Justiça condena Nego Di por difamação e injúria contra deputada; Influenciador segue preso por suspeita de estelionato
O juiz considerou que o crime ocorreu em uma plataforma de grande visibilidade e causou danos significativos à imagem da vítima. Embora a defesa tenha argumentado que se tratava de humor, o tribunal concluiu que as palavras ultrapassaram os limites aceitáveis da liberdade de expressão.
O influenciador Nego Di foi preso em investigação por estelionato – Foto Reprodução / Redes sociais/ Reprodução/ ND
A Justiça brasileira proferiu na última sexta-feira (23) uma condenação contra o influenciador e ex-participante de reality show Dilson Alves da Silva Neto, popularmente conhecido como Nego Di, devido a acusações de difamação e injúria contra a deputada federal Luciana Genro, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Nego Di, foi condenado por difamação e injúria a um ano, um mês e dois dias de detenção em regime aberto.
A pena foi convertida em prestação de serviços comunitários e o pagamento de uma multa equivalente a cinco salários mínimos. A decisão judicial ocorre em um momento complicado para o influenciador, que também enfrenta problemas legais em outra frente. O influenciador está preso preventivamente em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, desde 14 de julho, sob suspeita de estelionato.
Decisão Judicial
A decisão da 4ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre analisou uma série de comentários feitos pelo réu em relação à deputada Luciana Genro, que havia apresentado uma queixa-crime. Em um vídeo publicado no canal de YouTube do influenciador em 11 de março de 2020, o humorista se referiu à política como "velha sem vergonha" e "maconheira". O tribunal considerou que o crime ocorreu em uma plataforma de grande visibilidade e causou danos à imagem da vítima.
Embora a defesa tenha argumentado que se tratava de humor, o tribunal concluiu que as palavras ultrapassaram os limites aceitáveis da liberdade de expressão e constituíram uma ofensa direta à honra da deputada. A defesa de Dilson Alves da Silva Neto informou que se pronunciará sobre o caso assim que tomar conhecimento da sentença proferida na sexta-feira.
Sentença
O juiz Eduardo Furian Pontes concluiu que o vídeo prejudicou a reputação da deputada e impactou negativamente sua carreira. Ele levou em conta que o crime ocorreu em uma plataforma de ampla visibilidade e causou danos à imagem da vítima. Apesar da defesa alegar que se tratava de humor, o tribunal decidiu que as palavras excederam os limites aceitáveis da liberdade de expressão, configurando uma ofensa direta à honra da deputada.
A sentença estabeleceu uma pena de 1 ano, 1 mês e 2 dias de detenção, em regime aberto, substituída por duas penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária no valor de 5 salários-mínimos. Além disso, foi fixada uma multa de 20 dias-multa, com cada dia no valor de um décimo do salário-mínimo vigente na época, e Dilson Alves deverá pagar R$ 10.000,00 em indenização por danos morais, acrescida de correção monetária e juros.
Suspeita de estelionato
Nego Di está preso sob acusação de estelionato. De acordo com a investigação, ele e seu sócio, Anderson Bonetti (também detido), teriam criado uma loja online que vendia produtos que nunca eram entregues. O esquema funcionava da seguinte forma: Nego Di começou a promover sorteios virtuais em suas redes sociais, oferecendo prêmios variados, como carros, eletrônicos e dinheiro. Inicialmente, esses sorteios pareciam ser uma forma de engajar seus seguidores e aumentar sua popularidade online. No entanto, as investigações revelaram que, por trás dessa fachada, havia uma complexa operação de lavagem de dinheiro.
Em janeiro, ao promover o sorteio de um carro de luxo blindado, Nego Di chamou a atenção do Ministério Público. A investigação mostrou que os depósitos dos sorteios eram direcionados para contas associadas à sua esposa, empresas em nome do casal e até parentes. A movimentação financeira totalizou R$ 2,6 milhões. Entre as promoções, destacou-se a oferta de um Porsche, anunciado pelo influenciador com a seguinte mensagem: "O Porsche pode ser seu por apenas 0,99 centavos. Você levará para casa 10 bilhetes premiados, cada um valendo R$ 10 mil."
Flávio Duarte, promotor da 8ª Promotoria de Justiça Especializada Criminal, afirmou que o esquema descrito configura lavagem de dinheiro. Os recursos obtidos através das rifas promovidas pelo influenciador eram inicialmente depositados na conta de um terceiro e depois retornavam a uma empresa, criando a aparência de legalidade. Essa prática dissimula a origem criminosa do dinheiro, que é então usado para adquirir bens.
Parte dos fundos foi usada para comprar dois carros avaliados em mais de R$ 630 mil. O Ministério Público está investigando se um dos carros foi sorteado e seu paradeiro atual. Duarte também destacou a falta de controle sobre as rifas e a venda direta de um veículo para uma empresa parceira sem evidências de sorteio, com depósitos continuando a ser feitos nas contas mesmo após a venda do carro.


























