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Minério nas terras yanomamis e na Floresta amazônica; Uma tragédia por tempo indeterminado

23 de fev. de 2023
3 min de leitura

O Brasil é um dos países com maior biodiversidade do mundo, abrigando uma vasta variedade de flora e fauna em suas florestas tropicais. A Floresta Amazônica é um dos ecossistemas mais importantes do planeta, sendo lar de milhões de espécies animais e vegetais, além de ser vital para a regulação do clima global. No entanto, as atividades humanas, como a mineração, têm impactado negativamente o meio ambiente e as populações indígenas que vivem na região. A atual crise vivida pelos povos indígenas yanomami veio evidenciar os impactos que garimpo ilegal deixou sobre a vida deles e da mata em suas terras. Estima-se que mais de 20 mil invasores tenham se estabelecido no território Yanomami nos últimos anos, trazendo consigo violência, doenças e mortes.

Os Yanomamis, vivem em uma área de aproximadamente 9,6 milhões de hectares, entre o Brasil e a Venezuela, e são uma das maiores populações indígenas da América do Sul. Os Yanomamis dependem da floresta para sobreviver, pois dela obtêm alimento, água, medicamentos e materiais para construção de suas moradias e utensílios. A extração de minérios, como o ouro, por exemplo, é uma atividade econômica em ascensão na região amazônica e tem gerado contaminação do solo e da água, além de destruir o habitat natural de muitas espécies animais e vegetais. Além disso, a mineração também pode ter impactos culturais significativos para as comunidades indígenas que vivem na região, que muitas vezes são desalojadas de suas terras ancestrais para dar lugar às atividades mineradoras.


O desmonte hidráulico e assoreamento de rios é uma das formas de impactos gerados pela atividade garimpeira. Ocorre com a utilização de bombas hidráulicas de grande porte nas margens dos rios, que resultam no assoreamento dos mesmos. Um impacto clássico que você provavelmente já deve ter ouvido falar é o causado pela utilização do mercúrio nos garimpos de ouro. Os garimpeiros utilizam mercúrio líquido para encontrar ouro no sedimento escavado dos rios da Amazônia. O depósito desse metal líquido no ambiente natural polui as áreas normalmente utilizadas pelos yanomami para caçar, pescar e colher, atividades importantes para a subsistência dessas comunidades, contaminando do solo e da água, de causando danos à saúde dos Yanomamis e de outras comunidades indígenas que dependem desses recursos para sobreviver, além de resultar na devastação de amplas regiões de floresta.


Quando o mercúrio entra na cadeia alimentar do rio, ele fica ali por tempo indeterminado na natureza e vai se acumulando nos organismos dos animais, principalmente os peixes e permanece neste ambiente até que esses animais estejam lá. O mercúrio é altamente tóxico e afeta o metabolismo humano de forma severa. A contaminação humana se dá pela ingestão da água e peixes contaminados pelo metal, e quando na corrente sanguínea, ele ataca o sistema nervoso, afeta o sistema motor e todos os órgãos internos. Nos rins e pulmões, seu impacto é devastador, e o grau de contaminação, gravíssimo. O corpo não consegue lidar com o acúmulo nem expelir o mercúrio. O metal causa tremores e, em casos extremos, tem levado à morte.


No caso da recente tragédia humanitária dos Yanomamis, o garimpo ilegal, também desencadeou o acirramento de conflitos com mortes e violência principalmente contra as mulheres indígenas, doenças como malária, perda da soberania alimentar e desnutrição de adultos e crianças das comunidades. Por isso, para combater a contaminação e todo o conjunto de consequências do garimpo ilegal, se não for direto na fonte, "os garimpos ilegais', não se consegue tirar o mercúrio da cadeia alimentar dos indígenas.


Diante desses impactos negativos, é fundamental que haja um equilíbrio entre os órgãos fiscalizadores para combater as atividades ilegais nas matas brasileiras e uma política econômica para dispor de recursos necessários para serem aplicados na proteção da floresta e principalmente para garantir qualidade de vida para os povos que dela dependem. Além disso, é importante investir em alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades indígenas, como a agricultura familiar e o ecoturismo, que possam gerar renda sem prejudicar o meio ambiente e a cultura desses povos.


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