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Febre Oropouche: Confira os sintomas e o tratamento dessa infecção que atinge o Amazonas desde o ano passado

23 de jan. de 2024
3 min de leitura

Apesar de ser pouco conhecido pela maioria da população, o oropouche representa um dos arbovírus mais significativos no Brasil, sendo responsável pela segunda doença febril mais comum no país, ficando atrás apenas da dengue em termos de casos registrados.

Mosquito transmissor da febre oropouche - Foto Reprodução/Scott Bauer/Agricultural Research Service/United States Department of Agriculture






A região amazônica enfrenta um desafio de saúde pública desde o ano passado com o aumento de casos de Febre Oropouche. Essa doença, causada pelo vírus Oropouche (OROV), tem se espalhado, gerando preocupações entre a população e autoridades de saúde. Na primeira metade de janeiro deste ano, o estado do Amazonas notificou mais de 50% do total de casos de febre oropouche registrados ao longo de todo o ano anterior.


Foram identificados 223 casos da doença nas duas primeiras semanas de 2024, em contraste com os 424 casos contabilizados de janeiro a dezembro de 2023. Diante desse aumento significativo, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) estadual emitiu um alerta epidemiológico. Importante destacar que, de acordo com a FVS, não houve registros de mortes associadas a essa condição.


O que é a Febre Oropouche?


A Febre Oropouche é uma doença viral transmitida principalmente pelos mosquitos do gênero Culicoides paraense, também conhecido como maruim. O vírus foi descoberto pela primeira vez na década de 1950 em Trinidad e Tobago, mas desde então, tem sido identificado em várias regiões da América do Sul, incluindo o Brasil.


Transmissão e Propagação


A principal forma de transmissão da Febre Oropouche é através da picada de mosquitos infectados. Esses insetos são mais ativos durante o crepúsculo e o amanhecer, aumentando o risco de exposição nesses períodos. A propagação da doença pode ser favorecida por condições climáticas propícias à reprodução dos mosquitos vetores. Segundo a diretora-presidente da FVS, não há relatos de casos de transmissão de pessoa para pessoa de forma direta.


Sintomas da Febre Oropouche


Os sintomas da Febre Oropouche são semelhantes aos de outras infecções virais, como os da dengue e os da chikungunya, o que pode dificultar o diagnóstico preciso. No entanto, de acordo com Tatyana Amorim, diretora-presidente da FVS, os mosquitos do gênero Culex também podem ser vetores. No ciclo selvagem, os hospedeiros são animais primatas e o bicho-preguiça, enquanto no ciclo urbano o ser humano continua sendo o principal hospedeiro. As pessoas infectadas geralmente apresentam sintomas como:


  • Febre Alta: Um dos sintomas mais comuns, a febre pode se manifestar repentinamente e persistir por vários dias.

  • Dores Musculares e Articulares: Os pacientes podem experimentar dores intensas nos músculos e articulações.

  • Cefaleia: Dores de cabeça frequentes são relatadas por muitos afetados.

  • Fadiga: Uma sensação de cansaço constante pode acompanhar a infecção.

  • Náuseas e Vômitos: Algumas pessoas infectadas podem apresentar sintomas gastrointestinais.

Além destes sinais, ela apresenta alguns sintomas mais característicos, como:


  • Fotofobia (sensibilidade à luz)

  • Dor ocular: Descrita como forte dor nos olhos

  • Tonturas: Sensação de mal-estar, de fraqueza

  • Manchas avermelhadas na pele: Algumas pessoas infectadas podem apresentar manchas, como dengue, zika.

  • Diarréia: Algumas pessoas infectadas podem apresentar desarranjo do intestino.

Outro aspecto relevante é que, geralmente, a febre oropouche apresenta uma sintomatologia pronunciada, ou seja, a maioria das pessoas infectadas manifesta os seus sintomas. Isso contrasta com o Zika, por exemplo, em que se estima que 80% das pessoas não apresentam sintomas da infecção. O vírus possui um período de incubação de quatro a oito dias, durante os quais os primeiros sinais se manifestam. A presença dos sintomas geralmente persiste por cerca de cinco a sete dias, entretanto, conforme destacado no alerta emitido, a completa recuperação do paciente pode demandar semanas.


Atualmente, os casos estão predominantemente presentes em adultos jovens, abrangendo faixas etárias que variam de 20 a 59 anos, embora haja registros confirmados em todas as idades.


Diagnóstico e Tratamento


O diagnóstico da Febre Oropouche geralmente é realizado através de exames laboratoriais que detectam a presença do vírus no sangue ou no líquido cerebrospinal. Até o momento, não existe uma vacina específica para prevenir a infecção, e o tratamento visa aliviar os sintomas. Os cuidados médicos convencionais incluem repouso, ingestão de líquidos, analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos para controle da febre e das dores. Em casos mais graves, pode ser necessária uma terapia antiviral que utiliza um fármaco chamado ribavirina ou a hospitalização para monitoramento e tratamento adequado.


Medidas Preventivas


Dada a natureza da transmissão da Febre Oropouche, medidas preventivas são cruciais para conter a propagação da doença. Algumas precauções incluem:

  • Uso de Repelentes: Aplicar repelentes de mosquitos, especialmente durante os períodos de maior atividade dos vetores.

  • Proteção Adequada: Utilizar roupas que cubram a maior parte do corpo, principalmente durante o amanhecer e o anoitecer.

  • Controle de Vetores: Implementar medidas de controle de mosquitos, como eliminação de criadouros e uso de inseticidas.

  • Educação da População: Conscientizar a população sobre os riscos, sintomas e medidas preventivas da Febre Oropouche.

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