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Nova variante da Covid causa preocupação entre cientistas após detecção em diversos países

18 de ago. de 2023
3 min de leitura

Não está claro se a variante BA.2.86 resulta em doenças mais graves ou se irá prevalecer como a forma predominante do vírus. No entanto, a identificação dessa variante em diversos países tem deixado os cientistas em estado de alerta.

A Organização Mundial da Saúde anunciou que colocou sob monitoramento a recém descoberta variante BA.2.86 - Foto Reprodução/Internet




Uma recente variante do Covid está gerando inquietação no meio científico devido à sua significativa quantidade de mutações. Essa nova cepa foi identificada em Londres e é conhecida como BA.2.86. Sua detecção se deu por meio de análises genéticas, embora apenas algumas sequências tenham sido oficialmente comunicadas até o momento.


O primeiro caso foi identificado em Israel, sendo que posteriormente essa variante também foi encontrada na Dinamarca e nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira (18), a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) anunciou a detecção dessa variante no país.


Descoberta


Meera Chand, vice-diretora da UKHSA, confirmou que foi detectado um caso da nova cepa no Reino Unido e que uma agência de saúde está conduzindo uma análise mais detalhada sobre a descoberta. Segundo uma avaliação de risco divulgada nesta sexta-feira pela UKHSA, o caso registrado no Reino Unido não apresentou histórico recente de viagens. Isso sugere uma transmissão internacional já estabelecida e um nível de disseminação comunitária no país. Mais detalhes sobre a situação de transmissão no Reino Unido serão divulgadas nas próximas semanas.


Chand afirmou que a correspondência entre sequências genéticas em diferentes países sugeria um surgimento relativamente recente e um crescimento acelerado na circulação da variante. No entanto, isso ainda é considerado uma análise preliminar devido à quantidade limitada de sequências disponíveis. A agência informou que, no momento, não existem dados adequados para avaliar a gravidade relativa ou o nível de evasão imunológica do BA.2.86 em comparação com outras variantes em circulação.


Monitoramento


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na quinta-feira (17), a inclusão da nova variante BA.2.86 do vírus da Covid-19 em seu sistema de monitoramento, devido à detecção de um número considerável de risco. Durante a abertura da reunião dos ministros da saúde dos países do G20, as 20 maiores economias mundiais, realizada nesta sexta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou a importância de que todos os países continuem atentos à evolução do vírus.


Além disso, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também anunciaram que estão acompanhando de perto essa variante, após a sua detecção no estado de Michigan.


Nova Cepa


Há perguntas pendentes quanto à gravidade da variante, e não está claro se ela se tornará a forma dominante do vírus. Suas alterações genéticas quantitativas incluem mais de 30 exames na proteína spike em comparação com a variante atualmente predominante. Além disso, sua detecção em diversos países deixou os cientistas em estado de alerta.


O professor François Balloux, que lidera o UCL Genetics Institute, afirmou que a cepa BA.2.86 se destaca como a variante da Covid-19 mais notável já observada desde o surgimento do Omicron. Ele explicou que o cenário mais provável é que essa linhagem tenha acumulado suas vidas ao longo de uma infecção prolongada em uma pessoa imunocomprometida, ao longo de mais de um ano, antes de se disseminar novamente.


“Desde então, o BA.2.86 provavelmente circulou em uma região do mundo com vigilância viral ruim e agora foi exportado repetidamente para outros lugares do mundo”, disse ele.

Balloux afirmou que nas próximas será possível compreender melhor o desempenho da nova variante em comparação com outras subvariantes da Omicron. Segundo ele, até o momento, não há informações sobre sua capacidade de transmissão ou o quão virulenta é essa variante. Inicialmente, não há expectativa de que seu comportamento seja distinto das cepas Omicron que estão atualmente em circulação.


Segundo Balloux, mesmo no cenário mais desfavorável, em que a variante BA.2.86 desencadeou uma nova onda significativa de casos, não se espera que a nova variante transite em níveis semelhantes de doenças graves e óbitos como os registrados no início da pandemia, quando as variantes Alpha, Delta ou Omicron estava se disseminando. Ele enfatizou que a maioria das pessoas já foi vacinada, teve contato com o vírus da Covid-19 ou em ambas as situações. No entanto, é importante ressaltar que uma ampla manifestação da infecção pelo BA.2.86, ou por qualquer variante que possa surgir no futuro, seria um evento passivo.


Vírus em evolução


O diretor-geral da OMS, enfatizou em seu discurso na reunião dos ministros da saúde do G20, que, apesar da Covid-19 não ser mais considerada uma emergência de saúde global, ainda representa uma ameaça significativa. Ele destacou que uma das principais lições aprendidas com a pandemia é que a saúde em risco coloca tudo em risco. Atualmente, a OMS está monitorando de perto três variantes de interesse e acompanhando outras sete variantes. A organização reitera a importância de os países intensificarem sua vigilância, sequenciamento genético e comunicação, uma vez que o vírus da Covid-19 continua em circulação e passando por evoluções.


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