podem influenciar diretamente no gasto de dinheiro das crianças.
As microtransações
Os jogos online, principalmente os jogos computador e celular, são conhecidos por utilizar os chamados microtransações, que são compras dentro do jogo. Normalmente, essas compras envolvem a compra de itens virtuais que podem melhorar o desempenho do jogador ou fornecer vantagens no jogo. Muitas crianças e adolescentes amam esses jogos e muitas vezes acabam gastando dinheiro nessas compras. O problema está no fato de que essas compras podem rapidamente se tornar viciantes e levar ao endividamento. É previsto que o mercado global de microtransações online cresça de US$ 67,94 bilhões em 2022 para US$ 76,66 bilhões em 2023 (cerca de R$ 330 bilhões em 2022 para R$ 370 bilhões em 2023).
O que diz os especialistas?
Pesquisas mostram que muitos jogadores, em especial as crianças, têm dificuldade em controlar seus gastos dentro do jogo e acabam gastando mais dinheiro do que podem ou deveriam. Eles também podem ficar obcecados em adquirir todos os itens do jogo, o que pode levar a gastos cada vez maiores. No entanto, essa tendência está gerando reações por parte de alguns especialistas e consumidores. Algumas empresas têm se comprometido a lançar novos jogos sem a inclusão de compras durante a experiência de jogo.
Sarah Mills, professora de geografia humana da Universidade de Loughborough (Reino Unido), revelou à agência de notícias BBC os resultados de sua pesquisa, demonstrando que as estratégias de jogos de azar têm o efeito de prolongar o tempo de jogo dos jogadores, aumentar seus gastos financeiros e incentivar compras repetidas. Vicki Shotbolt, a CEO da Parent Zone, uma organização dedicada a auxiliar os pais no manejo da vida digital de seus filhos, descreve diversas estratégias empregadas pelos jogos para incentivar compras.
Em primeiro lugar, ao gastar, os jogadores têm a oportunidade de "escapar da rotina": realizar uma compra no jogo evita a necessidade de dedicar horas a um jogo monótono apenas para progredir de nível. A abordagem por trás disso recebeu o nome de "diversão dolorosa", também conhecida como fun pain: existe a possibilidade de perder algo significativo ou mais prazeroso caso você decida não efetuar uma compra. Enquanto isso, estratégias de dissimulação, como as moedas virtuais do jogo, dificultam a visualização do valor real que está sendo gasto.
Outra estratégia envolve o emprego de loot boxes ("caixas de recompensa"): os jogadores adquirem uma caixa sem conhecimento do seu conteúdo. No seu interior, pode haver um item que traz benefícios significativos para o jogo; contudo, na maioria das ocasiões, o prêmio consiste apenas em uma personalização sem relevância. Segundo Mills, "os jovens sentem vergonha ao refletir sobre a quantia que investiram na busca por um item raro, mesmo que tenham obtido sucesso nessa empreitada."
Embora os gastos tenham aumentado, há quem defenda que os jogos ainda possam trazer benefícios aos jovens e que os receios sejam exagerados. Por outro lado, alguns especialistas recomendam que os pais estabeleçam limites claros para os gastos em jogos de computador e celulares, e que monitorem de perto as compras que seus filhos fazem. Além disso, é importante que os pais eduquem seus filhos sobre finanças pessoais, ajudando-os a entender o valor do dinheiro e a importância do controle de gastos.
Estudos anteriores demonstraram que os jogos de computador e celulares podem, em certa medida, ser uma fonte de entretenimento divertida e promover o desenvolvimento de habilidades cognitivas para crianças, além de terem o potencial de aliviar o estresse e combater a solidão quando adultos. Mas vale ressaltar que eles podem ter impactos negativos quando se trata de gastos excessivos.
Controle e proteção
Proteger seu filho adolescente e sua conta bancária pode ser um desafio para os pais, pois acompanhar e-mails, senhas e cartões de pagamento registrados em várias plataformas e dispositivos pode ser difícil. No entanto, existem medidas que podem ser tomadas para garantir essa proteção. É possível utilizar contas específicas para crianças e ferramentas de controle parental a fim de desativar compras ou estabelecer um limite de gastos. Os responsáveis têm a opção de configurar notificações por e-mail para receber alertas sobre compras e utilizar cartões-presente em vez de cartões de crédito.




























