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Governo anuncia leilão de compra de arroz importado para 6 de Junho; Produto deve chegar ao consumidor até setembro

29 de mai. de 2024
4 min de leitura

Atualizado: 5 de jun. de 2024

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente da Conab, Edegar Pretto, afirmou que serão compradas 300 mil toneladas e que o governo irá analisar a necessidade de novas aquisições.


Devido às enchentes em Rio Grande do Sul, os supermercados foram obrigados a limitar a venda de arroz - Foto Reprodução/Taba Benedicto





Em um esforço para estabilizar os preços do arroz no mercado interno e garantir o abastecimento, o governo federal anunciou a realização de um leilão de compra de arroz importado. De acordo com o presidente da Conab, Edegar Pretto, o leilão público para a compra de arroz importado será realizado no dia 6 de junho, às 9h. O objetivo do governo é adquirir 300 mil toneladas de arroz.


O edital do leilão foi divulgado na quarta-feira (29) e estabelece que o preço será fixado e os pacotes terão a identificação do governo. O valor de venda será de R$ 4 por quilo e estima-se que o arroz chegará ao consumidor até setembro. A importação será de "Arroz Beneficiado, Polido, Longo Fino, Tipo 1", o mesmo produzido no Brasil.


"Temos uma grande procura por informações, tanto do Mercosul, como de outros países", disse Pretto, em coletiva de imprensa nesta quarta. "O governo tomou a decisão da retirada da TEC [tarifa de importação] para que outros países possam também entrar nesse leilão de igual para igual com os países do Mercosul, que já têm tarifa zero", disse Pretto.

Motivos para a Importação


Segundo o presidente da Conab, a importação do grão pelo governo tem como objetivo assegurar preços mais acessíveis aos consumidores. Ele ressaltou que nos últimos 30 dias houve um aumento de 30% a 40% no preço do arroz. O presidente também mencionou que após as enchentes no Rio Grande do Sul, os preços do arroz começaram a subir no Brasil e, posteriormente, no Mercosul, como foi mencionado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.


De acordo com Pretto, o estado do Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção nacional deste grão. A intenção é evitar que a compra importada entre em competição com a produção nacional. Até o momento, foram adquiridas as primeiras 300 mil toneladas e será feita uma avaliação do comportamento do mercado. Caso perceba-se que essa medida já estabilizou os preços, o governo analisará se será necessário realizar um novo leilão. Diante desse cenário, o governo optou por realizar um leilão para a compra de arroz de fornecedores internacionais, visando aumentar a oferta do produto no mercado interno e, consequentemente, reduzir os preços.


Impacto no Mercado e Expectativas


Durante este mês, o governo federal disponibilizou R$ 7,2 bilhões para a aquisição de até 1 milhão de toneladas de arroz importado. De acordo com o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), essa quantidade de arroz deve corresponder às perdas ocorridas nas enchentes do Rio Grande do Sul, englobando tanto as perdas no campo quanto os grãos armazenados.


De acordo com ele, houve algumas dificuldades para realizar um levantamento de campo. O próprio setor alerta que cerca de 600 mil toneladas de arroz, que ainda estavam no campo, foram perdidas e não é possível estimar a quantidade que estava nos armazéns e foi afetada pelas águas. O setor também menciona que estão considerando que 600 mil toneladas a mais, podem ter sido atingidas nos armazéns, totalizando até 1 milhão de toneladas, e assim, estimando-se que tenha sido a quantidade perdida no Rio Grande do Sul.


Antes da tragédia, a Conab previa que o estado colheria um total de 7,4 milhões de toneladas de arroz. A estatal planeja publicar uma nova estimativa no dia 13. De acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o estado já colheu 90% da sua área plantada, o que totaliza 6,8 milhões de toneladas de arroz. O instituto estima que, ao final da safra, o RS colheria 7,1 milhões de toneladas, número muito próximo do registrado na safra anterior, que foi de 7,239 milhões de toneladas. Isso comprova que o arroz gaúcho é suficiente para abastecer o mercado brasileiro, tornando desnecessária a importação do grão, afirmou o Irga em uma nota na semana passada.


Após a realização do leilão em junho, o processo logístico de importação e distribuição deve ser concluído até setembro. Isso significa que, no terceiro trimestre, os consumidores já poderão encontrar o arroz importado nas prateleiras dos supermercados. Questionado sobre a razão pela qual o governo decidiu vender o arroz por, no máximo, R$ 4 o quilo, Silvio Porto, diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Conab, explicou que o arroz tem sido um dos fatores que têm contribuído para a alta inflação dos alimentos.


Ainda segundo ele, considerando os preços de varejo antes do problema climático no Rio Grande do Sul, que estava em torno de R$ 25 a saca de 5 quilos em média no mercado, com as marcas mais comuns, foi estabelecido um desconto de 20% a partir desse parâmetro, resultando no valor de R$ 4 por quilo.


Noticias Falsas Sobre a Importação


Em comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira, o Ministério da Agricultura negou categoricamente a veracidade de uma notícia falsa que afirmava que o arroz importado estava contaminado ou era feito de plástico. De acordo com o Ministério, tais alegações são completamente falsas. O Ministério da Agricultura ressaltou que é responsável por fiscalizar todos os alimentos que entram no país e que o edital da Conab especifica claramente o tipo de arroz que será adquirido. Além disso, o ministério lembrou que a autorização do governo para a importação de até 1 milhão de toneladas de arroz beneficiado pela Conab tem como objetivo garantir o abastecimento alimentar em todo o território nacional, evitando possíveis problemas causados pelas enchentes na produção gaúcha.


O governo destacou que no Brasil a fiscalização e controle são realizados pelo Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura. Os procedimentos e exigências fitossanitárias são específicos para cada tipo de produto, incluindo sementes, mudas, bebidas, alimentos e insumos agropecuários. Segundo o ministério, também é falso afirmar que o arroz importado seja "de plástico". A nota ressalta que o aviso de compra pública divulgado pela Conab para aquisição de arroz especifica claramente que se trata de um "arroz beneficiado, polido, longo fino, tipo 1, safra 2023/2024".

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