Governo demite diretor do MEC após operação da PF sobre desvios em kits de robótica
A exoneração de Alexsander Moreira do cargo de diretor de Apoio à Gestão Educacional foi publicada nesta segunda-feira no 'Diário Oficial da União' . A Polícia Federal está investigando possíveis irregularidades na aquisição de equipamentos de robótica destinados aos municípios de Alagoas.
Foto Reprodução / Secretaria de Educação de Sergipe
Nesta segunda-feira (5), o governo federal demitiu Alexsander Moreira, que ocupava o cargo de diretor de Apoio à Gestão Educacional da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação. A exoneração foi oficializada no "Diário Oficial da União". A demissão de Moreira ocorreu após uma operação da Polícia Federal que investigava um grupo suspeito de fraude em licitação e lavagem de dinheiro em Alagoas, relacionado à compra de equipamentos de robótica.
Esquema
A Operação Hefesto da Polícia Federal está investigando uma suspeita de desvio de R$ 8,1 milhões na aquisição de kits de robótica destinados a 46 municípios de Alagoas. Essa aquisição foi realizada com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A licitação para a compra dos kits de robótica teria sido direcionada exclusivamente para a empresa Megalic. A PF, suspeita que parte do dinheiro público destinado à compra dos kits tenha sido desviada pela empresa, sendo desviados para outras contas antes de chegar, em espécie, nas mãos de agentes públicos.
O esquema já estava sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2022, quando a Corte determinou a suspensão dos pedidos e dos repasses de recursos para a aquisição dos kits. Esses kits superfaturados foram adquiridos com verbas provenientes de emendas do relator do Orçamento, que eram conhecidos como "orçamento secreto" e foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final do ano passado.
Investigações
Após a divulgação, em 2022, pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que a empresa Megalic, sediada em Maceió (AL), estava vendendo cada kit por R$ 14 mil, foi dado início a uma investigação para apurar o caso. A Megalic, que é conhecida por ganhar a maioria das licitações nesta área, é de propriedade do casal Edmundo Catunda e Roberta Melo. Vale ressaltar que a Megalic não é responsável pela produção dos kits de robótica, pois eles foram adquiridos de outra empresa localizada no interior de São Paulo, ao preço de R$ 2,7 mil por conjunto de componentes eletrônicos.
A Polícia Federal ficou intrigada com as transferências de dinheiro feitas pela Megalic para indivíduo Na operação da semana passada, Pedro e Juliana Salomão foram detidos, porém, serão processados em liberdade. A defesa do casal nega qualquer envolvimento nas irregularidades.s e empresas em Brasília, envolvendo grandes quantias de dinheiro. Pedro Salomão e sua esposa, Juliana Salomão, são os proprietários dessas empresas.
Em registros capturados pela PF, eles foram flagrados várias vezes saques em dinheiro em agências bancárias e em uma lotérica vinculada à instituição. Essas retiradas foram realizadas de maneira fragmentada, provavelmente com a intenção de evitar levantar suspeitas por parte das autoridades. Um homem, identificado pela Polícia Federal como motorista de um assessor da liderança do PP na Câmara, recebeu os recursos.
Operação
Na operação realizada na semana passada, Pedro e Juliana Salomão chegaram a ser detidos, no entanto responderam em liberdade. A defesa do casal refuta qualquer envolvimento nas atividades irregulares. Além disso, os investigados também estão direcionados a um policial civil e empresário de Alagoas, suspeito de receber dinheiro proveniente de desvios da empresa Megalic. Durante uma busca em um dos escritórios de Murilo Nogueira em Maceió, a Polícia Federal encontrou um cofre contendo R$ 3,5 milhões em espécie. A defesa alega que as empresas de Nogueira não possuem relação com os kits de robótica.
Em uma declaração pública, o advogado da Megalic afirma que a aquisição dos kits foi realizada por meio de um processo licitatório legal e altamente competitivo. Além disso, ressalta que ainda não teve acesso às pesquisas em andamento.
Aliado de Lira
Um dos alvos da investigação da Polícia Federal é Luciano Ferreira Cavalcante, um funcionário da Câmara dos Deputados que foi nomeado para a liderança do PP na Casa durante o mandato de Arthur Lira (PP-AL), atual presidente da Câmara. Antes de ocupar esse cargo na Câmara, Ferreira trabalhou como servidor comissionado no escritório de apoio do então senador Benedito de Lira (PP-AL), pai de Arthur Lira. A defesa de Cavalcante afirmou à TV Globo que ele não tem qualquer envolvimento com o caso de desvio de recursos em investigação pela PF.




























