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Crianças desaparecidas há 17 dias após queda de avião são localizadas vivas em aldeia indígena

18 de mai. de 2023
4 min de leitura
Há 17 dias, as crianças encontram-se desaparecidas na selva amazônica colombiana. Tanto as Forças Armadas colombianas quanto às comunidades indígenas estão empenhadas em realizar buscas na região com o objetivo de encontrá-las.

Soldado e cão de busca em operação para resgatar crianças sobreviventes - Foto Reprodução / Força Aérea Colombiana/Handout via REUTERS



A Colômbia enfrenta momentos de angústia devido ao destino desconhecido de quatro crianças desaparecidas na selva amazônica há 17 dias. O avião em que estava caiu em uma área remota e de difícil acesso no dia 1º de maio. Na terça-feira (16), a aeronave foi localizada, porém, apenas os corpos do piloto, copiloto e mãe das crianças foram encontrados, sem qualquer vestígio das crianças. Essa situação tem gerado grande apreensão na população colombiana, uma vez que o paradeiro das crianças com idades de 11 meses, 4, 9 e 13 anos - permanece um mistério.


As Informações até o momento


Na tarde desta quinta-feira (18), o presidente da Colômbia Presidente Gustavo Petro emitiu um pedido de desculpas pela publicação feita em uma de suas redes sociais na quarta-feira, onde ele afirmava erroneamente que os menores estavam vivos e haviam sido encontrados em uma aldeia indígena. Segundo o presidente, uma pessoa ligada ao Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), entidade encarregada da proteção de menores, teria informado que as crianças desaparecidas haviam sido encontradas. Com base nessa informação, o presidente imediatamente compartilhou a notícia no Twitter.


"Após árduas buscas por parte de nossas Forças Armadas, encontramos com vida as 4 crianças desaparecidas devido à queda do avião em Guaviare. Uma alegria para o país", afirmava a publicação de Petro.

Ele excluiu a publicação nesta quinta-feira e explicou que decidiu apagar porque "as informações fornecidas pelo ICBF não puderam ser confirmadas".


Decidi excluir o trinado porque as informações fornecidas pelo ICBF não puderam ser confirmadas. Sinto muito pelo que aconteceu. As Forças Armadas e as comunidades indígenas continuarão em sua busca incansável para dar ao país a notícia que tanto espera. Neste momento não há outra prioridade senão avançar com a busca até encontrá-los. A vida das crianças é o mais importante", disse ele em uma nova publicação.

A instituição posteriormente disse que a informação que chegou ao presidente não tinha partido deles. Em um comunicado o ICBF, afirmou que receberam informações do território que confirmam o contato com indivíduos envolvidos nas buscas pelos menores. Segundo o relatório em questão, dizia que as crianças haviam sido encontradas com vida e com bom estado de saúde. No entanto, a diretora do ICBF, Astrid Cáceres, declarou e reconheceu que devido às condições climáticas adversas e ao terreno desafiador, as Forças Armadas ainda tinham conseguido estabelecer contato oficial e confirmar a informação.


“As Forças Armadas ainda não conseguiram estabelecer contacto oficial devido às difíceis condições climatéricas e às dificuldades do terreno, pelo que prosseguem incansavelmente com os esforços de busca que têm resultado em várias descobertas na zona e isso corroboraria a informação recebida pelo ICBF de várias fontes, de que as quatro crianças estariam vivas", disse ela e complementou, "Esperamos que seja esse o caso, mas estamos aguardando a confirmação."


O acidente


A aeronave em que os três adultos estavam viajando realizava o percurso entre Araracuara e San José del Guaviare. O piloto, Hernando Murcia Morales, estava no comando, com Hermán Mendoza Hernández, líder indígena, estava como copiloto, e Mucutuy Valencia, mãe das crianças, como passageira. Pouco depois das 7h30 do dia 1º de maio, o piloto relatou uma falha no motor. É importante ressaltar que essa aeronave já havia sofrido um acidente em Los Llanos Orientales no dia 12 de julho de 2021, de acordo com informações oficiais. Nesta ocasião, sua última localização registrada foi aproximadamente 175 milhas (ca. 282 km) antes do destino, no rio Apaporis, em plena selva amazônica. Desde então, seu paradeiro era desconhecido até a terça-feira (16), mais de duas semanas após o incidente.


O pai das crianças


As crianças fazem parte da comunidade Huitoto em Araracuara. Seu pai, Manuel Ranoque, havia fugido de lá devido a ameaças dos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), um grupo paramilitar guerrilheiro do país. No início deste mês, ele enviou dinheiro para resgatar sua esposa e seus quatro filhos e levá-los ao seu encontro em Bogotá. Infelizmente, antes de chegarem ao seu destino, o avião em que estavam sofreu um acidente. Apesar de terem se passado 17 dias, Ranoque contou que ainda mantém esperanças.


“Já enfrentei isso muitas vezes. Tive uma irmã perdida por quase um mês e lutei para encontrá-la, porque ela é uma irmã muda, especial, e da mesma forma ela voltou. Então acho que neste momento o esforço não vai ser em vão”, disse ele em uma entrevista ao jornal colombiano Caracol Notícias.

As buscas


A busca tem sido extremamente complicada devido às condições adversas da região amazônica, que tornam a sobrevivência uma tarefa árdua. As autoridades e comunidades vizinhas têm explorado minuciosamente a área em busca de pistas. Desde que a aeronave foi localizada, as autoridades empenharam todos os seus esforços para localizar as crianças. Durante a operação de busca, helicópteros eram empregados, sobrevoando a área com alto-falantes reproduzindo a voz da avó.


Objetos encontrados durante as buscas - Foto Reprodução / Fuerzas Militares de Colombia



Os militares descobriram no local do acidente uma garrafa colocada sobre alguns arbustos, uma tesoura e uma maçã picada, indícios de que algumas pessoas haviam sobrevivido. Os cães percorreram meticulosamente toda a extensão do perímetro em busca de pistas. Na terça-feira, soldados e indígenas de comunidades próximas ao local da queda encontraram pertences e uma fruta mordida, o que deu esperança de que as crianças ainda estivessem vivas.



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