Harry Belafonte: Cantor e ativista dos direitos civis morre aos 96 anos
O artista foi um dos importantes nomes da musica, do entretenimento e da luta dos direitos civis no mundo.

Foto Reprodução / Internet
O mundo da música e da luta pelos direitos civis sofreu uma grande perda nesta terça-feira (25) com a morte do cantor e ativista Harry Belafonte. Aos 96 anos, o artista jamaicano-americano deixa um legado marcante para a cultura e a história dos Estados Unidos. O artista faleceu em sua casa, em Nova York. Segundo seu porta-voz, o artista morreu de insuficiência cardíaca congestiva.
Nascido em Nova York em 1927, Belafonte começou sua carreira musical nos anos 1950, com sucessos como "Day-O (The Banana Boat Song)" e "Jamaica Farewell". Sua mistura de ritmos caribenhos e americanos ganhou uma grande audiência. Durante os anos sessenta, além de ganhar dois prêmios Grammy e seis discos de ouro, introduziu diversos novos artistas na música americana. Ele se envolveu ativamente na luta pelos direitos civis, ao lado de figuras como Martin Luther King Jr. e Sidney Poitier. Como ativista, Belafonte defendeu a igualdade racial, a justiça social e a paz mundial. Ele participou de marchas e protestos, levantou dinheiro para apoio a atividades de desobediência civil e organizou shows de caridade. Em 1963, se tornou o primeiro afro-americano a ter um álbum em primeiro lugar na parada da Billboard com "Calypso", que continha sucessos como "Day-O".
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Mas Belafonte não se limitou à música e ao ativismo, ele também se aventurou na arte cinematográfica. Como ator, Belafonte fez sua estreia na Broadway no musical John Murray Anderson's Almanac em 1953, pelo qual ganhou o prêmio Tony de ator coadjuvante. Hollywood logo o chamou, e ele conseguiu seu primeiro papel principal em Island in the Sun, onde estrelou ao lado de James Mason, Joan Fontaine e Joan Collins, com quem teve um caso. Em 1957, ele foi descrito na revista Look como o primeiro ídolo negro da matinê na história do entretenimento.
Em 1996, após se recuperar de um câncer de próstata, ele passou a defender a conscientização sobre a doença e várias causas sociais. Belafonte, também se tornou um feroz defensor da política de esquerda americana, chegando a efetuar duras criticas a política externa dos EUA e fazendo campanha contra o armamento nuclear do país. Em 2006, se reunindo com Fidel Castro e Hugo Chávez ele descreveu o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, como “o maior terrorista do mundo”. Nos últimos anos era um crítico frequente dos democratas, particularmente do ex-presidente Barack Obama, sobre questões como as detenções de Guantánamo e a luta contra o extremismo de direita.
No meio musical, ele em 2012, criticou o cantor e empresário musical Jay-Z e a cantora Beyoncé por terem “virado as costas para a responsabilidade social… Dê-me Bruce Springsteen, e agora você está falando. Eu realmente acho que ele é negro”. Na ocasião, rebatendo a crítica, Jay-Z respondeu: "Você é um ativista dos direitos civis e acabou de colocar o cara branco contra mim na mídia branca ... essa foi a maneira errada de fazer isso."
Sua última aparição foi no filme BlacKkKlansman do cineasta Spike Lee. Belafonte foi casado três vezes, primeiro com Marguerite Byrd, de 1948 a 1957, com quem teve duas filhas, a ativista Adrienne e a atriz Shari. Ele teve mais dois filhos com sua segunda esposa, Julie Robinson: a atriz Gina e o produtor musical David. Ele e Robinson se divorciaram após 47 anos. Em 2008 ele se casou com a musicista Pamela Frank, sua companheira desde então.



























