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Greve de roteiristas de Hollywood afeta a produção do spin-off de Game of Thrones

9 de mai. de 2023
3 min de leitura
A paralisação começa a afetar as produções do setor, como filmagens de filmes, séries e gravações de programas de TV como os talk-shows de variedades, uma delas é a série de sucesso Game of Thrones.

Greve: roteiristas se mobilizam em Nova York - Foto Reprodução Selcuk Acar / Anadolu Agency/ Getty



A greve de roteiristas americanos têm afetado a produção de vários projetos, incluindo o spin-off "A Knight of the Seven Kingdom" ("O Cavaleiro dos Sete Reinos", em tradução livre)' do seriado televisivo, Game of Thrones, que teve que ser interrompida devido à paralisação. A informação foi publicada no domingo (07) pelo autor dos livros da série, George R.R. Martin, em seu blog.


"Quanto tempo vai durar a greve? Nenhuma ideia. Talvez os membros da Aliança dos Produtores de Cinema e de Televisão (AMPTP, sigla em inglês) caiam em si amanhã e ofereçam algumas concessões significativas, e a coisa toda pode ser encerrada na próxima semana. Eu não apostaria nisso, no entanto. Passei por várias delas desde que comecei a escrever para televisão e cinema em 1986. A greve de 1988, a primeira da qual participei, durou 22 semanas, a mais longa da história de Hollywood. A greve de 2007-2008, a mais recente, durou 100 dias. Esta pode durar mais", escreveu R.R. Martin no blog.

A nova sequência da série é embasada no livro "O Cavaleiro dos Sete Reinos, histórias do Mundo de Gelo e Fogo" e narra a história de dois personagens, Dunk (futuro Lorde Comandante da Guarda Real, Sor Duncan the Tall) e Egg (o futuro rei Aegon V Targaryen), que vagarão por Westeros aproximadamente 100 anos antes dos eventos da série principal. Ainda de acordo com o escritor, os roteiros dos próximos episódios foram concluídos meses atrás, muito antes do início da greve, no entanto, não passaram por revisões. "Os escritores fizeram seu trabalho; o resto está nas mãos dos diretores, elenco e equipe… e claro dos dragões", contou Martin.


A greve dos profissionais da indústria do entretenimento iniciou-se no dia 2 de maio e contou com a adesão de mais de 11 mil profissionais, membros da Writers Guild of America (WGA), sindicato que representa os roteiristas de cinema e televisão nos Estados Unidos. O principal motivo do impasse é o desacordo entre os profissionais e os estúdios de cinema e televisão quanto aos valores a serem pagos pelas produções. A pauta de reivindicações inclui aumento de salários, melhores condições de trabalho e maior participação nos lucros dos projetos gerados pelas transmissões das produções por streaming. Esta é a primeira greve do setor em 15 anos. Na ocasião, a paralisação durou 100 dias e resultou em um prejuízo de US$ 2,1 bilhões à economia da Califórnia, além de impactar as produções do cinema e programas televisivos.


A realização de uma greve da categoria foi aprovada no mês passado, mas eles só decidiram paralisar totalmente neste mês de maio, após o fracasso nas negociações.


"O Conselho de Administração e o Conselho do WGAeast, agindo de acordo com a autoridade concedida a eles por seus membros, votaram unanimemente para convocar uma greve, a partir das 00:01, terça-feira, 2 de maio. A decisão foi tomada após seis semanas de negociações com Netflix, Amazon, Apple, Disney, wbd, NBC Universal, Paramount plus e Sony sob a égide da AMPTP. Embora nosso Comitê de Negociação tenha iniciado esse processo com a intenção de fazer um acordo justo, as respostas dos estúdios foram totalmente insuficientes, dada a crise existencial que os escritores estão enfrentando. O piquete começará amanhã à tarde", diz o comunicado do sindicato em uma de suas redes sociais.

Em contra partida a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMTPT, na sigla em inglês), que representa alguns estúdios como Walt Disney e Netflix, afirmou que foi oferecido aos grevistas, "aumentos generosos" no decorrer das negociações. Por meio de uma nota a AMTPT informou que entre os principais pontos divergentes propostos "exigiriam que uma empresa contratasse um certo número de escritores para um programa por um período de tempo especificado, seja necessário ou não". Outro ponto negociado é sobre o uso de inteligência artificial (IA). O WGA pede uma garantia para que os estúdios não utilizem este recurso na criação de scripts a partir de trabalhos anteriores, ou que os escritores sejam requisitados para reescrever rascunhos de scripts criados pela IA.


A crise tem reflexos em filmagens de filmes, séries e gravações de programas televisivos como os talk-shows de variedades do país, além de também envolver a queda na receita publicitária das emissoras de TV, além do avanço do streaming.


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