O Brics anuncia expansão e convida seis nações para se juntarem ao bloco em 2024
A partir de 1º de janeiro de 2024, seis novos países se juntarão ao grupo de membros do Brics. O anúncio foi realizado durante o encerramento do encontro da cúpula realizado na África do Sul.
Chefes de estados de países pertencentes ao bloco - Foto Reprodução/ Internet
O BRICS, um bloco econômico que reúne algumas das maiores economias emergentes do mundo, revelou nesta quinta-feira (24) a intenção de expansão de países membros do bloco. O anúncio de que seis nações foram convidadas a aderir ao grupo em 2024 foi feito pelo presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em uma entrevista coletiva na cidade de Joanesburgo, anfitriã do encontro da 15ª cúpula do bloco.
O objetivo principal é consolidar sua influência global e promover a colaboração econômica entre seus membros e agora entre os tecnicamente novos membros permanentes Argentina, Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. No entanto, antes de serem aceitos no grupo, essas nações deverão cumprir determinadas condições para se juntarem ao bloco.
“Decidimos convidar Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes para se tornarem membros permanentes do Brics. A nova composição passará a valer a partir de 1º de janeiro de 2024”, disse Ramaphosa e acrescentou, “Valorizamos o interesse de outros países em construir uma parceria com o Brics.”
O único líder ausente entre os membros do BRICS foi o presidente russo, Vladimir Putin, que foi representado na cúpula pelo chanceler Serguei Lavrov. O líder do Kremlin, atualmente possui um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) devido a acusações de crimes de guerra na Ucrânia, conforme estipulado no Estatuto de Roma, um tratado internacional que criou o tribunal. Como a África do Sul é um signatário do TPI, também conhecido como Tribunal de Haia, o país teria a capacidade legal de prender Vladimir Putin, caso ele decidisse visitar a nação africana.
Um olhar sobre o BRICS
O BRICS, acrônimo formado pelas iniciais dos cinco países-membros, com as melhores taxas de crescimento econômico em escala mundial e tem sido um ator importante no cenário global desde sua criação em 2009. Os membros do BRICS representam mais de 40% da população mundial e aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto global. O bloco tem desempenhado um papel significativo em questões econômicas, políticas e sociais, oferecendo uma voz coletiva em questões como comércio internacional, mudanças climáticas e governança global.
A expansão do BRICS
O debate principal das reuniões em Joanesburgo foi a expansão do bloco, com a oficialização da adesão de novos membros sendo estabelecida na Declaração de Joanesburgo, um documento que foi acordado entre os membros atuais do Brics. O encontro da cúpula termina nesta quinta. A ministra das Relações Exteriores da África do Sul, Naledi Pandorm, já havia adiantado na quarta-feira (23) que os líderes dos países chegaram a um consenso sobre a adoção de diretrizes para a expansão do Brics. No mesmo dia, os cinco chefes de Estado do grupo manifestaram o seu apoio à ideia de ampliar sua composição.
O presidente brasileiro, Lula, já tinha expressado publicamente seu apoio à inclusão de “diversos países”, compartilhando com membros do governo brasileiro, de incluir a Argentina no bloco.
“O Brics continuará aberto a novos candidatos”, afirmou Lula em declaração à imprensa ao lado de Ramaphosa e dos demais líderes. Os atuais países do bloco anunciaram a definição de critérios para a futura entrada de novas nações.
Países convidados
A lista de novos membros do Brics abrange nações provenientes de três continentes diferentes: Ásia, África e América do Sul, cada uma com sistemas e regimes de governo diversos, que vão desde o presidencialismo argentino até a monarquia absolutista presente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes.
Do ponto de vista econômico, o Brics deve receber a adesão do maior exportador de petróleo bruto do mundo, a Arábia Saudita, e do país detentor da maior reserva de gás natural do planeta, o Irã. Ao mesmo tempo, a Argentina, que enfrenta desafios como o aumento da dívida externa e uma inflação descontrolada, também está prevista para se juntar ao grupo.
Outros acordos
Também foi estabelecido que os bancos centrais, bem como os ministérios da Fazenda e da Economia de cada nação, assumissem a responsabilidade de estudos de condução sobre a possível adoção de uma moeda de referência para facilitar as transações internacionais dentro do bloco. O brasileiro destacou que essa medida poderá ampliar as alternativas de pagamento e, ao mesmo tempo, reduzir as vulnerabilidades econômicas.
Outro compromisso firmado pelo grupo é a obrigação na busca por uma reforma na governança global, com foco especial na reformulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.




























