Finlândia se junta à OTAN: O que isso significa para o país, a Europa e o Ocidente
Na manhã desta terça-feira (04), a Finlândia entrou formalmente para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar formada por 30 países, nas quais inclui a maioria das nações ocidentais, como os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e França. A adesão da Finlândia foi recebida com entusiasmo por muitos membros da OTAN, que acreditam que a adição do país nórdico pode fortalecer a posição da aliança na região do Báltico, onde a Rússia tem aumentado sua presença militar nos últimos anos. A adesão do país à Otan se torna um revés para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, este que repetidamente reclamou da expansão da aliança militar antes mesmo de invadir a Ucrânia. Essa confirmação da Finlândia como 31° membro da Otan, também acirra ainda mais as tensões entre ocidente e Rússia, além de ocorrer em um momento de tensão crescente entre a governo russo e a aliança.
O presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, à esquerda, e o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, dão uma coletiva de imprensa na sede da OTAN em Bruxelas, Bélgica, em 4 de abril de 2023. (Kenzo Tribouillard/AFP/Getty Images)
A fronteira entre a Finlândia e a Rússia é uma das regiões mais desafiadoras da Europa. A linha que divide os dois países tem 1.300 km de comprimento e é uma das mais longas fronteiras externas da União Europeia. Nessa região, as temperaturas podem atingir uma média de -30°C no inverno, representando um grande desafio em termos de recursos e de segurança. Apesar dessas dificuldades, a fronteira finlandesa-russa tem uma importância estratégica significativa. A Rússia é o maior país do mundo em termos de área, e sua fronteira setentrional é considerada uma área de grande importância militar, tornando a região da Finlândia, que faz fronteira diretamente com a Rússia, especialmente importante em termos de segurança.
A Rússia rapidamente emitiu um comunicado prometendo "retaliação" contra a Finlândia e a OTAN. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a entrada da Finlândia na OTAN é uma "provocação" que ameaça a segurança da Rússia, descrevendo que a ampliação da Otan como uma "violação de nossa segurança e de nossos interesses nacionais". Ele ainda justificou que a invasão na Ucrânia ocorreu justamente pelo fato de Kiev estar em conversações para ingressar na aliança na ocasião. Ele também disse que a Rússia tomará medidas para proteger seus interesses e garantir sua segurança.
“É um grande dia para a Finlândia e um dia importante para a Otan”, disse o presidente da Finlandes, Sauli Niinistö. “A Rússia tentou criar uma esfera ao seu redor e… não somos uma esfera. Tenho certeza de que os próprios finlandeses se sentem mais seguros de que estamos vivendo em um mundo mais estável”, concluiu Niinistö.
Bandeira da Finlândia já hasteada entre as outras do países membros da aliança
O presidente americano, Joe Biden, saudou calorosamente a conclusão do processo acelerado de adesão do país nórdico, dizendo que a Otan se mostrou mais unida do que nunca após a invasão da Ucrânia. “Quando Putin lançou sua brutal guerra de agressão, ele pensou que poderia dividir a Europa e a Otan. Ele estava errado”, disse o presidente dos EUA, acrescentando que também “esperava receber a Suécia como membro da Otan o mais rápido possível" e complementou, “Juntos, fortalecidos por nosso mais novo aliado, a Finlândia, continuaremos a preservar a segurança transatlântica, defender cada centímetro do território da Otan e enfrentar todos e quaisquer desafios que enfrentarmos”, finalizou.
A entrada da Finlândia na OTAN pode ser vista como um sinal do quanto os países da região estão preocupados com a ofensiva militar russa em território ucraniano, buscando assim a proteção na aliança ocidental. No entanto, também pode ser vista como uma escalada da tensão entre o governo russo e Otan, o que pode causar uma maior instabilidade na Europa. É importante observar que a entrada da Finlândia na Otan não significa automaticamente que a aliança irá intervir militarmente em caso de conflito com a Rússia. A OTAN é uma aliança de defesa coletiva, o que significa que seus membros se comprometem a defender reciprocamente em caso de ataque. No entanto, a aliança tem uma política de dissuasão, o que significa que seu objetivo é evitar conflitos, em vez de provocá-los.






























