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Estudo científico revela a partir de qual idade uma pessoa é considerada 'velha'

17 de mar. de 2024
3 min de leitura

Segundo os pesquisadores, o processo de envelhecimento geralmente tem início por volta dos 34 anos, atingindo seu ápice após os 78 anos. Esta conclusão foi alcançada através da análise dos variados níveis de proteínas encontradas no plasma sanguíneo de mais de 4 mil participantes, cujas idades variavam entre 18 e 95 anos.


Foram identificadas 373 proteínas cujas alterações estão associadas ao processo de envelhecimento - Foto Reprodução






Um novo estudo científico está desafiando conceitos enraizados sobre o que significa ser "velho". No Brasil, a classificação de uma pessoa como idosa ocorre aos 60 anos, embora haja um projeto de lei em andamento para aumentar essa idade mínima para 65 anos. Entretanto, é interessante considerar em que momento da vida os primeiros sinais de envelhecimento começam a se manifestar no corpo. De acordo com estudos realizados na Universidade Stanford, em média, esses sinais começam a aparecer por volta dos 34 anos. O ápice da velhice, por sua vez, é geralmente alcançado após os 78 anos.


Os resultados, publicados recentemente na revista científica Nature Medicine, revelam descobertas surpreendentes que podem transformar a maneira como a sociedade encara o processo de envelhecimento. No artigo, os pesquisadores afirmam que o envelhecimento é um fator de risco dominante para várias doenças crônicas que reduzem a expectativa de vida.


Desconstruindo Estigmas Sociais


O conceito de "velhice" tem sido historicamente subjetivo e muitas vezes associado a estereótipos negativos, como fragilidade física, declínio cognitivo e isolamento social. No entanto, este estudo desafia essas noções preconcebidas ao investigar a percepção da idade em uma ampla amostra da população. Com o avançar do relógio biológico, vários sinais do envelhecimento se tornam notáveis, como rugas faciais, cabelos grisalhos, diminuição da audição e da visão, diminuição da agilidade e, ocasionalmente, incontinência urinária.


No entanto, os especialistas argumentam que esse processo de manifestação externa tem início muito antes, ocorrendo dentro do próprio organismo. As primeiras mudanças começam por volta dos 34 anos e continuam até os 60, marcando a fase conhecida como idade adulta. Dos 60 aos 78 anos, ocorre o período da maturidade tardia. Após os 78 anos, chega-se finalmente à velhice — momento em que a pessoa é considerada "velha".


Metodologia e Amostra


Segundo os pesquisadores, a determinação do início do processo de envelhecimento não se baseou na idade cronológica, isto é, na contagem dos anos vividos. Em vez disso, a análise foi conduzida considerando os variados níveis de proteínas presentes no plasma sanguíneo, excluindo as células, de mais de 4 mil participantes, cujas idades variavam entre 18 e 95 anos. Ainda de acordo com o estudo, à medida que uma pessoa envelhece, os níveis de 373 proteínas diminuem consideravelmente no plasma até cessarem completamente sua produção. Isso se deve à deterioração da capacidade de reparo do DNA.


Tony Wyss-Coray, professor de neurologia e coautor do estudo, observou que há muito tempo se reconhece o potencial das medições de certas proteínas sanguíneas para fornecer insights sobre a saúde de um indivíduo. No entanto, historicamente, essas medições eram conduzidas de forma isolada, sem considerar múltiplas proteínas simultaneamente. Para estabelecer uma nova perspectiva sobre o envelhecimento, os pesquisadores realizaram análises em 4,2 mil pessoas de diversas faixas etárias, avaliando os níveis de 3 mil proteínas.


Resultados Surpreendentes


A partir desse amplo conjunto de dados, identificaram 373 proteínas cujas alterações estão associadas ao processo de envelhecimento. Segundo o pesquisador Wyss-Coray, quando ocorrem mudanças substanciais nos níveis relativos das proteínas, isso indica uma alteração em você também. Portanto, essa abordagem oferece uma forma bastante confiável de acompanhar as diferentes fases da vida de uma pessoa.


Com base nestes resultados e em outras investigações, os cientistas de Stanford conseguiram criar um algoritmo de inteligência artificial (IA) que pode determinar a idade biológica de cada órgão em um indivíduo e prever o risco de falha desse órgão. No futuro, essa tecnologia poderá possibilitar intervenções precoces, prevenindo o desenvolvimento de doenças e, assim, aumentando a qualidade de vida para as pessoas de idade avançada.


Implicações Sociais e Políticas


Essas descobertas têm implicações profundas em vários aspectos da sociedade, desde políticas públicas relacionadas à saúde e bem-estar dos idosos até questões de discriminação etária no local de trabalho e no acesso a serviços. Com uma compreensão mais precisa da percepção da idade, os formuladores de políticas e os profissionais de saúde podem adaptar intervenções e serviços para melhor atender às necessidades das pessoas à medida que envelhecem.


Mudança de Paradigma


Este estudo desafia a noção tradicional de que a velhice começa em uma idade específica e fixa. Em vez disso, destaca a importância de considerar a individualidade de cada pessoa e os fatores que influenciam sua experiência de envelhecimento. Ao reconhecer essa diversidade, podemos trabalhar em direção a uma sociedade mais inclusiva e compassiva, onde as pessoas de todas as idades são valorizadas e respeitadas por suas contribuições únicas para a comunidade.


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