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Guerra Israel-Hamas: A complexa história do confronto entre Hamas e Israel que já perdura 36 anos

11 de out. de 2023
5 min de leitura

O conflito entre Israel e Palestina já perdura há mais de sete décadas. Desde a criação do Estado de Israel, diversas guerras ocorreram. Atualmente, o país possui sistemas de defesa robustos para repelir os ataques do Hamas provenientes da Faixa de Gaza.

Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense na cidade de Gaza, nesta segunda-feira (09) - Foto Reprodução Mohammed Saber/EPA




Há dez anos, a comunidade internacional tem observado com preocupação o agravamento de um dos conflitos mais antigos e complexos do mundo: o confronto entre o grupo palestino Hamas e o Estado de Israel. Este conflito histórico já dura há pouco mais de três décadas. O mais recente episódio de hostilidades entre eles ocorreu no último sábado (07), quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra o território israelense. O conflito, que agora está no seu quinto dia, nesta quarta-feira (11), até o momento resultou na perda de mais de 2.200 pessoas, das quais, 1.200 foram em Israel e 1.055 na Faixa de Gaza, de acordo com as informações mais recentes.


Israel


Israel está situado no Oriente Médio e faz fronteira com o Mar Mediterrâneo, o Egito, o Mar Vermelho, a Jordânia, a Síria e o Líbano. Sua forma de governo é uma democracia parlamentar, composta pelos poderes legislativo, executivo e judiciário. A maior parte das terras, aproximadamente 93%, é propriedade do Estado de Israel, do Fundo Nacional Judaico (JNF) e da Autoridade de Desenvolvimento. A administração dessas terras é realizada pela Autoridade Terrestre de Israel (ILA), que emite direitos de locação de longo prazo para diversas áreas específicas.


Faixa de Gaza


A Faixa de Gaza é uma área palestina, situada em uma estreita porção de terra na costa oeste do território israelense, ao longo da fronteira com o Egito e banhada pelo Mar Mediterrâneo. Gaza possui aproximadamente 41 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de largura. Esta região é caracterizada por altos índices de pobreza e superpopulação e também pela liderança do Hamas.


De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), Gaza abriga aproximadamente 2,1 milhões de habitantes, dos quais cerca de 1,7 milhão são palestinos refugiados. A ONU destaca que esta região possui uma das maiores densidades populacionais do mundo. Além disso, cerca de 80% da população de Gaza depende da assistência internacional, sendo que um milhão de pessoas ocorrem diariamente de ajuda alimentar.


Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense na cidade de Gaza, nesta segunda-feira (09) - Foto Reprodução Mohammed Saber/EPA




O Hamas: Origens e Objetivos


O Hamas, cujo nome é uma sigla em árabe para Movimento de Resistência Islâmica, surgiu em 1987 como uma organização que combinava atividades de assistência social e resistência armada contra Israel. O objetivo declarado do grupo militante palestino é a criação de um Estado Palestino Islâmico na região historicamente conhecida como Palestina, ou seja, seu objetivo central do grupo que governa a Faixa de Gaza, é a recuperação das terras atualmente controladas por Israel e a eliminação do Estado Judeu na região do Oriente Médio. Importante ressaltar que o Hamas não permite a existência do Estado de Israel.


Contexto Histórico


Para entender a atual situação de confronto entre o Hamas e Israel, é necessário voltar no tempo e analisar o contexto histórico. O conflito israelo-palestino remonta ao início do século XX, mais precisamente na época do Império Romano, mas ganhou força após a criação do Estado de Israel em maio de 1948. Logo após, o Egito, a Síria, a Jordânia, o Iraque e o Líbano invadirem o território, isso desencadeou o primeiro de uma série de conflitos conhecidos como guerras árabe-israelenses. Desde então, a região tem sido marcada por guerras, acordos de paz fracassados ​​e tensões constantes.


