google-site-verification=f-pSFHokuJvE9Ku_wLHBLw1IkvrhWWZBLp6RQ5OyjPA
top of page

Descoberta pioneira: Cientistas identificam vírus gigantes na camada de gelo da Groenlândia

10 de jun. de 2024
4 min de leitura
Cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, anunciaram a descoberta em um artigo publicado na revista "Microbiome". Essa descoberta pode ter implicações significativas no estudo do derretimento de gelo no Ártico.

O saco na imagem que aparentemente, trata-se apenas de água suja, contém vários microorganismos, incluindo as algas do gelo que escurecem - Foto Reprodução/Laura Perini





Pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, anunciaram a descoberta de vírus gigantes na camada de gelo da Groenlândia que infectam algas e podem ter influência no crescimento das mesmas. Esta descoberta não só oferece novos insights sobre a vida microbiana em ambientes extremos, mas também tem implicações importantes para o estudo do derretimento de gelo no Ártico. O anúncio foi feito por meio de um artigo publicado na revista "Microbiome".


O que são Vírus Gigantes?


Os Vírus gigantes também conhecidos como megavírus", devido ao seu tamanho gigantesco em comparação com os vírus comuns, são um tipo especial de vírus de grandes nucleocitoplasmáticos ADN, que possuem genomas muito maiores e estruturas mais complexas do que os vírus típicos. Enquanto a maioria dos vírus tem apenas algumas dezenas de genes, os vírus gigantes podem ter centenas ou até milhares de genes, ou seja, eles contêm muitos genes únicos não encontrados em outras formas de vida. Eles foram primeiramente identificados em amostras de água do mar e solos, mas esta é a primeira vez que são descobertos em uma camada de gelo.


A Descoberta


As amostras com as coletas retiradas do gelo. Uma pequena pipeta contém muitos microorganismos. - Foto Reprodução/Laura Perini





A equipe de pesquisadores, ao analisar amostras de gelo encontraram diversos vírus gigantes, alguns dos quais têm um tamanho médio de cerca de 2,5 micrômetros. Para fazer uma comparação, os vírus comuns têm entre 20 e 200 nanômetros (sendo que 1 nanômetro equivale a 0,001 micrômetro), enquanto as bactérias costumam ter um tamanho médio entre 2 e 3 micrômetros. Esses micro-organismos com tamanhos semelhantes foram inicialmente descobertos em 1981, quando cientistas os encontraram no oceano.


Esses vírus especializados em infectar algas verdes marinhas também foram encontrados em solo terrestre e até mesmo em seres humanos. No entanto, essa é a primeira vez que vírus gigantes são encontrados habitando a superfície de gelo e a neve dominada por microalgas na Groenlândia.


Durante campanhas de amostragem na Groenlândia, os pesquisadores encontraram esses vírus incomuns em locais como o lado sul da camada de gelo e três glaciares no lado leste. As amostras foram coletadas de sedimentos de criocônitos, tarolos de gelo e camadas de neve verde e vermelha, que são coloridas devido ao crescimento de algas. Os pesquisadores encontraram esses vírus incomuns durante campanhas de amostragem na Groenlândia, em locais como o lado sul da camada de gelo e três glaciares no lado leste.


As amostras foram coletadas de sedimentos de criocônitos, tarolos de gelo e camadas de neve verde e vermelha, que são coloridas devido ao crescimento de algas. A principal hipótese é que esses vírus se nutrem das algas encontradas nas neves e podem agir como um mecanismo natural de regulação de suas populações.


Significado da Descoberta


Laura Perini, pós-doutora do Departamento de Ciência Ambiental da Universidade de Aarhus, destaca a importância de controlar o crescimento das algas no gelo polar para evitar o escurecimento da superfície e a perda de capacidade de reflexão da luz solar. Segundo ela, os vírus associados a essas algas podem desempenhar um papel importante na redução do derretimento do gelo. Apesar do conhecimento limitado sobre esses vírus, a pesquisadora acredita que estudá-los mais a fundo pode fornecer respostas sobre sua especificidade e eficiência.


Metodologia da Pesquisa


Apesar de sua grandeza, esses vírus não são visíveis a olho nu, e os cientistas ainda não conseguiram observá-los nem mesmo utilizando um microscópio óptico. A descoberta foi feita somente através da análise do DNA nas amostras coletadas. Ao examinar esse amplo conjunto de informações em busca de genes específicos, os pesquisadores encontraram sequências semelhantes às de vírus gigantes já conhecidos.


Além disso, para confirmar que o DNA viral não era proveniente de microrganismos mortos há muito tempo, eles também extraíram todo o mRNA das amostras, que são moléculas responsáveis por fornecer as instruções para a produção das proteínas que o vírus necessita. Se essas moléculas estiverem presentes, isso significa que o vírus está ativo. Perini afirmou que, ao encontrar os mesmos marcadores presentes no total do DNA nas amostras de mRNA sequenciado, podemos concluir que os vírus estão vivos e ativos.


Próximos Passos


Os cientistas estão esperando que, por meio de mais estudos, possam obter uma compreensão mais aprofundada dos vírus gigantes e sua função no ecossistema do Ártico. Isso é particularmente importante devido às altas temperaturas que estão sendo registradas globalmente, o que está levando a uma diminuição significativa na extensão do gelo marinho na região. Perini também ressaltou que ainda este ano será lançado um novo estudo científico com informações adicionais sobre os vírus gigantes que infectam microalgas cultivadas na superfície do gelo da Groenlândia.

  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • LinkedIn
  • Telegram

Acompanhem em Nossas Redes 

©2021 - 2025 por civitas 360 News - Portal D&A News - todos os direitos reservados 

bottom of page