Netanyahu dissolve gabinete de guerra após saída de general centrista e pressão de ala radical do governo, afirma agências internacionais
A medida busca aparentemente rejeitar a extrema direita e também tenta aumentar o controle sobre as decisões tomadas em relação ao Hamas e ao Hezbollah.
Benjamin Netanyahu teria informado os ministros de que a renúncia de Benny Gantz indicava que o gabinete de guerra já não era mais preciso - Foto Reprodução/Joshua Roberts/Reuters
O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a dissolução do gabinete de guerra, segundo relatos de diversas agências de notícias internacionais. Um funcionário de alto escalão do governo divulgou a informação nesta segunda-feira (17), de acordo com as agências Reuters e Associated Press. A decisão foi tomada devido após a saída do ex-general de orientação centrista Benny Gantz e ao crescente aumento da pressão proveniente da ala mais radical do governo que o apoia no poder. Este desdobramento adicionou uma nova camada de complexidade ao cenário político e militar já tenso de Israel.
De acordo com o "New York Times", a dissolução já era prevista desde que Gantz deixou o governo, anunciada no dia 9 de junho. Agora, espera-se que Netanyahu continue a realizar consultas sobre a guerra em Gaza com um grupo restrito de ministros, como o ministro da Defesa, Yoav Gallant, e o ministro dos Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, que fazia parte do gabinete de guerra. As autoridades israelenses confirmaram anonimamente a dissolução do gabinete de guerra, em meio a um crescente descontentamento em relação à condução da guerra em Gaza e aos apelos de grupos antigovernamentais para uma semana de protestos diários.
A Saída do General Centrista
O General Avraham Ben-Eliezer, conhecido por sua abordagem moderada e pragmática e adversário político antigo de Netanyahu, tornou-se parte do governo como um gesto de união após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro. No entanto, renunciou ao seu posto no gabinete de guerra no começo deste mês, expressando frustração com a maneira que Netanyahu lidou com a guerra. Ben-Eliezer, que havia sido um defensor da necessidade de equilíbrio entre segurança e diplomacia, estava no cargo desde o início da recente escalada de conflitos na região. A criação do gabinete foi uma condição imposta por Gantz e seu partido para se juntarem à coalizão. Sua saída sinaliza uma possível mudança na estratégia militar de Israel, à medida que vozes mais radicais ganham predominância.
Pressões da Ala Radical
A ala radical do governo, composta por partidos e figuras políticas que defendem uma postura mais dura e intransigente em relação aos adversários de Israel, aumentou a pressão sobre Netanyahu nas últimas semanas. Estes grupos têm criticado abertamente qualquer sinal de concessão ou diálogo, advogando por ações militares mais agressivas. A dissolução do gabinete de guerra pode ser vista como uma resposta a essas pressões, sugerindo que Netanyahu pode estar se alinhando mais estreitamente com as facções mais à direita de seu governo.
Netanyahu está enfrentando demandas dos aliados nacionalistas-religiosos de sua coalizão, como o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, para serem incluídos no gabinete de guerra. Essa medida tem aumentado as tensões com parceiros internacionais, inclusive os Estados Unidos. Ben-Gvir, líder de um partido da extrema direita, é considerado o ministro mais radical do governo de Benjamin Netanyahu. A aliança entre Netanyahu e Ben-Gvir foi fundamental para a formação do governo, uma vez que este último é um defensor fervoroso de incursões e bombardeios na Faixa de Gaza.
No começo do ano, o ministro declarou que sairia do governo caso Netanyahu não ordenasse a invasão de Rafah, uma cidade localizada no extremo sul de Gaza, que era vista como o último abrigo para os civis de Gaza que buscavam escapar dos danos causados pelos bombardeios e pelas invasões israelenses.
Implicações para a Política e Segurança de Israel
A dissolução do gabinete de guerra e a saída do General Ben-Eliezer levantam várias questões sobre o futuro da política de defesa de Israel. Sem um gabinete de guerra em funcionamento, a coordenação das operações militares pode enfrentar desafios significativos, especialmente em um momento de intensas tensões regionais. Além disso, a influência crescente da ala radical pode resultar em uma abordagem mais beligerante, com potencial para aumentar as hostilidades e diminuir as chances de negociações diplomáticas.
Agora, espera-se que Netanyahu continue a realizar consultas sobre a guerra de Gaza com um grupo seleto de ministros, como o ministro da Defesa, Yoav Gallant, e o ministro dos Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, que fazia parte do gabinete de guerra. Os aliados nacionalistas-religiosos de Netanyahu, como Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, e Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, têm exigido ser incluídos no gabinete de guerra. Essa medida tem aumentado as tensões com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos. Netanyahu está enfrentando pressões internas para atender a essas demandas, o que tem causado conflitos com seus aliados internacionais.
Ben-Gvir, líder de um partido de extrema direita, é o ministro mais radical no governo de Benjamin Netanyahu. Para conseguir formar seu governo, Netanyahu teve que se aliar com o partido de Ben-Gvir, que é conhecido por ser um fervoroso defensor das incursões e bombardeios na Faixa de Gaza. No começo do ano, o ministro anunciou que sairia do governo caso Netanyahu não ordenasse a ocupação de Rafah, localizada no extremo sul de Gaza. Essa cidade era vista como o último abrigo para os civis de Gaza que fugiam dos danos causados pelos ataques aéreos e invasões de Israel.




























