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Desmatamento na Amazônia registra menor taxa dos últimos 6 anos no 1º bimestre, revela Imazon

18 de mar. de 2024
4 min de leitura

Entre janeiro e fevereiro de 2024, a área desmatada no bioma totalizou 196 km², o que marca uma redução expressiva de 63% em comparação com o mesmo período do ano passado.


Desmatamento na floresta Amazônia registrou a menor taxa dos últimos seis anos durante o primeiro bimestre/ Foto Reprodução/Adobe Stock




No cenário ambiental, a Amazônia sempre tem ocupado um lugar central de preocupação devido ao seu valor ecológico inestimável. Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) nesta segunda-feira (18) trouxeram uma notícia promissora: o desmatamento da Amazônia Legal registrou a menor taxa dos últimos seis anos durante o primeiro bimestre de de 2024. A Amazônia Legal abrange cerca de 59% do território do Brasil e compreende nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma porção do Maranhão. Essa descoberta marca um potencial ponto de virada em meio à preocupante tendência de degradação florestal que tem assolado a região nos últimos anos.


A queda nas taxas de desmatamento


De acordo com os dados do Imazon, o desmatamento na Amazônia Legal totalizou aproximadamente 196 km² nos meses de janeiro e fevereiro, representando uma queda significativa de 63% em relação ao mesmo período do ano passado, quando uma extensão de 523 km² de floresta no bioma foi desmatada, correspondendo a uma área equivalente ao tamanho de Brasília. Essa diminuição coloca a taxa de desmatamento no menor patamar registrado desde os primeiros meses de 2018.


As informações provêm do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto, cuja abordagem difere da metodologia empregada pelo Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). De acordo com o Imazon, os satélites utilizados possuem uma precisão superior em comparação com os sistemas governamentais, sendo capazes de identificar áreas desmatadas a partir de 1 hectare. Em contrapartida, os alertas do INPE consideram áreas de dimensões superiores a 3 hectares.


Imazon


O Imazon desenvolveu o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) em 2008, uma ferramenta que utiliza imagens de satélite para identificar áreas desmatadas em toda a Amazônia Legal. Utilizando os satélites Landsat 7 e 8 da NASA, juntamente com Sentinel 1A, 1B, 2A e 2B da Agência Espacial Européia (ESA), o SAD é capaz de observar a mesma região a cada 5 a 8 dias. Esses satélites, de domínio público, permitem que qualquer pessoa ou instituição tenha acesso aos dados.


O sistema prioriza a análise das imagens adquiridas na última semana de cada mês, permitindo detectar mudanças recentes. Isso significa que áreas que tenham sido degradadas no início do mês e desmatadas no final podem ser identificadas como desmatamento nos dados finais. Similar ao Deter do Inpe, o calendário de monitoramento do SAD abrange de agosto de um ano a julho do ano seguinte, devido à menor frequência de nuvens na Amazônia durante esse período. Ambos os sistemas são projetados como alertas, mas não são considerados dados oficiais de desmatamento.


Possíveis causas e contribuições


Diversos fatores podem estar contribuindo para essa redução nas taxas de desmatamento. Políticas públicas voltadas para a preservação ambiental, como operações de fiscalização mais eficazes e iniciativas de monitoramento por satélite, podem estar desempenhando um papel crucial. Além disso, a conscientização sobre a importância da Amazônia e o impacto das práticas de desmatamento também pode estar influenciando positivamente em ações tanto governamentais quanto da sociedade civil.


Neste período, a supressão de florestas manteve-se abaixo de 150 km² em todos os anos, conforme observado através do monitoramento por imagens de satélite do instituto. Para destacar a magnitude do desmatamento na Amazônia nos meses de janeiro e fevereiro de 2024, é notável que a área desflorestada excede os territórios de três capitais brasileiras: Vitória (97 km²), Natal (167 km²) e Aracaju (182 km²).


Esses dados evidenciam o desafio substancial que enfrentamos. Alcançar a meta de desmatamento zero estabelecida para 2030 é de suma importância para combater as mudanças climáticas. Para isso, uma das principais prioridades do governo deve ser acelerar os processos em curso de demarcação de terras indígenas e quilombolas, bem como a criação de unidades de conservação, já que historicamente esses são os territórios com menor incidência de desmatamento na Amazônia.


Desafios e continuidade dos esforços


Apesar da notícia positiva, o Imazon adverte que o desmatamento no primeiro trimestre de 2024 ainda supera os níveis observados nos mesmos meses entre 2008 e 2017, com exceção de 2015. Embora os números mais recentes sejam motivo de otimismo, é importante manter uma perspectiva realista sobre os desafios que persistem. A Amazônia continua a enfrentar ameaças como a exploração ilegal de madeira, atividades agrícolas insustentáveis e a invasão de terras indígenas. Além disso, mudanças climáticas e pressões econômicas podem complicar os esforços de conservação a longo prazo.


Classificação de Desmatamento por Estado na Amazônia Legal


Nos primeiros dois meses de 2024, a análise do desmatamento nos estados que compõem a Amazônia Legal revela que Mato Grosso lidera com 32%, seguido por Roraima com 30% e Amazonas com 16%. Esses números representam um total de 152 km² de floresta devastada, o que equivale a 77% do desmatamento registrado na região durante esse período. De acordo com o Instituto Imazon, em Mato Grosso, o desmatamento foi impulsionado principalmente pela expansão da atividade agropecuária, destacando-se municípios como Feliz Natal, Nova Maringá, Juína, Juara, Marcelândia e Canarana.


Em Roraima, o desmatamento avançou até mesmo em terras indígenas, com oito territórios listados, incluindo Yanomami, Manoá-Pium e Raposa Serra do Sol. No Amazonas, observa-se um aumento do desmatamento em áreas de assentamentos, sendo os municípios da região Sul os mais impactados por essa atividade.


O papel da sociedade e do poder público


Diante desse contexto, é crucial que a sociedade continue a pressionar por medidas que protejam a Amazônia e suas comunidades. O engajamento ativo do poder público, em conjunto com a participação da sociedade civil e do setor privado, é fundamental para garantir que os avanços recentes na redução do desmatamento sejam sustentáveis e duradouros.

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