Dia internacional do trabalhador: Tensão nas ruas francesas; 100 policiais ficam feridos em protesto
Sindicatos transformaram marchas tradicionais em protesto antigovernamental contra a reforma previdenciária. Gás lacrimogêneo é disparado em meio a confrontos com os manifestantes.
Foto Reprodução / Jeff Pachoud/AFP/Getty
Nesta segunda-feira (1º de maio), é comemorado o Dia Internacional do Trabalhador em todo o mundo. Porém, na França, a data foi marcada por tensão nas ruas e violência durante os protestos realizados em várias cidades, depois que os sindicatos transformaram suas tradicionais marchas do Dia do Trabalho em manifestações antigovernamentais contra o aumento da idade de aposentadoria.
Em Paris, centenas de milhares de pessoas participaram de uma manifestação pelas ruas da capital francesa. Porém, à manifestação que começou pacificamente com a adesão de muitas famílias, segurando faixas pedindo justiça social e exigindo que Emmanuel Macron renuncie ou revogue sua lei para aumentar a idade mínima elegível para aposentadoria de 62 para 64 anos, acabou sendo marcada por tensão e violência nas ruas do país. Segundo o ministro do Interior, Gérald Darmanin, na cidade de Lyon, grupos radicais de manifestantes lançaram coquetéis molotov, latas de lixo e fogos de artifício, além de incendiar vários veículos e destruir e pichar alguns pontos de ônibus e fachadas de lojas com slogans anti-polícia.
Foto Reprodução / Jeff Pachoud/AFP/Getty
Em Marselha, um grupo de mais de 100 manifestantes ocupou brevemente um hotel de luxo perto do antigo porto antes de ser rechaçado pela polícia. A polícia francesa entrou em confronto com os grupos de manifestantes disparando gás lacrimogêneo e canhões de água, resultando em cenas de vandalismo e agressão. Na capital francesa e em outras cidades do país, pelo menos 108 policiais ficaram feridos nos enfrentamentos. O ministro ainda disse que 291 pessoas foram detidas em toda a França.
Em protestos separados, ativistas ambientais do Extinction Rebellion espalharam tinta laranja na fachada do museu Fondation Louis Vuitton em Paris, apoiado pela gigante de artigos de luxo LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton, Fendi e Christian Dior. Outro grupo de protesto ambiental espalhou tinta laranja pela Place Vendôme, no centro de da capital francesa, conhecida por suas joalherias, e também na fachada do Ministério da Justiça.
A primeira-ministra, Élisabeth Borne, publicou em uma de suas redes sociais que a violência era "inaceitável" , ao mesmo tempo em que elogiou a "mobilização responsável e o compromisso" dos manifestantes em várias cidades. Em muitas cidades da França, este primeiro de maio foi um momento de mobilização responsável e compromisso. As cenas de violência à margem das procissões são ainda mais inaceitáveis. Apoio à nossa aplicação da lei, disse ela.
O Ministério do Interior estimou que 782.000, incluindo 112.000 na capital Paris, participaram das manifestações no país, mas o sindicato CGT diz que o número é três vezes maior que esse número. Em Paris, um policial sofreu queimaduras graves nas mãos e no rosto ao ser atingido por uma bomba molotov, disse Darmanin.
Foto Reprodução / Jeff Pachoud/AFP/Getty
As reformas assinadas por Macron devem entrar em vigor em setembro. No entanto, o governo prometeu novas negociações, porém os sindicatos estão determinados a revogar as mudanças.

