Em 1949, um acordo de armistício foi alcançado, resultando na separação da Cisjordânia de Israel, que se tornou território jordano, enquanto Gaza foi designada como território egípcio. O armistício foi concebido como um acordo temporário, um prelúdio para futuros tratados de paz duradouros. Em 1964, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi estabelecida. Entre os dias 5 e 10 de junho de 1967, ocorreu um conflito na região, conhecido como a Guerra dos Seis Dias, envolvendo Israel, Egito, Jordânia e Síria. Ao fim dessa guerra, Israel expandiu seu território, anexando a Península do Sinai, como Colinas de Golã, Gaza e Cisjordânia. Em dezembro de 1987, teve início a Intifada, um levante palestino contra o governo israelense na Cisjordânia e em Gaza.


A Guerra de Gaza em 2014


Um dos eventos mais marcantes da última década foi a Guerra de Gaza em 2014. O conflito, que ocorreu entre Julho e agosto daquele ano, resultou em um grande número de mortes e uma destruição significativa na Faixa de Gaza, um território palestino densamente povoado. O conflito deixou marcas profundas em ambos os lados e exacerbou as tensões existentes entre ambas nações. Mais de 1.800 palestinos morreram nos combates em Gaza. Em 26 de agosto, após 50 dias de guerra, o Hamas e Israel chegam a um acordo de cessar-fogo, negociado através do Egito.


Protestos na Fronteira de Gaza


Após a guerra de 2014, os protestos na fronteira entre Gaza e Israel se tornaram recorrentes. Os palestinos em Gaza, liderados pelo Hamas, protestaram contra o bloqueio israelense e retiraram o direito de retorno dos refugiados palestinos, além de não reconhecerem o Estado de Israel. Esses protestos vêm resultando em frequentes confrontos violentos com as forças israelenses.


O Hamas, se identifica como um movimento em prol da justiça social, e atualmente tem adotado uma abordagem mais radical no conflito com Israel, recorrendo a ações como ataques com explosivos em carros, lançamento de mísseis em direção às principais cidades israelenses e assassinatos de judeus em áreas onde atua. O grupo islâmico e seus apoiadores acusam Israel de ter expulsado seus antepassados ​​de suas terras, de tratar os palestinos com violência e de restringir o acesso a suprimentos básicos.


Eles também argumentam que Israel ao construir um muro em torno de seus territórios, criou uma situação que se assemelha a um regime de apartheid moderno, caracterizado pela segregação. O Hamas, além de não considerar Israel como nação, também se opõe à criação de dois estados independentes, um para a Palestina e outro para Israel, solução apontada por especialistas e autoridades mundiais como um possível acordo de paz.


Já as autoridades israelenses classificaram o Hamas como um grupo terrorista e alegam que eles utilizam a população palestina, incluindo crianças, como proteção durante ataques. Além disso, eles afirmam que o Hamas transformou o território em uma base terrorista, estabelecendo um clima de terror.


Acordos de Normalização e Mudanças na Região


Nos últimos anos, Israel assinou acordos bilaterais de normalização com vários países árabes, incluindo os Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Esses acordos, conhecidos como Acordos de Abraão, esboçados em 13 de agosto e assinados em 15 de setembro de 2020, mudaram o cenário geopolítico da região e isolaram o Hamas de alguns de seus antigos aliados na região.


Perspectivas para o Futuro


A questão central deste conflito permanece sem solução e a busca por uma criação de dois Estados, onde Israel e Palestina possam coexistir pacificamente lado a lado, é algo improvável que ocorra, ou seja, após uma década de conflito e estagnação diplomática, essa solução parece cada vez mais distante.


As divisões internacionais entre os palestinos, como o Hamas controlando Gaza e a Autoridade Palestina na Cisjordânia, também complicam qualquer esforço de negociação. Além disso, a crescente polarização política em Israel e a mudança na liderança política palestina criam desafios adicionais para a resolução do conflito.


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