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Empresa aérea Gol solicita recuperação judicial nos EUA

25 de jan. de 2024
3 min de leitura

A companhia aérea informou nesta quinta-feira que apresentou um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. De acordo com a empresa, essa decisão é essencial para obter recursos financeiros e realizar uma reestruturação em suas finanças.

A GOL Linhas Aéreas acaba de entrar com o pedido de Recuperação Judicial nos EUA, o chamado Chapter 11 - Foto Reprodução/Internet




A companhia aérea brasileira Gol Linhas Aéreas Inteligentes anunciou nesta quinta-feira (25) sua decisão de iniciar o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, abrangendo tanto a empresa principal quanto suas subsidiárias. A justificativa da empresa para tal medida é a reorganização de suas responsabilidades financeiras de curto prazo, com o objetivo de "fortalecer sua estrutura de capital para garantir sustentabilidade a longo prazo". O montante das dívidas da companhia é estimado em R$ 20 bilhões.


Em comunicado à imprensa, a Gol esclareceu que todos os voos transcorrem conforme o planejado, assegurando a manutenção da validade de todas as passagens aéreas e reservas. Esta posição foi reiterada pelo CEO da empresa, Celso Ferrer, durante uma entrevista concedida a jornalistas. A companhia garante que o programa Smiles permanecerá inalterado e continuará acessível aos clientes.


"O processo pretende otimizar a Gol para sustentar o crescimento. Não devemos reduzir as aeronaves em serviço. O foco é endereçar os passivos durante esse período e organizar o fluxo daqui para frente", afirmou a empresa na nota.

Motivações para a Recuperação Judicial nos EUA


Na prática, a empresa utilizou nos Estados Unidos um mecanismo legal denominado "Chapter 11" (semelhante à recuperação judicial brasileira), o qual é empregado por empresas para suspender a execução de dívidas e realizar reestruturação financeira e operacional. O pedido foi apresentado no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. O CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmou que a decisão de recorrer à justiça norte-americana foi tomada com base na recomendação dos advogados da empresa nos Estados Unidos. Apesar dessa medida, a companhia continuará suas operações normalmente.


Além disso, a Gol comunicou que assegurou um financiamento de US$ 950 milhões para dar suporte às suas atividades, por meio da modalidade debtor-in-possession (devedor em posse, em tradução livre), uma forma de empréstimo realizada em contexto de recuperação judicial. Conforme informado na nota, a companhia aérea buscará acessar esses recursos durante a audiência do Primeiro Dia junto ao Tribunal dos Estados Unidos, agendada para os próximos dias.


Reestruturação de dívidas


A obtenção de recursos financeiros está condicionada à obtenção de aprovação judicial. Segundo o diretor-executivo da Gol, a expectativa é de que os US$ 950 milhões estejam em breve disponíveis, à medida que avançam as primeiras etapas do processo legal. Ferrer também destacou que o financiamento será realizado por um grupo de investidores que já possui familiaridade com a empresa. Esses investidores fazem parte do Grupo Ad Hoc de Titulares de Títulos (aqueles que detêm títulos de dívida) da Abra, holding que controla a Gol, além de outros Titulares de Títulos vinculados à Abra.


"Juntamente com o caixa gerado pelas operações em curso, [o financiamento] fornecerá liquidez substancial para apoiar as operações, que seguem normalmente durante o processo de reestruturação financeira", concluiu, em nota da companhia aérea".

O Que Ocasionou o Pedido de Recuperação Judicial


De acordo com analistas, a Gol apresenta indicadores operacionais robustos em virtude da forte demanda por viagens aéreas no Brasil. Contudo, as elevadas despesas com leasing (contratos de aluguel de aeronaves) e juros têm exercido pressão sobre seu fluxo de caixa, impactando negativamente seu perfil de endividamento. Além disso, a empresa enfrentou desafios de capacidade devido a atrasos nas entregas de aeronaves da Boeing, conforme destacado pelo presidente-executivo, o que limitou o crescimento da Gol no ritmo desejado.


No ano passado, a participação de mercado da Gol na indústria da aviação brasileira foi de 33%, ficando atrás apenas da Latam Brasil, conforme avaliado pela receita de passageiros por quilômetro, uma métrica que mensura o tráfego.


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