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Descoberta Arqueológica: Antigas cidades de 2.500 anos emergem da Amazônia, revelando um passado oculto

12 de jan. de 2024
3 min de leitura

A recente descoberta no Equador foi viabilizada através do uso da tecnologia de mapeamento conhecida como Lidar. Antigas vilas, agora encobertas pela floresta, que eram conectadas por estradas, abrigavam até 30 mil habitantes, uma população comparável à de Londres na era romana.

Sensor a laser identificou rede de cidades antigas ligadas por estradas na Amazônia equatoriana - Foto Reprodução/Antoine Dorison/AP/picture alliance




Nas vastas e exuberantes paisagens da Amazônia, uma descoberta arqueológica extraordinária está revelando insights sobre um passado ancestral previamente desconhecido. Arqueólogos desenterraram um conjunto de antigas cidades que abrigaram milhares de habitantes há aproximadamente 2.500 anos. Essas cidades estão agora ocultas sob a densa vegetação da floresta amazônica.


Há mais de duas décadas, o arqueólogo Stéphen Rostain, que é diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, notou uma série de estradas subterrâneas e montes de terra no Equador. No entanto, na época, o pesquisador francês confessou: "Eu não tinha certeza de como tudo se conectava". Rostain é um dos cientistas que compartilharam essa fascinante descoberta na revista científica Science, publicada na quinta-feira (11).


Antigas Metrópoles Sob a Floresta


Um levantamento recente realizado através da tecnologia de sensor a laser revelou que esses locais constituíam uma intrincada rede de cidades conectadas por estradas e canais, oculta nas encostas arborizadas dos Andes, e que existiu por aproximadamente mil anos. De acordo com Rostain, trata-se de um vale perdido de cidades. Os assentamentos no Vale do Upano, localizados no leste do Equador, foram habitados entre cerca de 500 a.C. e 300 a 600 d.C., um período que se alinha mais ou menos com o Império Romano na Europa.


Surpreendentemente, isso ocorreu mais de mil anos antes de qualquer outra sociedade complexa na Amazônia que se tinha conhecimento. Por exemplo, Machu Picchu, no Peru, foi construída no século 15. Essa descoberta, portanto, altera substancialmente o entendimento que se tinha até então sobre a história das civilizações antigas na Amazônia, as quais, conforme as evidências anteriores sugeriam, supostamente viviam como nômades ou em pequenos assentamentos.


Os pesquisadores descobriram cinco grandes núcleos urbanos e dez menores em uma área de 300 quilômetros quadrados. Cada um desses locais apresentava uma densa concentração de estruturas residenciais e cerimoniais. Ao todo, foram identificadas evidências de 6 mil montes de terra, presumivelmente fundamentais para a construção dessas edificações. As cidades eram dispostas de forma intercalada, com campos agrícolas retangulares entre elas. Essas áreas eram circundadas por terraços nas encostas, nos quais os habitantes cultivavam uma variedade de alimentos, incluindo milho, mandioca e batata-doce. Esses achados corroboram com descobertas anteriores de escavações na região.


Localização


A região está situada à sombra de um vulcão, proporcionando solos férteis para a agricultura, mas também podendo ter contribuído para a ruína da sociedade. Vias amplas e retas conectavam as diversas cidades, enquanto ruas serpenteavam entre as residências e os bairros de cada povoado. As principais estradas, com uma largura de 10 metros, se estendiam por distâncias que variavam de 10 a 20 quilômetros.


"Estamos falando de urbanismo", afirma o coautor do estudo Fernando Mejía, arqueólogo da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

Uma Sociedade Avançada na Selva


Embora seja desafiador estimar as populações, o local abrigava pelo menos 10 mil habitantes, possivelmente até 15 mil ou 30 mil em seu auge, de acordo com o arqueólogo Antoine Dorison, coautor do estudo. Este número é comparável à população estimada de Londres na era romana, evidenciando uma ocupação densa e uma sociedade extremamente complexa.


O arqueólogo José Iriarte da Universidade de Exeter, no Reino Unido, observou que teria sido necessário um sistema elaborado de trabalho organizado para construir todas essas estradas e milhares de montes de terra. Ele destacou que, ao contrário dos incas e maias, que construíam com pedra, a população na Amazônia geralmente não tinha pedra disponível e utilizava lama em suas construções. Mesmo assim, o volume de trabalho realizado é impressionante. Vale ressaltar que Iriarte não participou da pesquisa. Ele sublinhou como a Amazônia, frequentemente considerada uma "região selvagem intocada com apenas pequenos grupos de pessoas", revela-se muito mais complexa à luz das descobertas recentes sobre seu passado.


Tecnologia de mapeamento


A mais recente descoberta no Equador foi viabilizada graças ao uso da tecnologia de mapeamento conhecida como Lidar. Essa inovação possibilita aos pesquisadores enxergarem através do denso cobertor florestal e reconstruírem sítios arqueológicos antigos ocultos sob ele. A descoberta de uma antiga rede urbana no Vale do Upano destaca a diversidade há muito tempo negligenciada das culturas amazônicas antigas, um panorama que os arqueólogos estão apenas começando a desvendar.


Recentemente, evidências de sociedades na floresta tropical que precedem o contato europeu foram encontradas em diferentes partes da Amazônia, incluindo o Brasil e a Bolívia. De acordo com Rostain, "sempre existiu uma incrível diversidade de pessoas e assentamentos na Amazônia, não se limitando a uma única forma de vida", e os pesquisadores estão ainda em processo de aprendizado sobre eles.


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