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Jovem diagnosticada com Neuralgia do Trigêmeo, a 'Pior Dor do Mundo' recebe tratamento inovador para alívio dos sintomas

8 de jul. de 2024
4 min de leitura

Carolina Arruda, diagnosticada com neuralgia do trigêmeo, ainda considera a possibilidade de eutanásia no exterior. No entanto, ela está disposta a reavaliar essa decisão dependendo dos resultados do novo tratamento


Carolina Arruda já está internada para tratamento que visa diminuir as dores dessa condição medica - Foto Reprodução/Carolina Arruda/Arquivo Pessoal





A Neuralgia do Trigêmeo é uma condição neurológica rara, caracterizada por dores intensas e súbitas no rosto, muitas vezes descrita por pacientes como a "pior dor do mundo". Recentemente, uma jovem diagnosticada com essa enfermidade encontrou esperança em um tratamento inovador que promete aliviar seus sintomas debilitantes.


 A mineira Carolina Arruda, diagnosticada com a condição médica, foi hospitalizada nesta segunda-feira (8) na Santa Casa de Alfenas, para iniciar um tratamento inovador, objetivando aliviar as dores que são intensas e persistentes. Estudante de medicina veterinária, ela mencionou a possibilidade de considerar a eutanásia no exterior, mas está aberta a reavaliar essa decisão dependendo da eficácia do tratamento.


O Que é a Neuralgia do Trigêmeo?


A neuralgia do trigêmeo, também conhecida como tic doloroso, é uma condição dolorosa que afeta o trigêmeo, o quinto par de nervos cranianos. Este nervo é responsável por transmitir sensações de dor e toque do rosto para o cérebro. A neuralgia do trigêmeo causa episódios súbitos e intensos de dor facial lancinante, que podem ser desencadeados por atividades cotidianas como falar, mastigar, escovar os dentes ou até mesmo tocar o rosto de maneira leve.


As causas exatas da neuralgia do trigêmeo não são completamente compreendidas, mas pode estar relacionada à compressão do nervo por um vaso sanguíneo próximo, esclerose múltipla, lesões ou, mais raramente, tumores. Os sintomas geralmente começam de forma abrupta e podem ser muito debilitantes, interferindo significativamente na qualidade de vida do paciente. As dores da neuralgia do trigêmeo são comparadas a choques elétricos e até a facadas.


O tratamento varia dependendo da gravidade dos sintomas e pode incluir medicamentos para dor, como anticonvulsivantes ou relaxantes musculares, além de terapias físicas e, em casos mais graves ou resistentes, cirurgia para aliviar a pressão sobre o nervo. A neuralgia do trigêmeo é uma condição crônica e pode requerer um manejo contínuo para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados.


O Diagnóstico e a Jornada da Paciente


Carolina Arruda reside em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais,e está cursando medicina veterinária. Casada há três anos e mãe de uma menina de 10 anos, Carolina começou a sentir dores aos 16 anos, durante uma gravidez e enquanto se recuperava da dengue. Ela lembra que a primeira dor surgiu enquanto estava sentada no sofá da casa da avó, logo após se recuperar da dengue. Ela descreveu como uma dor intensa e incomum, que a fazia gritar e chorar. No início, pensou que fosse uma dor de cabeça relacionada à dengue, mas logo percebeu que era algo completamente diferente, uma dor que nunca havia experimentado antes.


Há sete anos, o neurocirurgião Marcelo Senna diagnosticou Carolina Arruda com a "pior dor do mundo". Com mais de 30 anos de experiência em neuralgia do trigêmeo, Senna foi procurado por Carolina quando ela tinha 20 anos. Naquela época, ela já sofria com as dores há quatro anos e tinha consultado vários médicos sem sucesso. Curiosamente, anos antes, Senna havia dado o mesmo diagnóstico para o bisavô dela. Apesar de ter consultado mais de 50 médicos e passado por vários procedimentos, a moradora de Bambuí decidiu tentar mais um tratamento. Paralelamente, continua sua campanha online para arrecadar recursos e buscar assistência para suicídio assistido na Suíça.


O Desafio do Tratamento Convencional


Tradicionalmente, a Neuralgia do Trigêmeo é tratada com medicamentos para dor, terapia física ou, em casos extremos, cirurgia para descomprimir o nervo afetado. No entanto, essas opções nem sempre proporcionam alívio duradouro ou são toleráveis aos pacientes devido aos efeitos colaterais significativos. Depois de receber o diagnóstico, Carolina Arruda passou por vários tratamentos com diferentes médicos, incluindo cirurgias como descompressão microvascular, rizotomia por balão e duas neurólises por fenolização.


No entanto, nenhum desses procedimentos proporcionou o alívio necessário para melhorar sua qualidade de vida. A intensidade da dor e o impacto da doença levaram Carolina a tomar a difícil decisão de buscar o fim do seu sofrimento. Ela iniciou uma campanha na internet para angariar recursos financeiros e planeja realizar o suicídio assistido na Suíça.


Segundo a mineira, ela já pesquisou sobre tratamentos no exterior, porém constatou que são similares aos disponíveis aqui no Brasil, ou seja, não há nada inovador lá fora. A falta de entendimento dos médicos sobre a doença só agrava a situação. Muitas vezes, os especialistas e médicos de plantão não estão familiarizados com a condição e não sabem como abordá-la. Ainda de acordo com a jovem, outro médico que a acompanha há algum tempo está investigando uma alternativa, que envolveria neurologistas da Argentina. Porém, esse tratamento teria um custo elevado.


Novo Tratamento


Segundo a jovem, após o caso ganhar repercussão, o médico intervencionista da dor e diretor clínico de um hospital no Sul de Minas, Carlos Marcelo, ofereceu-se para ajudá-la. Ele se disponibilizou a realizar alguns tratamentos sem custo. Atualmente, a mineira já está internada para iniciar o novo tratamento. Ela explicou por meio de uma publicação em sua rede social, que o médico propôs induzi-la ao sono para "reiniciar seu cérebro". Durante sua estadia na UTI, nos próximos 20 dias, ele avaliará a resposta dela para decidir sobre o procedimento a ser adotado, que poderá ser radiofrequência, bomba de morfina ou implantação de um eletrodo. A escolha dependerá de sua resposta. Segundo Carolina, caso seja bem sucedido, o tratamento pode reduzir as dores em até 50%.

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