Conselho de segurança da ONU aprova Cessar-Fogo histórico na Faixa de Gaza
Somente a Rússia se absteve na votação do plano que propõe a troca de reféns e prisioneiros durante um período de cessar-fogo de seis semanas, visando alcançar um acordo mais abrangente.
A proposta estabelece condições para um “cessar-fogo total e completo” - Foto Reprodução/Getty Images
Em uma decisão histórica, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) aprovou um cessar-fogo na Faixa de Gaza, buscando pôr fim a um dos conflitos mais prolongados e devastadores da região. A resolução de cessar-fogo na guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza foi aprovada nesta segunda-feira (10). O texto foi proposto pelos Estados Unidos, que solicitaram ao Hamas que aceite. A votação teve 14 votos a favor, nenhum contra e 1 abstenção da Rússia.
A resolução exige que ambas as partes apliquem integralmente os termos, sem demora e sem condições. A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, afirmou que o Conselho enviou uma mensagem clara ao Hamas: aceite a proposta apresentada. Israel já aceitou o acordo e os combates podem cessar hoje, caso o Hamas faça o mesmo.
Detalhes da Resolução
A resolução do Conselho de Segurança, que foi apoiada, exige o fim imediato das hostilidades entre Israel e o Hamas, o grupo militante que governa Gaza. O cessar-fogo inclui um compromisso de ambas as partes para suspender ataques aéreos, bombardeios e lançamentos de foguetes, permitindo assim que ajuda humanitária urgente seja distribuída às populações afetadas. No entanto, a aprovação do projeto não implica necessariamente que Israel e Hamas irão cumpri-lo.
O plano tem três fases e, na primeira etapa, inclui um cessar-fogo de seis semanas, a retirada das forças israelenses das áreas densamente povoadas da Faixa de Gaza e a libertação de reféns e prisioneiros palestinos detidos por Israel. Além disso, propõe uma troca inicial de idosos, doentes ou mulheres reféns por palestinos detidos por Israel durante esse período de cessar-fogo.
Na segunda fase da negociação, o cessar-fogo progrediria para o término definitivo das hostilidades e a libertação de todos os reféns, mediante acordo entre as duas partes envolvidas e os mediadores dos Estados Unidos, Qatar e Egito. Posteriormente, uma terceira etapa seria implementada com o objetivo de iniciar um amplo programa de reconstrução.
O Hamas saudou a aprovação do acordo e afirmou estar pronto para cooperar com os mediadores na implementação dos princípios do acordo, que estão alinhados com as demandas da população e a resistência. A diplomata sênior de Israel na ONU, Reut Shapir Ben Naftaly, evitou comentar diretamente a aprovação do acordo de trégua, seguindo a tradição do país de dar declarações vagas sobre o assunto.
Ela afirmou que os objetivos de Israel em relação a Gaza sempre foram claros: libertar todos os reféns, destruir as capacidades militares e governamentais do Hamas e garantir que Gaza não represente uma ameaça futura a Israel. Segundo ela, é o Hamas e apenas o Hamas que está impedindo o fim desta guerra.
Resolução Proposta Pelos EUA
A resolução pede ao Hamas que aceite o acordo e insta as duas partes a implementarem integralmente os termos, sem demora ou condições. Os Estados Unidos têm buscado o apoio da ONU para a proposta desde que foi apresentada por Biden em 31 de maio. A Palestina apoiou a proposta, com a condição de que um cessar-fogo inicial de seis semanas fosse prorrogado se as negociações continuassem durante uma segunda fase.
A resolução afirma que os EUA, o Catar e o Egito trabalhariam para garantir que as negociações continuassem até que todos os acordos fossem alcançados e a segunda fase pudesse começar. O porta-voz presidencial palestino, Nabil Abu Rudeineh, afirmou que a liderança da Autoridade Palestina aceitaria qualquer resolução que pedisse um cessar-fogo imediato em Gaza, preservando a integridade territorial palestina.
A resolução dos EUA recebeu apoio da Palestina, o que tornou a tarefa de vetá-la muito mais difícil para a Rússia ou a China do ponto de vista diplomático. Desde o início da guerra em Gaza, em Outubro, o Conselho de Segurança tem enfrentado dificuldades em alcançar um consenso devido à polarização existente. Embora tenha sido possível chegar a um acordo sobre uma resolução humanitária que envolve um cessar-fogo temporário, esta é a primeira vez que uma paz abrangente é abraçada.
Reações Internacionais
A comunidade internacional recebeu a notícia com otimismo. O Ministério das Relações Exteriores informou que o Egito felicitou a aprovação da resolução. O Egito, juntamente com o Catar e os EUA, tem atuado como mediador nas negociações de trégua na guerra. A Presidência da Autoridade Palestina também felicitou a aprovação do texto e declarou apoio a qualquer resolução que promova um cessar-fogo imediato em Gaza.
O presidente Biden, em sua conta no X (antigo Twitter), destacou a aprovação da resolução. Segundo o texto, o Hamas expressou o desejo de um cessar-fogo, e este acordo oferece uma oportunidade para eles provarem sua seriedade. A situação em Gaza foi descrita como catastrófica pela embaixadora do Reino Unido, Barbara Woodward, que enfatizou o prolongado sofrimento. Ela apelou às partes envolvidas para aproveitarem essa oportunidade e avançarem em direção a uma paz duradoura que garanta a segurança e estabilidade tanto para israelenses como para palestinos.
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Cameron, também elogiou a aprovação da resolução.




























