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Lista de Espera do SUS: Entenda como Faustão se tornou o 2º na fila para transplante cardíaco

28 de ago. de 2023
4 min de leitura

Alguns pacientes são atendidos com prioridade devido à gravidade de seus casos médicos. No decorrer do primeiro semestre de 2023, o Brasil realizou um total de 206 procedimentos de transplante cardíaco, o que representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme relatado pelo Ministério da Saúde.

Aproximadamente 3 milhões sofrem com insuficiência cardíaca no Brasil - Foto Reprodução/Ckstockphoto/Envato Elements





No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel vital na garantia do acesso à assistência médica, incluindo tratamentos complexos, como transplantes de órgãos. Recentemente, o apresentador Fausto Silva, popularmente conhecido como Faustão, foi colocado em segundo lugar na lista de pessoas que aguardam para receber um coração.


A cirurgia de transplante cardíaco do apresentador foi realizada na tarde do domingo (27), no Hospital Albert Einstein e de acordo com os médicos responsáveis pelo seu caso, o procedimento foi bem-sucedido. Mas como isso aconteceu e o que essa situação revela sobre o sistema de saúde pública no país?


O Caso Faustão


Faustão é um dos ícones da televisão brasileira, conhecido por décadas de carreira e programas de grande sucesso. No entanto, sua vida pessoal foi abalada por um sério problema de saúde sério: uma insuficiência cardíaca. Essa condição se manifesta quando o coração não consegue desempenhar eficazmente sua função primordial, que é bombear sangue para órgãos e tecidos, prejudicando a saúde geral e a qualidade de vida do indivíduo afetado.


Esta condição impacta aproximadamente 3 milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia. As origens desse quadro são diversas, mas, em sua essência, a insuficiência cardíaca representa o estágio avançado de várias doenças que afetam o coração, incluindo infarto, hipertensão e problemas nas válvulas cardíacas. Como último recurso para aqueles que estão em tratamento para problemas cardíacos severos, o transplante é recomendado. Isso foi o que aconteceu com o apresentador.


Faustão já havia passado por uma série de procedimentos médicos e, devido à gravidade de seu quadro, foi colocado na lista de espera por um transplante de coração no SUS. O que chamou a atenção foi que Faustão tornou-se o segundo da fila para receber um novo coração, segundo a Central de Transplantes do Estado de São Paulo. Com isso, a situação de Faustão trouxe à tona questões importantes sobre a doação de órgãos, a igualdade no acesso à saúde no Brasil e uma ampla discussão sobre a lista de espera no SUS.


Prioridade


A equipe médica encarregada do tratamento de Faustão recebeu a doação de um órgão na madrugada de domingo. O Ministério da Saúde informou que o apresentador foi colocado como prioridade na lista de espera devido à gravidade de seu estado de saúde, que estava classificado como crítico. No contexto de transplante cardíaco, a gravidade da condição do paciente é um fator determinante.


"A seleção gerada para a oferta do coração deste receptor, através do sistema informatizado de gerenciamento do sistema estadual de transplantes, trouxe 12 pacientes que atendiam aos requisitos. Destes, quatro estavam priorizados, sendo que o paciente ocupava a segunda posição nesta seleção", afirmou a Central de Transplantes do Estado de São Paulo.

A equipe médica responsável pelo paciente que estava no topo da lista optou por rejeitar o órgão. Assim, a oportunidade de transplante foi direcionada para o segundo paciente na lista, que era o apresentador Faustão. Conforme informado pela Central, Faustão possui o tipo sanguíneo B, e o tempo de espera estimado para receptores desse grupo em busca de um transplante cardíaco varia de 1 a 3 meses.


Funcionamento da Lista de Espera


A lista de espera para transplantes no SUS é um desafio complexo. Ela é composta por pacientes em estado grave que aguardam um órgão compatível, e a ordem de prioridade é baseada na gravidade do estado de saúde de cada paciente. Pacientes que requerem internação contínua, incluindo o uso de medicamentos intravenosos e dispositivos de suporte circulatório, recebem prioridade em comparação com aqueles que aguardam em casa por um órgão. O critério de espera não distingue entre cirurgias realizadas em hospitais públicos ou instituições privadas.


O processo se inicia com o médico responsável registrando o paciente na lista única de transplantes, uma lista que é gerenciada e mantida pela Secretaria Nacional de Transplantes, pertencente ao Ministério da Saúde. A ordem de prioridade nessa lista é estabelecida com base na cronologia de cadastro, ou seja, a data em que o paciente entrou nela. Além disso, como mencionado, a gravidade da condição do paciente é levada em consideração.


Outros fatores determinantes incluem o tipo sanguíneo, pois um paciente só pode receber um órgão de um doador que tenha o mesmo tipo sanguíneo. O porte físico também é relevante, já que uma pessoa alta e com mais peso não pode receber um órgão, como o coração, de um doador significativamente mais baixo e magro.


Outro elemento crucial a ser considerado é a distância geográfica, uma vez que o órgão deve ser removido do doador e transplantado para o receptor em um período de até 4 horas. Isso é referido como o "tempo de isquemia", que se relaciona com o tempo que o órgão pode permanecer fora do corpo. Em outras palavras, não é viável estabelecer uma conexão entre duas pessoas que estejam muito distantes uma da outra. Além disso, o tempo de isquemia influencia a decisão de utilizar um carro ou avião para o transporte do órgão, com os custos sendo cobertos pelo SUS.


Os Desafios do Sistema de Saúde Público


O caso de Faustão destaca desafios significativos enfrentados pelo SUS e pelo sistema de saúde como um todo:


  1. Órgãos disponíveis: O Brasil enfrenta uma escassez crônica de órgãos para transplantes. Isso significa que muitos pacientes acabam esperando por longos períodos. Hoje, no Brasil, mais de 380 pessoas esperam por um transplante de coração. Para outros tipos de transplante, a fila de espera é ainda maior, como a de rim, com quase 39 mil indivíduos aguardando por um transplante.

  2. Critérios de Prioridade: A classificação dos pacientes na lista de espera é um processo complexo que envolve avaliações médicas rigorosas. No entanto, a transparência e a equidade nesse processo são questões que precisam ser abordadas.

  3. Necessidade de Conscientização: O caso de Faustão chamou a atenção para a importância da doação de órgãos. A conscientização sobre a doação pode ajudar a aumentar o número de órgãos disponíveis para transplantes e assim diminuir a fila de espera.

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