Hacker Delgatti é condenado a 20 anos de prisão por vazar mensagens de autoridades da Lava Jato
Delgatti desempenhou um papel significativo na invasão de dispositivos pertencentes a autoridades envolvidas na operação Lava Jato. O Ministério Público Federal (MPF) o acusou formalmente no âmbito da Operação Spoofing.
O hacker Walter Delgatti depôs na CPI dos Atos Golpistas na ultima quinta-feira (17) - Foto Reprodução/Internet
O hacker Walter Delgatti Neto foi condenado nesta segunda-feira (21) a uma pena de 20 anos e 1 mês de prisão no âmbito da Operação Spoofing, uma investigação que se concentra no vazamento de conversas envolvendo autoridades relacionadas à Operação Lava Jato. No momento, Delgatti encontra-se detido, contudo, sua prisão atual é decorrente de outra investigação.
Esta nova investigação busca esclarecer suspeitas de que ele teria recebido pagamento da deputada Carla Zambelli (PL-SP) em troca da invasão de sistemas eletrônicos do Poder Judiciário. O juiz responsável pela sentença na Operação Spoofing, Ricardo Augusto Soares Leites, que atua como substituto na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, afirmou que foi comprovado que várias autoridades foram alvo de ataques hackers. Segundo o juiz, a extensão das vítimas é vasta e poderia resultar em inúmeras oportunidades de extorsão.
“Seus ataques cibernéticos foram direcionados a diversas autoridades públicas, em especial agentes responsáveis pela persecução penal, além de diversos outros indivíduos que possuem destaque social, bastando verificar as contas que tiveram conteúdo exportado. É reincidente, conforme comprova sua ficha criminal e possui outros registros penais“, declarou o juiz.
Soares Leite também destacou que Delgatti chegou a oferecer a venda do material hackeado à imprensa por um valor de R$ 200 mil. O magistrado enfatizou a indiscutível liderança de Walter na organização criminosa, que se valeu das oportunidades fornecidas por cada um dos acusados, fator determinante que contribuiu para o êxito das atividades criminosas.
Além disso, outras pessoas que colaboraram com Delgatti, também foram condenadas. Gustavo Henrique Elias Santos, recebeu sentença de 13 anos e 9 meses de prisão. Thiago Eliezer Martins Santos a uma pena de 18 anos e 11 meses, Suelen Priscila De Oliveira a uma pena de 6 anos, e Danilo Cristiano Marques a uma pena de 10 anos e 5 meses.
Operação Spoofing
Em 2019, uma operação foi deflagrada com o objetivo de investigar a invasão e a interceptação de mensagens privadas que envolveram o então ministro Sérgio Moro e outras autoridades através do aplicativo Telegram. Naquela época, Moro atuou como juiz responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, localizada em Curitiba, antes de assumir um cargo no governo de Jair Bolsonaro.
Em seu depoimento Delgatti, confessou à Polícia Federal que havia acessado as contas de procuradores da Lava Jato e compartilhado as mensagens com o site The Intercept Brasil. Ele afirmou que não realizou nenhuma alteração no conteúdo das mensagens e não recebeu pagamento por seus atos.
Os investigadores alegam que os hackers conseguiram acessar o código enviado pelos servidores do aplicativo Telegram aos dispositivos móveis das vítimas, permitindo-lhes abrir uma versão do aplicativo no navegador. De acordo com a Polícia Federal, aproximadamente 1.000 números de telefone diferentes foram alvo desse mesmo método durante a investigação.
CPI dos Atos Golpistas
Durante seu depoimento à CPI dos Atos Golpistas do Congresso na semana passada, Delgatti trouxe à tona a conversa envolvendo Zambelli e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O hacker alegou que, em uma reunião com a equipe de campanha de Bolsonaro, recebeu orientações para criar um "código-fonte" fictício, com o intuito de sugerir que a urna eletrônica possuía vulnerabilidades e poderia ser alvo de fraudes.
Delgatti afirmou que a deputada o levou a um encontro com Bolsonaro na residência oficial do Palácio da Alvorada, pouco antes das eleições de 2022. Nesse encontro, conforme relatado por Delgatti, o então presidente assegurou que concederia um indulto presidencial a ele, caso fosse detido ou condenado por suas atividades relacionadas às urnas eletrônicas.
Delgatti informou que forneceu orientações aos técnicos do Ministério da Defesa responsáveis pela elaboração do relatório oficial sobre as urnas eletrônicas da pasta. Este relatório foi enviado posteriormente ao TSE em novembro de 2022. Embora o relatório não tenha identificado qualquer tendência de fraude na votação, ele recomendou ao TSE que realizasse "ajustes" no sistema eleitoral.
Vale ressaltar que essas recomendações já foram rejeitadas tecnicamente por entidades de supervisão. Além disso, o relatório em questão afirmava que não poderia assegurar a "isenção" das urnas eletrônicas.




























