Luto no mundo esportivo: Silvio Luiz, icônico narrador, morre aos 89 anos em São Paulo
De acordo com informações do Hospital Oswaldo Cruz, onde estava hospitalizado desde o dia 8 de maio, o narrador veio a óbito às 9h40 desta quinta-feira (16), devido a falência de múltiplos órgãos.
Silvio Luiz, jornalista esportivo - Foto Reprodução/ Antônio Chahestian/Record
Silvio Luiz, renomado narrador esportivo, nos deixou nesta quinta-feira (16) aos 89 anos, na cidade de São Paulo. Sua morte foi confirmada pelo Hospital Oswaldo Cruz, onde esteve sob cuidados desde o dia 8 de maio. O falecimento ocorreu às 9h40, devido à falência de múltiplos órgãos. Ele deixa esposa e três filhos.
"O Hospital Alemão Oswaldo Cruz informa que o paciente Sr. Sylvio Luiz Perez Machado de Souza, 89, faleceu nesta quinta-feira (16) às 9h40, em decorrência de falência de múltiplos órgãos. O narrador esportivo e jornalista estava internado na UTI do Hospital desde o dia 8 de maio. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz lamenta o falecimento, a direção, equipe médica e assistencial se solidarizam com os familiares e amigos neste momento de dor.
Carreira
Ao longo de sua trajetória, Silvio Luiz marcou presença em diversos momentos históricos do esporte brasileiro, narrando momentos memoráveis do futebol nacional e internacional. Sua voz se tornou sinônimo de emoção para milhões de torcedores, que o acompanhavam fielmente em cada lance, gol e conquista. Nascido em 1934, na capital paulista, Silvio Luiz iniciou sua carreira na década de 1950 na Rádio São Paulo, fazendo locuções e participando de radionovelas. Logo depois, tornou-se repórter na Rádio Record. Em 1960, migrou para a Rádio Bandeirantes, mas logo retornou à Record.
Além de sua atuação no rádio, Silvio Luiz também deixou sua marca na televisão. Sua passagem por diferentes emissoras contribuiu para popularizar ainda mais seu nome entre os amantes do esporte, consolidando-o como uma das principais referências no jornalismo esportivo brasileiro. Na televisão, sua história começou na antiga TV Paulista, em 1952, onde se destacou como o pioneiro repórter de campo na cobertura esportiva brasileira. Em apenas 18 dias após o início das transmissões da TV Record, em 1953, juntou-se à equipe esportiva, formando o núcleo inaugural de profissionais do canal.
Em 1956, participou da primeira transmissão esportiva interestadual da TV brasileira, entre a Record e a TV Rio. No mesmo ano, em parceria com Silvio Luiz, as emissoras Record e TV Rio realizaram a primeira transmissão simultânea de um jogo da Seleção Brasileira de Futebol, abrangendo São Paulo e Rio de Janeiro, como resposta a uma provocação da TV Tupi.
Em 1958, explorou seu talento como ator em duas novelas, incluindo a primeira versão de "Éramos Seis" e "Cela da Morte". Mais tarde, fez parte da equipe da antiga TV Excelsior, retornando à Record em 1968 como jurado do programa "Quem Tem Medo da Verdade?". Em 1971, regressou ao mundo esportivo como apresentador e narrador, tornando-se líder de audiência em São Paulo. Em 1976, assumiu o cargo de diretor de programação da Record e tornou-se o principal narrador esportivo da emissora após o falecimento de Geraldo José de Almeida.
Silvio introduziu novas características na narração esportiva televisiva, como humor, descontração e ironia, rompendo com o estilo tradicional do rádio. Durante seu tempo na Record, popularizou várias expressões, como "Pelas barbas do profeta", "Pelo amor dos meus filhinhos", "Olho no lance", "Balançou o capim no fundo do gol", "Vai mandar lá no meio do pagode", "Queimou o filme" e "Agora é fechar o caixão e beijar a viúva".
Ele conquistou dois prêmios da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo): um como narrador de TV, em 2015, e outro por indicação da diretoria do concurso, em 2010. Além disso, em 2012, foi agraciado com o Prêmio Comunique-se como o melhor locutor esportivo.
Saúde
Silvio foi hospitalizado pela primeira vez em abril, depois de sentir-se mal durante a transmissão da final do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Santos. Durante a transmissão online da Record, onde estava acompanhado pelos humoristas Bola e Carioca, um dos colegas percebeu que algo estava errado e alertou a produção. Silvio teve dificuldades para falar e teve que ser socorrido pelos bombeiros. Ele foi então levado para o Hospital Oswaldo Cruz, onde permaneceu até 30 de abril, quando recebeu alta após passar por exames. Infelizmente, Silvio teve um novo episódio de mal-estar em 8 de abril, o que o levou a ser hospitalizado novamente.
Repercussão
Fora dos microfones, Silvio Luiz era conhecido por sua simpatia e carisma, conquistando não apenas colegas de profissão, mas também o carinho e respeito de todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. O comediante Carioca, que trabalha com Silvio, recorreu às redes sociais para homenagear.
"Nossa ultima foto, Descanse em paz meu ídolo, amigo, pai, companheiro de trabalho. Muito obrigado Senhor por ter colocado o @silvioluizbarbas na minha vida… Inacreditavelmente era um menino que o amava pela TV, virei amigo e colega de trabalho. Silvio te amarei pra sempre, pra sempre. Vc é exemplo, quero ser como vc, trabalhar e fazer o q gosta até o final. Te amo. Um Bjo pra Marcia, Ale, Andre e Teca"
Marcos Chiesa, o apresentador conhecido como Bola e amigo de profissão do narrador, expressou pesar pela perda.
"Que dia triste tá loco. Graças a Deus tive a oportunidade de falar pra vc em vida a honra e o privilégio que tive em trabalhar ao seu lado. Que Deus te receba de braços abertos meu irmão @silvioluizbarbas e que conforte a família e amigos. Muito obrigado pelo carinho, risadas e lições mestre. Que dia triste. Vai fazer muita falta", escreveu.
O presidente Lula expressou suas condolências ao narrador e refletiu sobre as recentes perdas de renomados profissionais do jornalismo esportivo.
"Um dia de muita tristeza para o jornalismo esportivo brasileiro. Além do querido Antero Greco, nos despedimos do radialista Washington Rodrigues, o Apolinho, uma carreira de décadas de amor ao futebol e ao Flamengo, e querido por todas as torcidas. E do grande locutor esportivo Silvio Luiz, um dos mais criativos narradores de todos os tempos, de muitos bordões, como “olho no lance”, que se tornaram expressões comuns nas conversas dos brasileiros. Ao mesmo tempo perdemos três grandes nomes com quem vivemos juntos tantas emoções no esporte. Meus sentimentos aos familiares, amigos, ouvintes, telespectadores e milhões de admiradores que sentirão falta desses três grandes talentos do jornalismo esportivo."


























