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Despedida de um Ícone: Morre aos 86 anos Caçulinha, maestro e compositor do 'Domingão do Faustão'

5 de ago. de 2024
4 min de leitura

Nos anos dourados da música brasileira, o artista teve o privilégio de acompanhar grandes nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues, Luiz Gonzaga e Roberto Carlos.


Antes de sua longa parceria com Faustão, Caçulinha participou de diversos outros programas de TV - Foto Reprodução/ Tiago Queiroz / Estadão Conteúdo





O músico e compositor Caçulinha, faleceu aos 86 anos na madrugada desta segunda-feira (5), conforme informaram seus familiares. Ele estava internado há cerca de dez dias no Hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, onde se recuperava de um infarto. Segundo os familiares, o velório será realizado na Capela do Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista, das 11h às 15h. O sepultamento ocorrerá às 16h no mesmo local. Reconhecido por seu trabalho no programa "Domingão do Faustão", Caçulinha deixou um legado inestimável e uma marca indelével na cultura popular do país.


Um Maestro de Inúmeros Talentos


Rubens Antônio da Silva, conhecido como Caçulinha, nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, e desde jovem demonstrou um talento extraordinário para a música. Aos seis anos, já tocava sanfona, e sua habilidade com diversos instrumentos musicais o destacou como um prodígio. Rubens começou a tocar os primeiros acordes profissionalmente aos 8 anos. Após a dissolução da dupla formada por seu pai e tio, ele adotou o apelido pelo qual seu tio era conhecido e passou a se apresentar ao lado do pai, formando o duo Mariano e Caçulinha.


Seu primeiro disco solo foi lançado em 1959. Ao longo de sua carreira, ele gravou 31 discos, que variam do sertanejo à bossa nova. Entre suas composições e melodias, destacam-se "Sabido", de Luiz Gonzaga, "Arrasta-pé na Tuia", em parceria com Lourival dos Santos, e a valsa "Primeiro Amor". Ele foi agraciado com o extinto Prêmio Roquette Pinto, que anualmente reconhecia os artistas mais notáveis das rádios de São Paulo. Em 2006, Caçulinha lançou o CD "Caçulinha na Bossa Nova", no qual regravou grandes sucessos desse gênero, incluindo clássicos como “Garota de Ipanema”, “Estate”, “Olhar de Mulher”, “Velas Içadas”, “Sem Você” e “O Barquinho”.


Em 1965, foi contratado com exclusividade pela TV Record para participar do programa Fino Trato, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Depois, continuou sua trajetória na televisão, trabalhando em especiais musicais da TV Record e participando de outras atrações como Esta Noite Se Improvisa e Bossaudade. Na década de 1980, apresentou o programa Caçulinha Entre Amigos na Bandeirantes e também participou do programa Perdidos na Noite na mesma emissora.


Em 2021, lançou pela Kuarup o álbum "Caçulinha - 60 Anos de Música", disponível nas plataformas de streaming e também em versão física. O álbum foi gravado ao vivo no Teatro Itália, em São Paulo, em 2019, e contou com a participação de artistas como Sérgio Reis, Agnaldo Rayol, Claudette Soares, Wanderléa, Daniel, Thobias da Vai-Vai, Zé Luiz Mazziotti, Mônica Salmaso, Simoninha e Ayrton Montarroyos. Ao longo de sua carreira, Caçulinha trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Elis Regina, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Luiz Gonzaga, Erasmo Carlos, João Gilberto, Simonal, Dominguinhos, Gonzaguinha, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Milton Nascimento e Chico Buarque.


Sua versatilidade e competência o levaram a se tornar um dos músicos mais respeitados e queridos do Brasil. Antes de iniciar sua longa parceria com Faustão, Caçulinha participou de diversos programas de TV, incluindo "Essa Noite se Improvisa", "Raul Gil", "Ratinho", "Os Trapalhões", "Balão Mágico", "Clube do Bolinha", "Almoço com as Estrelas", "Perdidos na Noite" e "A Praça é Nossa", entre outros.


A Era de Ouro no "Domingão do Faustão"


Foi no "Domingão do Faustão" que Caçulinha alcançou o auge de sua popularidade. Durante mais de duas décadas, ele encantou os telespectadores com seu talento e carisma, acompanhando os mais variados artistas que se apresentavam no programa. Seu papel como maestro e arranjador foi fundamental para o sucesso musical do "Domingão", e ele se tornou uma figura emblemática do programa. Ele também liderava a banda que se apresentava nos intervalos do programa teatral Sai de Baixo.


Afastamento e Novo Começo


Após 19 anos colaborando com Fausto Silva, em 2008 fez críticas ao programa Domingão e ao próprio Fausto, o que resultou no seu afastamento. Em 2009, seu contrato com a Rede Globo não foi renovado. Em 2014, ele se desligou definitivamente da emissora após 25 anos. Em 2015, foi contratado pela TV Gazeta para trabalhar no programa Todo Seu, apresentado por Ronnie Von. No programa, ele comandava o quadro "Causos e Canções", onde tocava músicas ao piano e compartilhava experiências de vida duas vezes por semana. Em março de 2019, foi dispensado da emissora.


A contribuição de Caçulinha para a música brasileira vai muito além de suas performances no "Domingão do Faustão". Ele foi um mentor para muitos músicos e um defensor incansável da música popular brasileira. Sua paixão e dedicação à arte inspiraram gerações e continuarão a influenciar artistas por muitos anos. Durante sua carreira, gravou 31 discos de vinil. O mais recente, lançado em novembro de 2019, celebrou os 60 anos de sua trajetória na música e na televisão brasileira.

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