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Descoberta de Fósforo em Lua de Saturno Impulsiona a Busca por Vida Extraterrestre

15 de jun. de 2023
3 min de leitura
Pela primeira vez, cientistas descobriram a presença de fósforo em um oceano fora do nosso planeta. Essa substância foi encontrada em grãos de gelo liberados no espaço a partir da lua Encélado.

A sonda Cassini da NASA, que capturou essas imagens em 2009 - Foto Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute



Pela primeira vez, cientistas encontraram fósforo fora do planeta Terra, um dos elementos essenciais para a vida. A empolgante descoberta ocorreu em uma das luas de Saturno. Essa importante revelação tem o potencial de aumentar consideravelmente as chances da existência de vida além do nosso planeta.


Estudo


Durante o período de 2004 a 2017, os cientistas utilizaram informações obtidas pela missão Cassini da NASA, cujo objetivo foi o estudo de Saturno e suas luas. A espaçonave realizou múltiplas passagens através das plumas emanadas de Encélado e do anel E de Saturno, e por meio do Analisador de Poeira Cósmica da Cassini, foram identificados minerais e compostos orgânicos essenciais para a existência de vida. O estudo, que foi publicado na Revista Nature, apresenta um conjunto de imagens capturadas pela sonda, revelando a crosta de gelo do Polo Sul de Encélado, uma das 146 luas de Saturno.


Os finos arcos de gelo se estendem de Encélado, o ponto branco mais brilhante acima, em direção ao anel E de Saturno - Foto Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute



Essas imagens revelaram a existência de uma nuvem composta por grãos de gelo salgados, na qual concentrações significativas de fósforo foram detectadas sendo lançadas ao espaço através de fissuras na camada de gelo da lua de Encélado. É importante ressaltar que Encélado possui um oceano subsuperficial abaixo de sua espessa cobertura de gelo, e pequenas quantidades de material são regularmente expelidas por gêiseres localizados em seu polo sul. Essas partículas são então incorporadas ao anel E, o anel mais externo de Saturno.


O que significa a descoberta?


A presença de fósforo é um fator crucial para a vida como a conhecemos. É um elemento essencial para a formação de moléculas orgânicas, como o DNA e o RNA, que são os blocos de construção da vida. A descoberta de fósforo em uma lua de Saturno indica a possibilidade de existirem as condições necessárias para a vida se desenvolver fora da Terra. Essa descoberta também lança luz sobre a diversidade e a complexidade do nosso sistema solar. Anteriormente, acreditava-se que apenas a Terra possuía os ingredientes necessários para sustentar a vida.


As chances de existir vida fora da terra são ampliadas pelo fato de ter sido descoberto no oceano da lua Encélado, uma vez que a presença de água e compostos químicos cria condições altamente favoráveis. Além disso, os cientistas encontraram elementos essenciais para a vida, como carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, na lua de Saturno. A inclusão do fósforo completa o quebra-cabeça. A presença de fósforo em uma lua de Saturno também sugere que os elementos básicos para a vida podem ser mais comuns no universo do que se pensava anteriormente.


Futuro


Um dos coautores do estudo enfatizou que o próximo objetivo é retornar a Saturno e investigar a possibilidade de vida nas profundezas de seu oceano interno. No entanto, essa missão levará algum tempo. Mesmo que uma expedição partisse da Terra hoje, somente entre 2040 e 2050 ela chegaria a Saturno.


“O próximo passo é claro – precisamos voltar a Encélado para ver se o oceano habitável é realmente habitado”, disse o coautor do estudo, Dr. Nozair Khawaja, cientista planetário e pesquisador de pós-doutorado na Freie Universität Berlin.


A missão dedicada a Encélado é considerada uma prioridade pelos astrônomos, e estão em andamento planos para desenvolver o Enceladus Orbilander, uma espaçonave que orbitaria a lua e pousaria em sua superfície. Caso a missão seja lançada ainda nesta década, é provável que alcance a distante lua no início dos anos 2050.


Um aspecto importante dessa espaçonave é sua capacidade de realizar análises químicas para investigar mais a fundo o oceano subterrâneo de Encélado. O geoquímico planetário Mikhail Zolotov, professor de pesquisa na Universidade Estadual do Arizona e autor de um artigo no News & Views que acompanha o estudo da Nature, mencionou a importância desse aspecto. É importante ressaltar que Zolotov não participou do estudo.


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