google-site-verification=f-pSFHokuJvE9Ku_wLHBLw1IkvrhWWZBLp6RQ5OyjPA
top of page

Jogo brasileiro de compra e venda de pessoas escravizadas é retirado da Google Play após polêmica

25 de mai. de 2023
3 min de leitura
O jogo permitia aos usuários comprar e vender pessoas escravizadas foi removido da loja Google Play na quarta-feira, após gerar indignação e horror.

Foto Reprodução / Loja de aplicativos do Google



Na quarta-feira (24), o jogo intitulado "Simulador de Escravidão", que permite aos usuários comprar e vender pessoas escravizadas, foi removido da loja virtual Google Play. A equipe de desenvolvimento responsável por esse jogo alegava oferecer aos usuários a oportunidade de se tornarem proprietários de pessoas escravizadas, simulando transações históricas de compra e venda de indivíduos negros. No entanto, a descrição do jogo gerou críticas e indignação, com muitos usuários e organizações de direitos humanos denunciando a normalização e banalização da violência e exploração humana, além da incitação ao racismo.


O jogo


O Aplicativo foi lançado em 20 de abril deste ano e não possuía classificação etária, ou seja, de acordo com as informações disponibilizadas pelo Google em seu site, a classificação atribuída a esta categoria para o Brasil indicava que o conteúdo era apropriado para todas as faixas etárias. Ele já havia sido baixado mais de mil vezes e recebeu vários comentários positivos, todos em português. Durante o período em que esteve disponível, o jogo obteve uma classificação de 4 estrelas em 5, acompanhada de elogios e sugestões de jogadores brasileiros que apreciaram o conteúdo. Alguns dos comentários o descrevia como:


Ótimo jogo para passar o tempo. Mas falta mais opções de tortura. Poderiam instalar a opção de açoitar o escravo também. Mas fora isso, o jogo é perfeito!
Muito bom mesmo, retrata bem o que eu gostaria de fazer na vida real.

Foto Reprodução / Jogo Simulador de Escravidão



No jogo, os usuários tinham a capacidade de participar de atividades relacionadas à "troca, compra e venda de personagens negros fictícios", semelhantes a escravos, e também eram fornecidos meios de aplicar métodos de tortura a esses personagens. Uma das modalidades disponíveis envolve descrever maneiras de utilizar escravos para enriquecimento pessoal, buscando evitar a abolição da escravidão e acumular uma determinada quantia em dinheiro.


“Escolha um dos dois objetivos no início do simulador do proprietário de escravos: o Caminho do Tirano ou o Caminho do Libertador. Torne-se um rico proprietário de escravos ou consiga a abolição da escravidão. Tudo está em suas mãos”, descrição que aparecia em uma das telas do jogo.

A empresa que desenvolveu o jogo


A desenvolvedora do aplicativo, Magnus Games, declarava que o jogo tinha como único propósito o entretenimento, explicando aos usuários que condenava a escravidão e que não possuía qualquer vínculo com eventos históricos. “Nosso estúdio condena a escravidão em qualquer forma. Todo o conteúdo do jogo é fictício e não está vinculado a eventos históricos específicos. Todas as coincidências são acidentais”, dizia uma das notificações da tela do jogo,


Repercussão


Autoridades também se manifestaram diante das críticas nas redes sociais em relação à disponibilização do aplicativo na plataforma do Google. "Urgente e chocante", disse o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do projeto de lei que pretende regulamentar as Big Techs e responsabilizá-las por crimes cometidos em suas plataformas. Ele ainda classificou o jogo como "criminoso" e afirmou que entrará com representação.


"Entraremos com representação no Ministério Público por crime de RACISMO e levaremos o caso até às últimas consequências, de preferência a prisão dos responsáveis. A própria existência de algo tão bizarro à disposição nas plataformas mostra a URGÊNCIA de regulação do ambiente digital", disse o relator.

O Ministério da Igualdade Racial do Brasil informou que estabeleceu contato com o desenvolvedor e a equipe do Google, visando colaborar com eles na implementação de medidas para combater o conteúdo racista na internet. O ministério afirmou que os envolvidos na produção desse material serão responsabilizados legalmente.


Histórico


O racismo continua a ser um desafio constante no Brasil, enquanto o país busca enfrentar as consequências históricas da escravidão. Durante o período em que a escravidão foi legalizada, o Brasil importou a maior quantidade de africanos escravizados das Américas, totalizando aproximadamente 4 milhões de pessoas. Além disso, o país foi o último na região a abolir oficialmente a escravidão, o que ocorreu em 1888.


Embora o jogo tenha sido retirado da Google Play, a polêmica em torno do jogo levanta questões maiores sobre a necessidade de maiores controles e responsabilização das plataformas de jogos. Recentemente, houve críticas direcionadas às empresas de tecnologia no Brasil, incluindo o Google, devido à falta de moderação de conteúdos que promovem racismo e outras formas de violência. Nesse contexto, o Congresso brasileiro está analisando uma proposta legislativa que responsabilizaria as empresas de mídia social e plataformas de tecnologia por identificar e eliminar conteúdos criminosos e perigosos.


  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • LinkedIn
  • Telegram

Acompanhem em Nossas Redes 

©2021 - 2025 por civitas 360 News - Portal D&A News - todos os direitos reservados 

bottom of page