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Novo avanço científico: O aparelho de ressonância mais potente do mundo revela imagens inéditas e surpreendentes do cérebro humano

3 de abr. de 2024
3 min de leitura

O aparelho de ressonância magnética marca um avanço substancial na área da neurociência, fornecendo informações cruciais sobre a complexidade e o funcionamento do órgão central do corpo humano.


Visão axial do cérebro, sob o mesmo tempo de aquisição, mas com diferentes intensidades de campo magnético - Foto Reprodução/Comissão de Energia Atômica da França (CEA)




O avanço da tecnologia tem permitido que os cientistas mergulhem cada vez mais fundo nos mistérios do cérebro humano. A Comissão de Energia Atômica da França (CEA) divulgou na terça-feira (02), revelou as primeiras imagens do cérebro humano obtidas pelo mais poderoso aparelho de ressonância magnética do mundo. Este avançado scanner é capaz de fornecer imagens inéditas e impressionantes da estrutura cerebral. Segundo os responsáveis pelo projeto, o dispositivo alcançou um nível de precisão sem precedentes, o que pode ser crucial para a detecção de doenças.


Localizado em um laboratório de ponta, o novo aparelho de ressonância magnética oferece uma resolução sem precedentes, permitindo aos cientistas visualizar detalhes microscópicos do cérebro com uma clareza sem igual. Essa conquista representa um salto significativo no campo da neurociência, oferecendo insights cruciais sobre a complexidade e a funcionalidade do órgão central do corpo humano.


Equipamento


A máquina está instalada em um laboratório em Saclay, uma cidade ao sul de Paris. Sua primeira utilização ocorreu em 2021, quando os pesquisadores realizaram a digitalização de uma abóbora. No entanto, apenas recentemente, as autoridades de saúde deram autorização para o uso dessa tecnologia em seres humanos. Nos últimos meses, cerca de 20 voluntários saudáveis se ofereceram para submeter seus cérebros à digitalização. Segundo Alexandre Vignaud, um dos físicos envolvidos no projeto, foi alcançado um nível de precisão sem precedentes no CEA.


Segundo descrito pelo físico, o campo magnético gerado pelo scanner atinge a intensidade de 11,7 teslas. Essa magnitude habilita a máquina a capturar imagens com uma precisão dez vezes superior àquelas obtidas pelos equipamentos convencionais empregados em ambientes hospitalares, os quais geralmente operam com potências não excedentes a três teslas. Em uma análise comparativa realizada por Vignaud em uma tela de computador, foram confrontadas imagens obtidas pelo potente scanner, apelidado de Iseult, com imagens provenientes de uma ressonância magnética convencional.


O físico também destacou que por meio deste equipamento foi viável visualizar minúsculos vasos sanguíneos que irrigam o córtex cerebral, bem como detalhes cerebrais que anteriormente eram praticamente imperceptíveis.


Estrutura da Máquina


O dispositivo é constituído por um cilindro de cinco metros de largura e altura. No interior deste cilindro encontra-se um ímã de 132 toneladas, alimentado por uma bobina de 1.500 amperes. A entrada para o paciente tem 90 centímetros de largura. Esta máquina é o fruto de duas décadas de pesquisa resultante de uma colaboração entre engenheiros franceses e alemães. Embora os Estados Unidos e a Coreia do Sul estejam a desenvolver máquinas de ressonância magnética de igual potência, ainda não começaram a realizar exames de imagem em humanos. Um dos principais objetivos deste projeto é aprofundar a compreensão da anatomia cerebral e identificar as áreas que se ativam durante diferentes tarefas.


Os cientistas já utilizaram scanners de ressonância magnética para demonstrar que quando o cérebro reconhece elementos específicos, como rostos, locais ou palavras, duas regiões do córtex cerebral são ativadas. A potência de 11,7 teslas ajudará o Iseult a "aumentar a nossa compreensão sobre a relação entre a estrutura cerebral e as funções cognitivas, por exemplo, durante a leitura de um livro ou a realização de cálculos mentais", afirmou Nicolas Boulant, diretor científico do projeto.


O Que Se Espera?


Os cientistas têm grandes expectativas em relação à capacidade do scanner para auxiliar na investigação de doenças neurodegenerativas, como Parkinson ou Alzheimer, e de problemas psicológicos, como depressão ou esquizofrenia. Por exemplo, há conhecimento de que uma área específica do cérebro, o hipocampo, desempenha um papel crucial na doença de Alzheimer. Anne-Isabelle Etienvre, pesquisadora do CEA, expressou otimismo quanto à compreensão aprofundada do funcionamento das células no córtex cerebral.


Os cientistas também têm a intenção de mapear a distribuição de certos medicamentos, como o lítio, utilizado no tratamento do transtorno bipolar, dentro do cérebro. O poderoso campo magnético gerado pela ressonância magnética poderá auxiliar na identificação das áreas cerebrais afetadas pelo lítio. Essa ferramenta promissora tem o potencial de ajudar na identificação dos pacientes que responderão de forma mais eficaz ou menos eficaz ao medicamento. Etienvre ressaltou que uma melhor compreensão dessas doenças altamente debilitantes poderá resultar em diagnósticos mais precoces e, consequentemente, em tratamentos mais eficazes.


O Iseult ainda não deve ser empregado em pacientes comuns nos anos seguintes. Isso se deve ao fato de que, conforme explicado por Boulant, o dispositivo não é concebido para ser uma ferramenta de diagnóstico clínico. No entanto, esperamos que os insights obtidos possam ser aplicados em contextos hospitalares. Um novo conjunto de voluntários será recrutado nos meses vindouros para a realização de exames cerebrais.


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