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Manaus envolta em fumaça: Neblina densa e contínua por uma semana levanta preocupações

4 de nov. de 2023
4 min de leitura

Esta é a segunda vez que a cidade de Manaus é envolvida por uma persistente cortina de fumaça. O primeiro episódio ocorreu no início de outubro, e de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), as queimadas realizadas por agropecuaristas foram responsáveis por esse problema. O estado do Amazonas está em estado de emergência ambiental desde setembro.

Essa é a segunda vez que Manaus enfrenta uma onda constante de fumaça – Reprodução Fotográfica /Antônia Martins




Manaus, a capital do estado do Amazonas, é amplamente reconhecida por sua abundante biodiversidade e por sua localização estratégica no coração da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. No entanto, nos últimos dias, a cidade enfrenta uma situação alarmante. A capital amazonense, está no epicentro de uma grave crise ambiental que afeta todo o estado. Durante a madrugada e a manhã deste sábado (04), a densidade da "nuvem" de fumaça que cobre Manaus aumentou significativamente. Esta é a segunda semana consecutiva dessa situação persistente, caracterizada pela péssima qualidade do ar na cidade.


Causas da neblina de fumaça


A densa e persistente neblina que encobriu Manaus tem sua principal origem nas numerosas queimadas que ocorreram nos últimos três meses em todo o estado do Amazonas. No mês de outubro, em particular, testemunhamos a pior incidência de incêndios dos últimos 25 anos. Essa situação levou o governo estadual a declarar estado de emergência ambiental. A região amazônica é propensa a incêndios durante a estação seca, e a ação humana, como desmatamento e práticas agrícolas inadequadas, frequentemente amplia a gravidade desses incêndios.


Além disso, a emissão de poluentes atmosféricos provenientes de fontes urbanas e industriais contribui para a deterioração da qualidade do ar. Outra questão que afeta o Amazonas é a escassez de água nos rios. Todos os municípios do estado enfrentam uma situação de emergência, e de acordo com a Defesa Civil, mais de 600 mil pessoas já foram afetadas pela severa estiagem. Manaus, por exemplo, registrou o menor nível das águas do Rio Negro em mais de um século. Esse problema isolou comunidades rurais, forçou o fechamento de escolas e impactou o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus.


Impactos na saúde


Essa é a segunda vez que Manaus enfrenta uma onda de fumaça constante. A primeira vez que ocorreu foi no início de outubro e, segundo o Ibama, o problema foi causado pelas queimadas feitas por agropecuaristas. Na madrugada deste sábado, no entanto, o problema que já era grave, piorou ainda mais. Por volta de 1h, Manaus voltou a ficar totalmente encoberta.


O cheiro de queimadas também invadiu casas e incomodou. Segundo o "Selva", sistema desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em quase todas as zonas da cidade, a qualidade do ar era péssima. O aplicativo, que considera que o ar é péssimo entre 125 a 160, mostrou que por volta das 1h30 da manhã, o índice chegou a 600 na Zona Sul da cidade e variou entre 200 e 400 na Zona Leste.


Durante esta manhã, a situação persistiu, com áreas da cidade completamente envolvidas em uma densa névoa. A visibilidade permanecia precária, e até mesmo a coloração do sol sofreu alterações, transitando de seu habitual amarelo para uma tonalidade mais alaranjada. De acordo com o Selva, a Zona Sul da capital do Amazonas continua a ser a região mais impactada por esse fenômeno. Em Parintins e Maués, no interior do estado, os moradores também enfrentam esse desafio diariamente. Em Parintins, a neblina encobre a margem oposta do Rio Amazonas.


A exposição prolongada a partículas da poluição das queimadas pode afetar a saúde dos moradores da região - Foto Reprodução / Getty Images




A qualidade do ar durante esse período crítico pode afetar a saúde dos habitantes de Manaus. A exposição prolongada a partículas finas de poluição do ar pode causar uma série de problemas de saúde, incluindo problemas respiratórios, doenças cardíacas e até mesmo agravar condições médicas existentes. Hospitais locais relataram um aumento nos atendimentos de pacientes com sintomas relacionados à exposição à fumaça. Com o problema, muitas pessoas voltaram a usar máscaras para sair de casa na manhã de sábado.


Impactos ambientais


Desde setembro, o Amazonas se encontra em um estado de emergência ambiental, uma medida tomada pelo governador Wilson Lima devido ao aumento descontrolado de incêndios. Quando somamos os incêndios que ocorreram na região entre agosto, setembro e outubro, esse número ultrapassa 15 mil, conforme relatório do Inpe.


Agora, em novembro, o Amazonas já registra 72 incêndios em apenas três dias, de acordo com dados fornecidos pelo Inpe. Até o momento, nenhum município do estado se encontra entre os 10 que mais contribuem para as queimadas na Amazônia Legal. Essa lista inclui cidades dos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia.


Os incêndios e queimadas na região também causam danos significativos ao ecossistema amazônico. A destruição da floresta tropical, que é fundamental para o equilíbrio do clima global, é particularmente alarmante. Além disso, a fauna local também sofre com a perda de habitat e a escassez de alimentos devido à degradação das áreas florestais.


Impactos sociais e econômicos


A fumaça por decorrência das queimadas também tem impactos significativos na vida cotidiana dos moradores de Manaus. As restrições de visibilidade afetaram o tráfego rodoviário e a aviação, causando atrasos em viagens e problemas logísticos. Além disso, a economia local sofre devido a paralisações temporárias de atividades comerciais e turísticas.


Resposta das autoridades


Em comunicado oficial, o governo do Amazonas declarou que a neblina densa que cobre a região está primordialmente ligada às queimadas que ocorreram no estado do Pará, e em menor grau, na Região Metropolitana de Manaus. A nota também ressaltou que, devido à escassez de chuvas, a massa de ar quente sobre Manaus deverá persistir, continuando a afetar a qualidade do ar nos próximos dias, uma vez que as partículas de fumaça têm dificuldades para se dissipar nessas condições.


Por outro lado, o governo do Pará afirmou que não tem confirmação de que a fumaça em Manaus tenha origem no estado. O Departamento de Meio Ambiente destacou que, devido ao fenômeno El Niño, o Pará enfrenta um período de baixa precipitação e seca. Além disso, o órgão intensificou as medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais.


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